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Kleper-223

Fig01: Sistema Kepler-223.

Há muito tempo o telescópio espacial Kepler está a estudar um sistema estelar bem peculiar. Trata-se de uma estrela-hospedeira que tem quatro planetas, todos do tipo mini-Neptunos. Esse sistema chama-nos a atenção pela forma com que os planetas completam sua órbita em torno à estrela-mãe.

Para cada três voltas completas do planeta mais exterior, o segundo efectua quatro voltas, o terceiro seis e o mais interior dos planetas completa oito voltas em torno da estrela-hospedeira.

As ressonâncias orbitais são comuns. Em nosso Sistema Solar, Plutão e Neptuno estão em uma ressonância 2:3. Porém, ressonância entre quatro planetas simultaneamente, isso sim é impressionante. E é nesse ponto que muitos astrónomos estão a buscar inspiração para entenderem nosso Sistema Solar.

Em princípio, imagina-se que os quatro gigantes gasosos, a saber: Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno – apresentaram órbitas ressonantes que foram perturbadas algures ao longo dos 4,5 mil milhões de anos.

O sistema estelar da figura 01 foi denominado Kepler-223 e está a ser analisado como uma peça fundamental para que possamos entender não somente o nosso Sistema Solar, mas também, outros sistemas estelares descobertos nas últimas décadas.

Estudos futuros estão a focar o seguinte problema: será que os planetas, uma vez formados, ficam no mesmo lugar ou eles se movem para mais perto ou mais distante da estrela com o passar dos anos?

Em um primeiro instante, alguns astrónomos optam pela hipótese que afirma que os planetas migram-se após sua formação. Ou seja, uma vez formado, o planeta migra para o interior do sistema estelar. Claro, esta não é a única versão.

Vale sublinhar que até pouco tempo, os astrónomos consideravam que os sistemas estelares se formavam tal como o nosso.  Com a descoberta de exoplanetas e outros sistemas estelares, toda a concepção antiga caiu por terra.

Estudos mais detalhados revelaram que  Kepler-223 é uma estrela muito  similar em tamanho  e massa com o nosso Sol. Porém, mais antiga, com mais de 6 mil milhões de anos.

Vale salientar também que essas ressonâncias são muito frágeis e, consequentemente, qualquer perturbação neste sistema poderia deixá-lo caótico.

O mistério encontra-se no facto deste tipo de sistema ainda permanecer em ressonância. Acredita-se que outros sistemas pluriplanetários tenham surgidos de forma semelhante ao Kepler-223, porém, com o passar do tempo tais ressonâncias literalmente tendem a desaparecer.

Fig02: Kepler-223 e seus quatro planetas.
Fig02: Kepler-223 e seus quatro planetas.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA/UEA/CNPq, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da AIU, membro da PLOAD/Brasil e ST/Brasil, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de Manaus, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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