Infecção por leptospirose mata duas pessoas e interna outras duas da mesma família no Mocambo

O registro de duas mortes e outros dois casos graves de internação com suspeita de infecção por leptospirose em uma mesma família do distrito Mocambo do Arari, colocou o sistema de saúde municipal em alerta. Os casos foram registrados há cerca de um mês, quando a primeira morte foi confirmada com a doença e em seguida outra morte pelo mesmo motivo.  

Os sintomas de cada pessoa são os mesmos, sendo fortes dores de cabeça, dor no corpo e paralisação das pernas. Como os hospitais de Parintins não dispõem de recursos técnicos para detectar a presença de leptospirose, por meio de exames, os pacientes são transferidos para Manaus. A leptospirose é uma doença causada pela ingestão ou pelo contato físico com a urina e fezes de rato.

O agricultor Cleidson Silveira dos Santos, 37 anos, morreu ao dar entrada no hospital Jofre Cohen, há cerca de um mês. Cleidvaldo Silveira dos Santos, 33, irmão de Cleidson, também morreu sob suspeita contrair a doença. A terceira pessoa a adoecer por leptospirose, Cleidnilson Silveira dos Santos, 30 anos, começou a sentir os mesmos sintomas, deu entrada no hospital Jofre Cohen e foi transferido para o hospital Tropical, em Manaus, onde está em observação. O mais recente caso foi do adolescente Guilherme Teixeira dos Santos, 14 anos, filho da primeira vítima, o senhor Cleidson Silveira dos Santos.

De acordo com a senhora Rosineide Almeida, 42, tia de Guilherme Teixeira dos Santos, no sábado, o garoto começou a sentir fortes dores na cabeça, febre alta, muita dor no corpo e paralisação nas pernas e foi conduzido em uma bajara até o município de Parintins, onde foi internado no hospital Padre Colombo. “Ele se entortava de tantas dores. Então até hoje a família não sabe realmente o que é. A gente quer saber o que é realmente a doença”, cobrou Rosineide Almeida, tia de Guilherme.

A senhora Rosineide Almeida acusa a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) de negligência por não atender de forma satisfatória os casos de doenças no Mocambo. Dona Rosineide conta que na unidade básica de saúde do Mocambo não existe, sequer, remédios para os pacientes e as pessoas que ficam doentes têm que fretar bajaras ou viajar em barcos de linha para transportar os doentes até os hospitais de Parintins, uma vez que a ambulancha da localidade não funciona.

A enfermeira assistencial do hospital Padre Colombo, Simone da Silva Moreira, que acompanhou a internação de Guilherme, disse o garoto foi transferido para Manaus na tarde de segunda-feira, 4 de julho, para realizar os exames necessários e ter um tratamento melhor.

Os casos das duas mortes e outras duas internações por leptospirose levaram uma equipe da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) a realizar, no sábado, 2 de julho, um trabalho de investigação epidemiológica sobre os casos. “Havíamos recebido do Lacem (Laboratório Central do Amazonas) a confirmação de um caso positivo para leptospirose onde o paciente veio a óbito e por orientação do secretário Luiz Orestes montamos uma equipe e fomos até o local, no Mocambo”, disse o coordenador de epidemiológico Cipriano Ribeiro.

Cipriano Ribeiro informou que todas as medidas foram tomadas para que os moradores ao redor do local onde surgiu a epidemia de leptospirose no Mocambo recebessem orientação sobre a questão sanitária. “Constatamos que as famílias estão propensas à infecção por leptospirose, uma vez que as louças estão sem nenhum acondicionamento adequado e estão expostas, existe muito lixo nos quintais e restos de alimentos que atrai os ratos”, disse.

O coordenador epidemiológico afirmou que no local e arredor das casas das pessoas infectadas pela doença transmitida por ratos existe grande quantidade de tocas de ratos e, portanto, uma superpopulação de roedores que pode ser a principal causadora de doenças. “Nas laterais das casas constamos buracos de ratos, tivemos relatos dos próprios moradores onde ocorreram os casos”, assegurou.

Cipriano informou que a equipe técnica da Semsa está trabalhando para exterminar o foco de ratos no local. O coordenador informou que será necessário o isolamento das residências até a execução do processo de desratização e controle vetorial. “Estamos orientando com relação ao lixo, estamos monitorando os casos, foram coletados exames dos familiares e uma equipe para lá foi enviada para realizar a desratização e assepsia das residências”, afirmou.

Outra medida tomada pela Semsa, segundo a gente de enfermagem do hospital Jofre Cohen, Regiane Barata, foi chamar as famílias da área onde os casos foram confirmados para realizarem coleta de sorologia para serem analisados em Manaus. A coleta foi realizada no hospital Jofre Cohen. “Todas as famílias fizeram a sorologia e será encaminhada para Manaus para os exames, uma grande maioria de crianças e três adultos”, disse.

O secretário municipal de Saúde, Luiz Orestes, conformou que o Mocambo do Arari está sem a ambulancha para transportar os doentes em caso de emergência, uma vez que a embarcação está com a hélice quebrada. “Essa peça para ser comprada tem que passar por licitação de vai demorar um pouco”, justificou. Com relação a falta de medicamento Orestes disse a culpa é do Governo do Estado que não repassou o dinheiro do convênio. “Estamos com dificuldade porque desde o ano de 2015 e até julho de 2016 não houve o repasse e não estamos conseguindo comprar os medicamentos na quantidade para manter o abastecimento o mês todo”, explicou.

Marcondes Maciel |  RP

 

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