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Invasão Pascoal Allágio segue na irregularidade em Parintins

Loteamento foi invadido em março, mas proprietários conseguiram reintegração, que não foi executada. Foto: Tadeu de Souza

Tadeu de Souza | Em Tempo

Parintins (AM) – A polícia de Parintins (a 369 quilômetros de Manaus) está investigando uma denúncia que dá conta de que um grupo de pessoas lideradas por um homem, identificado até o momento apenas como ‘Calixto’, estaria enganando a boa-fé de famílias pobres do município, vendendo lotes de terras na invasão do loteamento Pascoal Allágio, no bairro do mesmo nome, na Zona Oeste da cidade.

Uma das denunciantes, uma dona de casa que se identificou apenas como ‘Alice’, 23, afirma que Calixto lhe vendeu um lote de terra no valor de R$ 300, e que ao chegar para ocupar o lote, o mesmo havia sido vendido por R$ 400 para outra família. “Ele retirou toda a madeira que eu havia colocado no local, mandou jogar fora e vendeu o terreno que ele havia negociado comigo. Ele está fazendo isso com todo mundo e ninguém faz nada, e quando a pessoa não quer sair, eles ameaçam, espancam, dizem que são os donos da invasão e que ninguém vai tirá-los de lá”, declara.

Segundo ela, o grupo mantém outros lotes de terras com preços que variam entre R$ 1 mil e R$ 2 mil, destinados a vender para empresários da cidade tão logo saia uma decisão judicial acerca da ocupação ocorrida no início de março deste ano.

O EM TEMPO teve acesso a um áudio em que Calixto negocia com outra pessoa a venda de lotes na invasão e revela que dá expediente no local cumprindo horário comercial.  “Venha até as 17h ou então amanhã a partir das 8h e me procure. Guarde o meu nome: Calixto, entendeu bem?”, pergunta Calixto na conversa com outra pessoa interessada em adquirir lotes de terra na invasão do Pascoal Allágio.

Outro morador da ocupação irregular, Jorge Oliveira, 56, (nome fictício) informa que além de vender lotes de terra, o grupo também vende energia na invasão.

“Eles obrigam quem compra o lote a pagar várias taxas, uma delas é para energia, eles fazem gato e vendem a energia. Quem não pagar as taxas cobradas é posto para fora do lote mesmo que tenha pago, isso não é de hoje, estamos querendo que as autoridades tomem providências. Tem muita gente aqui que não tem onde morar, que necessita de um pedaço de terra, mas tem uma quadrilha agindo aqui e tocando terror”, diz ele, que afirma já ter discutido com Calixto sobre as ações que o mesmo comanda na invasão.

Inspeção

A direção da Amazonas Energia em Parintins informa que tomou conhecimento das ligações clandestinas e venda de energia na invasão por meio de uma reportagem do programa “Agora Parintins”, da TV EM TEMPO/SBT, emissora do grupo Raman Neves de Comunicação.

A gerente do órgão em Parintins, Francy Rodrigues, afirma que esteve pessoalmente no local com uma equipe de técnicos da empresa e confirmou que realmente está havendo o roubo de energia na área da ocupação irregular.

A invasão do loteamento Pascoal Allágio vem sendo aos poucos controlada por uma ‘comissão’ comandada por Calixto, que teria espalhado olheiros em vários pontos do lugar que se comunicam rapidamente ao menor sinal da entrada de desconhecidos na área ou da própria Polícia Militar. A imprensa não é bem-vinda no local.

Agravo

O advogado Narcizo Picanço, ouvido pelo EM TEMPO, informa que a invasão de terras já é um crime e a venda de lotes de terra invadida é mais grave ainda. “Ninguém pode vender o que não é seu, isso é crime, a polícia e a Justiça precisam ser acionadas, o que está acontecendo em Parintins é inaceitável”, salienta.

Os proprietários da área invadida já obtiveram uma reintegração de posse na primeira instância da Justiça estadual, porém, a Defensoria Pública do Estado (DPE-AM) recorreu da sentença do juiz Fábio César Olintho de Souza e a decisão cabe agora ao Tribunal de Justiça do Amazonas (Tjam).

Segundo o empresário Pedro Esteves, filho dos proprietários do loteamento invadido, a família já apresentou ao Tjam um agravo de instrumento assinado pelo advogado Paulo Guerra e caberá à desembargadora Nélia Caminha julgar o recurso.

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