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HD 80606b

Figura 01: Concepção artística da atmosfera de HD 80606b (face voltada para a estrela-mãe) realizada pela Caltech com base nos dados do Spitzer. Créditos da imagem: NASA/JPL-Caltech.

Quando o assunto  são os exoplanetas, na primeira década do século XXI, foram confirmados algo em torno de  dois mil  exoplanetas e, com o avanço tecnológico, temos mais de cinco mil  candidatos a exoplaneta identificados.

Possivelmente, você  talvez se perguntou: os outros planetas são iguais aos planetas do Sistema Solar? Resposta: nem sempre, já falamos (em outras matérias) dos planetas tipo-Terra e, também, dos planetas tipo-Júpiter. Hoje, falaremos daqueles tipo-“Júpiter quente”.

Denominamos planeta tipo-“Júpiter quente” àqueles  planetas gigantes que são gasosos tal como Júpiter, porém, muito (muito mesmo!) mais quentes. Além de  apresentam órbita muito próxima de sua estrela-mãe.

Até o século XX, pensávamos que nós fôssemos a regra e, portanto, qualquer outro sistema estelar que surgisse, por regra, deveria guardar alguma semelhança com o nosso Sistema Solar. Por isso, o primeiro planeta tipo-“Júpiter quente” foi um grande desafio para os astrónomos. Porém,  com o passar dos anos, muitos outros planetas (pertencentes a essa categoria) foram  descobertos. A tal ponto que hoje nos perguntamos se realmente somos a regra.

Agora, temos que lidar com um novo desafio,  a saber: explicar como são formados os planetas tipo-“Júpiter quente” e por qual motivo eles passam tão próximos de sua estrela-mãe?

Com o auxílio do Telescópio Espacial Spitzer, que  observou um planeta desta categoria (denominado HD 80606b) alguns dados foram coletados.  Aos poucos, estamos a ter um panorama geral do comportamento desse tipo de planeta. E esse estudo é fundamental para entendermos a natureza  e o comportamento dos demais da mesma categoria.

Figura 02: Telescópio Espacial Spitzer. Créditos da imagem: NASA.
Figura 02: Telescópio Espacial Spitzer. Créditos da imagem: NASA.

Com o auxílio do Telescópio Espacial Spitzer, astrónomos realizaram medições infravermelhas do calor libertado do planeta HD 80606b à medida que o mesmo se aproximava de sua estrela-mãe.

Em apenas 6h, a temperatura do planeta variou de 527°C para 1227°C [correspondente a 800K para 1500K].  HD 80606b está localizado a 190 anos-luz do planeta Terra, na constelação de Ursa Maior [ver figura 02].

Figura 03: Localização do Planeta HD 80606b, na constelação de Ursa Maior. Créditos da imagem: Planetário Digital de Parintins- NEPA/UEA/CNPq.
Figura 03: Localização do Planeta HD 80606b, na constelação de Ursa Maior. Créditos da imagem: Planetário Digital de Parintins- NEPA/UEA/CNPq.

A cada 111 dias, HD 80606b passa muito próximo de sua estrela-mãe e, em seguida, afasta-se para distâncias maiores. Um comportamento anormal, pois, a excentricidade de sua órbita lembra mais o comportamento de um cometa a que um planeta. Uma questão ainda em aberto é a aproximação  desse tipo de planeta  com a estrela hospedeira, haja vista que  a parte do planeta voltada para  a estrela   alcança facilmente a temperatura de  1.100°C. Imagina-se, portanto, que o outro lado do planeta (aquele oposto à estrela) registe temperaturas muito mais baixas. O desafio agora é explicar  a geologia de planetas deste tipo. Os dados do Spitzer revelaram que, quando o planeta está a se aproximar de sua estrela hospedeira, sua atmosfera  começa a entrar em efervescência e os ventos superam a marca dos  250 km/h facilmente.

Em princípio, a teoria mais aceita para a formação de Júpiteres quentes – como também são denominados – alega que  planetas gigantes (gasosos)  quando em órbitas longíquas tornam-se  Júpiteres quentes se e somente se  as influências  gravíticas  os empurram  para órbitas mais próximas. Neste sentido, HD 80606b está a dar sinal de que se trata de um planeta em fase de transição orbital.

Quanto à observação, o Spitzer teve tempo suficiente para registar dados mais precisos  sobre a variação de temperatura sofrida pelo planeta, tempo de giro e taxa de aquecimento.

Por exemplo, Spitzer observou que o brilho de HD 80606b varia  à medida que o planeta completa uma revolução. Os primeiros registos apontaram um período de rotação de 90h. Porém, como dissemos, estes são os primeiros dados.

Figura 04: Variação do brilho do planeta à medida que o mesmo aproxima de sua estrela-mãe. Crédito da imagem: NASA/Spitzer Space Telescope/IRAC.
Figura 04: Variação do brilho do planeta à medida que o mesmo aproxima de sua estrela-mãe. Crédito da imagem: NASA/Spitzer Space Telescope/IRAC.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA, Membro da AIU, Membro da ST/Brasil, Membro do PLOAD/Brasil, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de Manaus, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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