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Haumea

Figura 01: Impressão artística de Haumea e seu anel

Em Astronomia, denominam-se objectos trans-neptunianos àqueles que estão para lá da órbita do oitavo planeta do Sistema Solar: Neptuno. Em uma região conhecida como cintura de Kuiper (vide figura 02), há inúmeros corpos celestes compostos basicamente por gelo e rochas. Chama-se a atenção para um em especial: Haumea. Situado a 51,242 UA* da Terra, Haumea é um planeta anão cuja forma é totalmente irregular.

Suas dimensões são 2322 km × 1704 km × 1138 km, conforme mostrado na figura 01. O raio do anel é de 2287 km e, como se nota na imagem, a superfície de Haumea é mais escura que seu anel.

*UA = Unidade Astronómica (1UA = 149. 597. 870.700 m).

Figura 02: Cintura de Kuiper, região que abriga os objectos transneptunianos.

Em geral,  o estudo de objectos tão distantes  encontra alguns  empecilhos, a saber: tamanho e brilho  dos corpos  celestes. No caso de Haumea, seu tamanho é pequeno e seu brilho é baixo. Para  estudar tal objecto uma boa  saída é  abrir mão de uma  técnica denominada “ocultações  estelares”, ou seja,  observar a passagem  de Haumea  em frente  de uma estrela. Esta técnica foi  usada com sucesso e contribuiu para a determinação  do tamanho, forma e densidade de outros planetas anões: Plutão, Éris e Makemake.

Uma equipa de astrónomos de dez observatórios distintos observaram uma das ocultações de Haumea (a 21/01/2017) e como resultado, vide figura 01,  foi averiguado que  Haumea  possui um anel. Além disso, esse estudo corrigiu as medidas para o tamanho, forma e densidade de Haumea. Notou-se que este planeta anão é maior do que se esperava, ao passo que ele também reflete menos luz do que fora estimado além de ser  muito menos denso do que  fora previsto.

Haumea tem uma órbita elíptica  em torno do Sol e seu período de translação é de 283,6 anos. Os novos dados comprovam que  o planeta anão  encontra-se   50 vezes  mais distante do Sol que a nossa Terra. Haumea  leva aproximadamente 3,9 h para  concluir uma rotação. Sua velocidade rotacional contribui para seu achatamento, garantindo-lhe uma forma  elipsoidal (semelhante a um ovo) [ver figura 03].

Figura 03: Haumea e seu formato elipsoidal.

Como mostrado na figura 03, Haumea possui duas luas, a saber: Hiʻiaka  e Namaka. Observou-se também que este planeta anão é desprovido de uma atmosferal global. Porém, o facto mais  surpreendente não foi a descoberta das duas luas e sim,  de um anel em torno de Haumea. Haja vista que, até poucos anos, somente os planetas gigantes possuíam anéis.  Devido às pesquisas desta equipa internacional (que contou com a participação de astrónomos brasileiros) a descoberta do anel de Haumea, assim como dos anéis dos centauros – Quíron e Chariklo- foram possíveis. O que equivale a dizer que os anéis podem surgir indenpendentemente da distância e do tamanho do objecto celeste.

Actualmente há várias explicações para o surgimento do anel, entre elas, sublinham-se: i) a possibilidade do anel ser formado devido a uma colisão com outro corpo;  ii) devido à dispersão  de material  de superfície, causado pela alta velocidade rotacional  de Haumea. Actualmente, é admitida entre os astrónomos  que a presença de anéis seja mais comum do que se pensava e pode ocorrer tanto no Sistema Solar quanto em outros sistemas planetários.

Figura 04: À esquerda, Chariklo e ao centro, Haumea – ambos com anéis. E Plutão à direita.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Coordenador do NEPA, Líder do NEPA/UEA/CNPq, membro da União Astronómica Internacional (UAI), Sociedade Brasileira de Astronomia (SAB), Associação de Planetários da América do Sul (APAS), Associação Brasileira de Planetários (ABP), Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Sociedade Brasileira de Física (SBF) e do Grupo de Astronomia para o Desenvolvimento (PLOAD), revisor das revistas IODA e Areté e revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Director dos Planetários  de Manaus e Parintins, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

 

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