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Juno chega até Júpiter

Fig01: Sonda Juno em frente de Júpiter.

Ontem, dia 04 de julho (independência dos Estados Unidos), a NASA gerenciou a maior aproximação da sonda espacial Juno até o Planeta Júpiter. Na figura 01, em destaque, a sonda Juno em frente ao gigante gasoso. Pelo seu tamanho, diz-se de certa maneira que o planeta joviano é  um verdadeiro guarda-costas da Terra. Afinal, ele atrai para si muitos objectos flutuantes e potencialmente perigosos que estão presentes no Sistema Solar. A aproximação que se deu  pouco após às 23 horas (horário de Parintins) também é um marco na história da humanidade. Foi a primeira vez que o homem consegue adentrar a atmosfera de Júpiter.

-Alto lá, você quer dizer que o homem realmente foi lá?  Entendi sua dúvida, então, vamos esclarecer alguns pontos, a saber: quando falamos que o homem consegue adentrar a atmosfera de Júpiter, não quer dizer que o homem pisou em Júpiter. Mesmo porque o solo do gigante gasoso ainda é um mistério para os astrónomos. Mas vale sublinhar que se trata de um planeta gasoso. O que o homem pode fazer é enviar uma sonda espacial e estudar a fundo outras propriedades do planeta e assim, planear uma possível missão tripulada. Foi assim com a Lua, foi assim com Plutão, Marte e está  a ser da mesma maneira com Júpiter.

-Sei e quem me garante que tudo isso não é montagem? Hoje você está cético, não? Até quando você irá permanecer com essa    postura? Será que você não percebeu a importância do que acabara de acontecer? E o melhor, todas as pessoas (ou a maioria delas) acompanharam em tempo real. Literalmente o Brasil de Norte a Sul acompanhou esse acontecimento. Fazer montagem, além de ser uma irresponsabilidade é um desrespeito à inteligência de milhares de pessoas que acompanharam todo o processo. E outra, é muito dinheiro envolvido para o financiamento das missões espaciais. Duvidar faz parte do meio científico, porém, colocar em xeque a integridade de entidades comprometidas com o avanço da ciência é, no mínimo, uma prova de total desconhecimento da área.

– Se é assim, então, por qual motivo esse interesse repentino por Júpiter sendo que o homem ainda não consegue resolver os problemas cá da Terra? Cuidado, o interesse por Júpiter não é de agora. Ele é muito útil sim. Embora seja  um planeta até então misterioso para os astrónomos, algumas de suas  luas são fortíssimas candidatas  a abrigar  vida – este é o caso em particular da lua Europa. Vale sublinhar que as evidências de água em Europa foram os motivos que justificaram o  envio da sonda Galileu vinte anos atrás (uma homenagem  ao homem que  observou o planeta e quatro de suas luas  há 406 anos.).

 E qual é a novidade da sonda Juno? Bem, ela é uma das poucas – ao longo dos quase 60 anos de era espacial  – cuja fonte  de energia é exclusivamente solar. Outros detalhes: a sonda Juno não irá somente estudar o planeta Júpiter, mas também, deverá quantificar a água na atmosfera do gigante gasoso; traçar o mapa de seu campo magnético e (se tudo correr bem) tentar descobrir detalhes sobre a composição interna de Júpiter. Se você não ficou satisfeito com as tarefas da Juno, então, podemos acrescentar ainda: a ampliação do conhecimento que os astrónomos têm  sobre  a origem  do Sistema Solar e sua evolução.

Fig02: Trajectória de Juno.
Fig02: Trajectória de Juno.

 

Fig03: Momento em que Juno se aproxima de Júpiter.
Fig03: Momento em que Juno se aproxima de Júpiter.

 

Fig04: Ponto de máxima aproximação da sonda Juno.
Fig04: Ponto de máxima aproximação da sonda Juno.

 

Fig05: Comemoração da equipa da NASA.
Fig05: Comemoração da equipa da NASA.

Em 1610, Galileu Galilei realizou as primeiras observações, que temos conhecimento, das luas de Júpiter (em ordem alfabética: Calisto, Io, Europa e Ganímedes).Tais  relatos contribuiram para a consolidação da teoria  heliocêntrica.  Claro que todos vocês sabem, mas,  os quatro satélites naturais são  provas de que os corpos celestes não giravam  unicamente e exclusivamente em torno da Terra. Neste sentido, podia-se ver Júpiter tal qual um “mini sistema solar”, ou seja, devido seu intenso campo gravítico,  suas luas  giram em torno dele. Raciocínio similar é válido para o Sol, que pela acção do mesmo tipo de campo faz com que os planetas orbitem o astro-rei.

Hoje, a partir do momento em que a sonda Juno estiver  em sua maior  aproximação com Júpiter, a NASA irá  dar sequência em sua tradição em usar  aquele planeta como um gigante espelho (o qual  reflecte algumas características do sistema solar  e da sua história).

– Alto lá, quer dizer que estudar Júpiter nos fornecerá informações sobre a origem do Sistema Solar? Como pode acontecer isso? Acontece que diferentemente da Terra, Júpiter preserva a sua composição original (da época em que o planeta surgiu). Logo, é viável esperar que a sonda Juno forneça-nos informações sobre o início do nosso sistema e, também, de que maneira os planetas se formaram.  No fundo, queremos entender melhor o nosso passado. Mas a NASA terá que ter muito cuidado, qualquer  erro  deitará a  perder  cinco

(05) anos de viagem espacial, 3.560 milhões  de reais e toda a expectativa em se aprender algo a mais com Júpiter.

Estudar o gigante gasoso é realmente um grande desafio, e não é para menos, afinal trata-se do maior planeta do Sistema Solar.  Ele é três  vezes maior  do que Saturno, seu diâmetro é 11 vezes maior que o diâmetro da Terra e a área superficial de Júpiter é 122 vezes maior que a área terrestre. Só para termos uma idéia, a Grande Mancha Vermelha joviana está com 16 mil quilómetros de diâmetro, ou seja, a Terra cabe folgadamente dentro daquela mancha. Vale sublinhar ainda que  a massa  do gigante gasoso é superior à massa de todos os demais copos  do Sistema Solar (excepto o Sol). Ao anoitecer, o brilho de Júpiter  somente é superado por Vénus, Lua e ( às vezes) por Marte.

A sonda Juno permitirá  um estudo mais profundo dos campos magnético e de radiação  jovianos.

Fig06: Campo magnético joviano.
Fig06: Campo magnético joviano.

 

Fig07: Campo de radiação joviano.
Fig07: Campo de radiação joviano.

 

Fig08: Sonda Juno.
Fig08: Sonda Juno.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA/UEA/CNPq, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da AIU, membro da PLOAD/Brasil e ST/Brasil, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de Manaus, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

 

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