Kapi: Indígena Sateré-Mawé conta história de luta através de livros em português e francês

Eldiney Alcântara | 24 Horas 

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“Kapi, uma liderança clânica e afim” e a versão em francês “Kapi, a leadership clanique et par affinité” são os dois livros lançados pelo indígena Sateré-Mawé, Josias Sateré, e o acadêmico da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Renan Albuquerque, e Carmen Junqueira da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). A obra deu vez e voz à sua etnia e destaca o poder da liderança indígena.

O livro mostra o histórico de composição dos Kapi (Capitão, no idioma Sateré-Mawé), que redescobriram sua força política a partir de um cenário de exploração. “Na obra, são apontadas problematizações referentes à Ditadura Militar e acerca de como esse período negro foi nocivo aos Sateré-Mawé”, revela o líder educacional Josias.

Segundo o autor, juntamente com seus parceiros, conseguiram reunir material de pesquisa e, aos poucos, montaram um estudo que deu base ao livro. “Tínhamos materiais de pesquisa que dava para ser escrito. Um material bom. Junto com o núcleo de pesquisa Nepam/Ufam e Nucleo de Etnologia indígena/Puc São Paulo começamos a escrever. O resultado foi o livro Kapi”, relatou.

Para o indígena, “o livro Kapi vem para revolucionar a forma de pensar o território indígena, a forma de pensar o território Sateré-Mawé. Ele não faz só a reflexão sobre a prática cultural e identitária do povo Sateré-Mawé, mas também, ele mostra como as lideranças do passado, como a juventude hoje pode, de maneira saudável, de maneira autêntica, defender o território Andirá/Marau. Dizer que nós temos as nossas próprias lideranças, nós temos a nossa forma de pensar e gerir o território”.

No livro Kapi são apresentadas duas ações importantes que mostra a luta do povo Sateré-Mawé no período militar. O primeiro é um projeto de retomada da organização indígena, que resultou na criação da maior organização indígena brasileira, a COIAB (Comitê Indígena do Brasil) e o projeto em saúde que funciona até hoje.

Josias Sateré nasceu na aldeia de Ponta Alegre, Terra Indígena Andira Maraú, Município de Barreirinha-AM. Ele é Doutorando em Educação pela UFAM e é conhecido por ser uma jovem liderança indígena da sua região. “O livro Kapi é um resumo de tudo isso. Esse pensar na autoria indígena, esse pensar, ver e ouvir a voz indígena nos espaços de luta”, finalizou.

Foto: Henrique Aporcino

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