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HPC não retoma atendimentos e direção rebate críticas do Secretário de Estado de Saúde do Interior

Gilson Almeida | 24 Horas
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Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (04) no centro pastoral Mãe de Deus (prédio da Rádio Alvorada) a direção do Hospital Padre Colombo (HPC), da Diocese de Parintins, informou que não irá cumprir a decisão judicial de retomar os atendimentos de pacientes do SUS. Os atendimentos na unidade estão suspensos desde o dia 1° de outubro, alegando que as metas de atendimento dos usuários do SUS para o ano de 2021 já teriam sido alcançadas, acarretando prejuízos à instituição que atua sem fins lucrativos. O HPC atua em parceria com o Governo do Estado e Prefeitura Municipal.

A determinação da justiça foi assinada pelo juiz de direito da Comarca de Parintins, Hercilio Tenorio de Barros Filho, dando 48 horas para a Diocese reabrir o Hospital Padre Colombo para atender pacientes do SUS, sob pena de aplicação de multa no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), até o valor máximo de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais).

Participaram da coletiva de imprensa o bispo Dom Giuliano Frigeni, advogado da Diocese e gerente administrativo do HPC, Adson Ribeiro, procurador-geral do HPC, padre Mauro Romanello, e a assessora administrativa da Diocese no HPC, irmã Laura.

Adson Ribeiro, informou que a direção do hospital entrou com recurso para derrubar a decisão judicial.

Ainda mais, sobre as denúncias de violência obstétrica e negligência médica do Hospital Padre Colombo que teriam levado bebês a óbito, o advogado Adson Ribeiro afirma que não são verdadeiras, que foi registrado um boletim de ocorrência e que estão sendo tomadas as devidas providências judiciais.

No sábado (02), o secretário executivo de Assistência do Interior da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), Cássio Roberto do Espírito Santo, fez duras críticas à direção do Hospital Padre Colombo. Em um programa de rádio do município, ele disse que durante uma visita feita ao hospital no pico da pandemia, o mesmo encontrou sete respiradores novos locados pelo governo estadual no almoxarifado ainda em caixas enquanto a população estava precisando. O secretário chegou a chamar ainda  isso de uma atitude “inescrupulosa”. Na coletiva realizada hoje o padre Mauro afirmou que os equipamentos não eram do Governo do Estado e sim doações de uma ONG internacional por intermediação do papa Francisco e que os equipamentos teriam chegado na manhã do mesmo dia da visita do secretário e que a tarde eles foram instalados na unidade.

Ainda sobre a declaração de Cássio Roberto em que ele disse que sabe quanto o Governo do Estado e prefeitura repassam ao Hospital Padre Colombo, mas não sabe quanto de recursos próprios e doações a direção do hospital investe na unidade, o padre Mauro disse que essa é uma afirmação mentirosa do secretário em que para o mesmo foi repassado uma planilha detalhando os recursos adquiridos do Hospital Padre Colombo que chegam a cerca de R$ 15 milhões e 300 mil entre recursos próprios e doações, de 2017 até abril de 2021. “Isso deixa a gente indignado”, disparou padre Mauro.

Até então o Hospital Padre Colombo permanece com os atendimentos suspensos para os usuários do SUS e a direção da unidade informou que aproveitará isso para concluir a reforma que está sendo feita na obstetrícia e que dará folga aos profissionais de saúde que atuam no HPC que estão há dois anos sem tirar férias por conta da pandemia. “É impossível abrir o hospital, seria irresponsabilidade com a vida das pessoas”, disse o advogado da Diocese e gerente administrativo do HPC, Adson Ribeiro, afirmando que a unidade está sem recursos e estrutura para atender os pacientes.

Com a suspensão dos atendimentos no Hospital Padre Colombo, a prefeitura realizou uma força-tarefa e concentrou os atendimentos de crianças e grávidas no hospital Jofre Cohen.

Foto: Yuri Pinheiro.
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