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Kepler e seus planetas

Figura 01: Concepção artística de Kepler-150 f.

O sistema Kepler-150 é formado actualmente por cinco planetas, a saber:

  1. a) Kepler-150 b;
  2. b) Kepler-150 c;
  3. c) Kepler-150 d;
  4. d) Kepler-150 e;
  5. e) Kepler-150 f.

Na figura 01, acima,  temos uma concepção artística de Kepler-150 f, o qual somente teve sua classificação na categoria planeta (exoplanetas)  confirmada recentemente. Isso se deve a um teste falso  positivo realizado anteriormente, e com o último trânsito daquele planeta, a confirmação surgiu com 99.99% de  certeza. O sistema Kepler-150 dista 3 mil anos-luz da Terra. Sua estrela-hospedeira,  tem 94% do raio do nosso Sol.  Com a confirmação recente, o sistema Kepler-150 passa a ter cinco planetas, conforme mostrado pela figura 02, onde os planetas e a estrela estão fora de escala.

Figura 02: Sistema Kepler-150.

O planeta Kepler-150 f tem quase o mesmo tamanho que Neptuno e encontra-se cerca de 1,24 UA de distância de sua estrela-mãe. Curiosamente, ela apresenta uma inclinação de 90° e está a girar  a uma velocidade de 2,6 km/h, tem um período aproximado  de  637 dias. Ou seja, bem maior que  o período dos demais planetas, que são respectivamente: 31 dias; 13 dias; 7,4 dias  e  3,4 dias (para e, d, c e b).

Como se detetou esse planeta? Pela mesma técnica  que o NEPA/UEA/CNPq  usou para mostrar aos alunos de Parintins o trânsito de Mercúrio, em 2016. Isto é, trânsito primário, onde o planeta simplesmente passa em frente a  sua estrela-mãe.

 A principal razão pela demora na confirmação de Kepler-150 f, como planeta, deveu-se  à sua órbita ser muito alongada ao redor de Kepler-150 e com isso, esse planeta demorou a realizar o eclipse.

Ao consultarmos a figura 02, notaremos que, embora os planetas e estrela estejam fora de escala,   os quatro primeiros planetas  estão relativamente próximos  à estrela-mãe, Kepler-150. Não é  o caso para Kepler-150 f,  que de todos é o mais afastado  de sua estrela. A figura 01 evidencia  o distanciamento da estrela-mãe e do planeta, através de uma vista com o observador em Kepler-150 f.

Ainda é cedo para emitirmos quaisquer afirmações a respeito deste sistema estelar. Por ora,  o que  podemos afirmar é que  os astrónomos terão muito trabalho pela frente.  Para termos uma idéia do que ainda falta a ser investigado, citemos alguns pontos, a saber:  analisar a zona de habitável; realizar o estudo  da composição química de todos aqueles planetas;  checar se kepler-150 f está ou não a escapar do sistema estelar.

Este último ponto é particularmente interessante, haja vista que Neptuno tem uma história bem parecida. Em caso afirmativo, Kepler-150 f está predestinado a vagar  pelo espaço até que seja  atraído pelo campo gravítico de outro  sistema planetário. Ou até mesmo entrar em rota de colisão com outro planeta. Se Kepler-150 f estivesse mais próximo de sua estrela-mãe,  o caos estaria estabelecido. Talvez tivéssemos  um sistema com uma configuração  bem complicada no início, porém, em um futuro,  teríamos um sistema binário. Mas não foi essa a questão. No início, essa hipótese chegou a ser cogitada, mas actualmente sabemos que tudo se deu devido a demora  de Kepler-150 f em completar sua volta em torno  de sua estrela-mãe. Independentemente dessas hipóteses, o melhor por agora é ficarmos a observar o comportamento desses planetas e do sistema estelar como um todo. Brevemente voltaremos a falar sobre esse sistema planetário novamente.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA/UEA/CNPq, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da UAI, membro da PLOAD/Brasil e ST/Brasil, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Director do Planetário Digital de Parintins-NEPA/UEA/CNPq, Director do Planetário Digital de Manaus-NEPA/UEA/CNPq, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
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