Lideranças Sateré-Mawé repudiam Dsei Parintins por retirada da barreira sanitária do rio Andirá 

Foto: Divulgação

Barreirinha (AM) – Após o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei-Parintins) determinar a saída da barreira fluvial sanitária da área indígena, no rio Andirá, lideranças do povo Sateré-Mawé expressaram preocupação e revolta pela atitude tomada pela direção do órgão federal. Os técnicos do Dsei no local somavam ao trabalho executado pela Prefeitura de Barreirinha, Fundação de Vigilância em Saúde e Fundação Nacional do Índio (Funai), no controle da entrada e saída de embarcações.


Uma nota de repúdio, publicada no dia 02 de junho, assinada pelo tuxaua geral, Amado Menezes, foi protocolada na Promotoria de Justiça de Barreirinha pelo presidente administrativo do Distrito de Ponta Alegre, Jamilson Barbosa, e pelo presidente de Polo Base Ponta Alegre, Esmael Batista. As lideranças Sateré-Mawé lamentaram a retirada da equipe de profissionais de saúde da barreira sanitária na entrada da área indígena.

O tuxaua geral, Amado Menezes, manifestou seu ponto de vista em relação a decisão adotada pelo coordenador do Dsei, José Augusto de Souza, o Nenga. “Nós confiamos tanto em uma pessoa que trabalha na saúde indígena. Eu acredito que ele não tem amor à causa indígena, porque, se ele tivesse, não teria retirado o povo dele (equipe do Dsei) para caminhar para outro lugar e deixado os indígenas na mão, nesse momento que precisamos de união de todos”, disse.

O presidente de Polo Base no Distrito de Ponta Alegre, Esmael Batista, criticou a atitude do órgão em retirar a barreira. “Eu me deparo com uma situação como a do Dsei que retirou seus agentes. Isso é gravíssimo, diante da situação que estamos atravessando. Eu acredito que essa pessoa é um grande irresponsável que toma essa decisão, no momento mais difícil que estamos enfrentando no nosso território”, comentou.

Em nota, o coordenador do Dsei Parintins, José Augusto de Souza, o Nenga, diz que o órgão não foi comunicado sobre a entrega de ajuda humanitária aos indígenas do rio Andirá. O coordenador distrital de saúde indígena justificou ainda que solicitou um plano de ação com todas as etapas da entrega. Todos as pessoas deveriam realizar teste rápido e portar de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

A Prefeitura de Barreirinha informou que elaborou um plano de ação para executar este tipo de atividade, em consonância com a Secretaria de Saúde e FVS, para evitar qualquer risco de proliferação do novo coronavírus às comunidades indígenas Sateré-Mawé do rio Andirá. Comunicou que todas as pessoas que participaram da entrega dos alimentos fizeram o teste rápido para Covid-19 e tiveram resultado negativo.

Um agente em endemias utilizou um pulverizador Sthil Sr 420 com solução de água e Hipoclorito de Sódio para a desinfecção tanto dos mantimentos, quanto das embarcações. No entanto, o Dsei Parintins desfez a barreira sanitária na área indígena, no dia 29 de maio. Agora, a Prefeitura de Barreirinha e a Funai assumiram integralmente a responsabilidade de proteger os indígena do rio Andirá contra a Covid-19.

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