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Hidra – lua de Plutão

Fig01: Hidra.

 

Fig02: Hidra ao lado de Plutão, Caronte e Nix.
Fig02: Hidra ao lado de Plutão, Caronte e Nix.
Fig03: Sonda New Horizons.
Fig03: Sonda New Horizons.

Em 14 de julho de 2015 a sonda New Horizons [ver figura 03] chegou até Plutão. Desde então, os primeiros dados do planeta-anão estão a ser transmitidos para a Terra.

Além de Plutão, a New Horizons também está a enviar os dados da composição de quatro luas de Plutão. Só para recordar, o planeta-anão tem cinco satélites naturais, a saber: Caronte, Nix, Hidra, Cérbero e Estige. Os novos dados revelam que Hidra – a lua mais exterior de Plutão é dominada por água gélida “quase pura”. Essa informação corrobora as evidências reveladas pela superfície altamente refletiva de Hidra.

Os dados actuais de Hidra foram coletados por LEISA (Ralph/Linear Etalon Imaging Spectral Array) que se encontrava a 240 mil quilómetros de distância da lua mais exterior de Plutão. As imagens foram captadas em infravermelho e mostram a assinatura inconfundível de água gelada cristalina, isto é, uma absorção ampla entre os 1,5 e 1,6 micrómetros e uma característica espectral mais estreita de gelo a 1,65 micrómetros.

Fig04: Comparação entre os especros de gelo puro, Hidra e Caronte.
Fig04: Comparação entre os especros de gelo puro, Hidra e Caronte.

Na figura 04, podemos ver que o espectro de Hidra é símil ao de Caronte – a maior lua de Plutão – que também apresenta grande quantidade de água gélida cristalina. Distiguindo-se de Caronte apenas nas bandas de absorção do gelo, que em e Hidra são mais profundas.  Isso está a sugerir que os grãos de gelo à superfície de Hidra ou são maiores ou estão a refletir mais luz em determinados ângulos do que os grãos de Caronte.

Por enquanto, os astrónomos creem que Hidra tenha sido formada em um disco de detritos gelados, os quais foram produzidos quando os mantos ricos em em água foram removidos dos dois corpos que colidiram para formar o binário Plutão-Caronte, facto que aconteceu aproximadamente quatro (04) mil milhões de anos.

As profundas bandas da água e a alta reflectância são frutos da pouca contaminação por material mais escuro que se acumulou à superfície de Caronte com o passar do tempo. Porém, os astrónomos ainda não conseguem entender por qual razão o gelo de Hidra é mais limpo do que o de Caronte. [Atenção, caro leitor, há alguns astrónomos que classificam Plutão e Caronte como um sistema planetário duplo, ok?].

Hidra foi descoberta em 2005 e seu campo gravitacional é de 0,02 Nkg-1, o que equivale a dizer que se uma pessoa de 100 kg estivesse na superfície de Hidra, o peso sentido pelo indivíduo seria de 2 N. Outro detalhe interessante é a temperatura em Hidra, a menor delas é de -240°C e a maior temperatura é de  -218°C.

         Os cientistas acreditam ainda em duas outras possibilidades para explicar o facto do gelo ser mais límpido em Hidra que em Caronte, a saber:

  1. Possivelmente impactos de micrometeoritos estão a “renovar” continuamente a superfície de Hidra. Deixando assim a superfície sempre limpa.
  2. Caronte possui gravidade suficiente para reter os detritos criados pelos impactos de micrometeoritos. E por isso, possui água menos limpa que Hidra.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA/UEA/CNPq, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da AIU, membro da PLOAD/Brasil e ST/Brasil, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de Manaus, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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