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HD 20782 b

Figura 01: Concepção artística do HD 20782 b, a orbital a sua estrela no ponto de maior aproximação. Créditos da imagem: NASA.

A ler o título o leitor irá imaginar tudo, excepto que seja o nome de um Planeta, ou melhor, um exoplaneta. Nome estranho a parte,  o exoplaneta      HD 20782 b encontra-se a 117,48 anos-luz de distância da Terra. O que equivale a dizer que ele está logo ali, na esquina. E realmente está veja a   figura 02, note que o sistema estelar HD 20782 encontra-se na constelação da Fornalha.

Figura 02: HD 20782 b encontra-se na constelação da Fornalha. Cortesia da imagem: Planetário Digital de Parintins/NEPA/UEA/CNPq
Figura 02: HD 20782 b encontra-se na constelação da Fornalha. Cortesia da imagem: Planetário Digital de Parintins/NEPA/UEA/CNPq

Em função de sua trajectória bem fechada, o exoplaneta é agora conhecido por ser o planeta mais excêntrico já observado. Isso porque sua trajectória em torno de sua estrela é uma elipse com excentricidade 0,96. Isto implica dizer  que  o planeta está a mover-se  em uma elipse quase achatada.  E com isso, ele percorre  enormes distâncias  até o ponto mais afastado de sua estrela hospedeira e depois tem uma aproximação turbulenta e perigosa no ponto de maior próximo da mesma estrela.

Estudar o HD 20782 b é uma execente oportunidade para aprendermos mais sobre a composição química e estrutura de sua atmosfera.

Para termos uma ideia do quão próximo esse planeta fica de sua estrela,  vejamos alguns dados. No ponto de maior afastamento (em relação à estrela hospedeira) o exoplaneta está a 2,5 vezes a distância entre o Sol e a Terra. Por outro lado,  na máxima aproximação, ele se encontra a 0,06 vezes a distância entre o Sol e a Terra. O que equivale a dizer que ele está mais próximo de sua estrela do que Mercúrio está do Sol.  O problema é que  HD 20782 b tem  uma massa  aproximadamente igual à de Júpiter. Normalmente planetas envoltos  em nuvens de partículas geladas, como é o caso de Júpiter,  são muito refletivos. Porém, se um planeta como Júpiter  se deslocasse  para um ponto muito próximo ao Sol, o calor removeria o material  gélido das suas nuvens.

Como se formou esta configuração? Bem a resposta não é trivial. Mas os astrónomos estão a trabalhar com duas hipóteses, a  saber: na primeira,  acredita-se que  houvessem mais planetas naquele sistema estelar.  Um planeta desenvolveu uma órbita instável e aproximou-se  demasiadamente de           HD 20782 b. A colisão ou quási-colisão poderia ter expelido um planeta para fora do sistema  e empurrado HD 20782 b para a sua órbita excêntrica.            A segunda versão parte do conhecimento prévio de que  HD 20782 é um sistema binário. Neste caso, a segunda estrela tenha  se aproximado de        HD 20782  deslocando-o  para  uma órbita menos circular.

Mais detalhes sobre o exoplaneta HD 20782 b serão obtidos a partir de 2018, ano de lançamento de dois satélites que irão estudar,  em detalhes, o exoplaneta.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da AIU, membro da PLOAD, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de Manaus, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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