Lins, o repórter do utópico real

“Porra Bicho, aqui é jornalismo de resistência! Aqui a prática do utópico real tem nome”, Talvez não fosse tão sutil assim a expressão intensa de um tal Repórter Floriano Lins munido de opinião popular e informação bem apurada e menos mercadológica possível.

Nos anos 70 o jovem balconista de farmácia deu um salto no escuro e caiu como uma luva no jornal A crítica, e assim passou a viver, em mais de 40 anos de carreira no jornalismo. O vigilante prateado de plantão chegou em Parintins para trabalhar no Sistema Alvorada de Comunicação, Rádio Clube e fez a diferença. Floriano também trabalhou durante 15 anos como correspondente do Jornal Amazonas Em Tempo. Atuou como repórter na TV Acrítica, SBT e RBN.

Ainda na época do Fax, os contemporâneos jornalistas Mario Adolfo e Floriano Lins fizeram as primeiras Coberturas do Festival Folclórico de Parintins, publicadas pelo Jornal Liberal da cidade de Belém-PA. Isso é curioso não? Pois é, tem uma carrada de gente que não sabia.

Sem ser venaz e omisso, o bom velhinho do jornalismo encarou todas as dificuldades possíveis sem a facilidade da Santa Madre Internet de hoje. Não tinha e-mail e nem tinha Zap Zap para enviar as matérias para Manaus. Na verdade era tudo enviado em malote por avião. Telex e Fax, pense em umas “tranqueira véia”, mas que salvava a vida deste nobre jornalista.

Os meios de comunicação foram se atualizando e tudo foi ficando mais fácil, e neste aspecto uma redoma, ou melhor, uma cerca de jurubeba foi tomando conta dos limites da criatividade do jornalista e da sua produção. A prática da liberdade de expressão ficou de fora do jogo, pois você ser do movimento popular e querer pôr em prática isso no seu trabalho, não terá vez e nem voz, sempre mudo e calado, com uma grande mordaça só pra garantir que você não vai berrar.

Após a percepção desta opressão Floriano abriu seu próprio jornal, que hoje resiste com 6 anos com veiculação de um dia na semana, sempre como uma vara curta, uma sabedoria popular e um editorial revolucionário para exprimir sempre uma verdade sobre a sujeira politiqueira da cidade de Parintins.

O plantão popular apresenta sua contribuição na ética de Floriano, apresenta a face de Floriano, destaca a opinião do povo mediado por Floriano. O repórter enigmático viveu de tudo nesta profissão, cobriu o naufrágio do Barco Almirante Sergio Mar, também cobriu a maior rebelião do presídio de Parintins. Mesmo com poucos recursos se pode fazer um jornalismo bom, e marca disto é a carreira e as histórias publicadas por Floriano Lins.

Um cara que fotografa, que escreve, que diagrama seu jornal e se põe a frente de um movimento popular, um senhor de idade, magro e baixinho que tem a determinação de um gigante. O cara que fez escola no jornalismo de Parintins, com uma sala pequena, com uma estante cheia de bons livros, dois computadores de mesa, uma impressora do jornal improvisada e várias ideias geniais na cabeça. Na sua modesta opinião, ele declara: a liberdade é uma farsa. Salve, Salve a Floriano Lins.

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