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Lixo e Luxo

O município de Parintins, situado na porção leste do Estado do Amazonas, fronteira com o Pará, possui uma extensão de 6.100 km2 e aproximadamente 105.000 habitantes. Sua sede, a ilha de Parintins, localiza-se na margem direita do rio Amazonas, abrange uma superfície de 45 km2 e conta com uma população estimada em 70.000 pessoas. Dista cerca de 369 km de Manaus, em linha reta, e se destaca como o principal pólo turístico do interior do Estado, devido à sua tradicional festa do Boi-Bumbá, que atrai milhares de turistas todos os anos no mês de junho. Fonte: Relatório CPRM

FISIOGRAFIA

A ilha de Parintins é cercada pelas águas do rio Amazonas, do lago Parananema e do lago do Aninga, apresenta um relevo bastante plano, com as menores cotas altimétricas, em torno de 15 metros, sendo registradas nas proximidades da Lagoa da Francesa e da Estação de Bombeamento Paraíba (extremo NE), e as maiores, cerca de 30 metros, observadas na parte central, nas adjacências do Bosque da Seringueira. Os gradientes são muito suaves.

A drenagem interna resume-se a Lagoa da Francesa e a pequenos tributários que desaguam no Lago do Macurany, com destaque para o braço desse lago que se constitui no canal de ligação do rio Amazonas com o lago Parananema. Segundo a classificação de Koppen, o clima da região é do tipo Am. (quente e úmido com estação seca pouco pronunciada). A temperatura máxima é de 31,7° C, a mínima de 24,1° C e média de 27,1°C, enquanto a precipitação pluviométrica gira em torno de 2.200 mm/ano. Fonte: Relatório CPRM

 GEOLOGIA DE PARINTINS

Com relação à geologia, a cidade está assentada sobre rochas sedimentares, predominantemente arenosas, de idade cretácea, da Formação Alter do Chão, as quais, devido ao intenso grau de alteração intempérica, não aparecem em superfície na região estudada.

É importante mencionar ainda a existência de uma crosta laterítica (pedra-jacaré), com pelo menos dois metros de espessura, observada ao longo do barranco do rio Amazonas, notadamente nas imediações do Curral do Boi Garantido. Esse nível laterítico se estende, em sub-superfície, por boa parte da ilha, dificultando sobremaneira a infiltração natural, mas constituindo uma eventual defesa contra possíveis contaminações, como no terreno da lixeira municipal. A crosta foi atingida, aproximadamente na cota 15 metros, e impossibilitou a continuidade da perfuração a trado em alguns locais, como na UEA e no SENAC Fonte: Relatório CPRM

A decomposição dos sedimentos da Formação Alter do Chão e da crosta laterítica deu origem, predominantemente, a espessos latossolos amarelos, argilo-arenosos a areno-argilosos, e secundariamente a solos muito arenosos (areais), prováveis neossolos flúvicos, que ocorrem na parte central da ilha, tendo sido já explorados como material para construção civil .

A cobertura vegetal nativa já foi quase totalmente suprimida para dar lugar à instalação de núcleos habitacionais, comunidades, fazendas e pastagens. Observam-se algumas manchas de capinarana (vegetação arbustiva) sobre os solos arenosos e restritas matas ciliares que acompanham tributários do Lago Macurany. Fonte: Relatório CPRM

 ASPECTOS GEOLÓGICOS E HIDROGEOLÓGICOS

 As características e os dados paramétricos que compõem a presente avaliação do aqüífero Alter do Chão foram obtidos, principalmente, de informações decorrentes de 57 poços cadastrados na área de trabalho, notadamente no que diz respeito à profundidade e qualidade das águas. Fonte: Relatório CPRM

Água subterrânea é uma solução diluída de inúmeros elementos e compostos sólidos, líquidos ou gasosos em proporções diversas, provenientes do ar, dos solos, das rochas e do contato com as atividades humanas.

A poluição pode ser definida como uma alteração da qualidade físico-química da água, suficiente para superar os limites ou padrões pré-estabelecidos para determinado fim.

Água contaminada é uma água que possui organismos patogênicos, substâncias tóxicas ou radioativas em teores prejudiciais à saúde do homem. Assim, toda água contaminada é poluída, mas nem toda água poluída está contaminada.

O termo aquífero diz respeito a uma unidade geológica capaz de armazenar e transmitir água com certa facilidade, principalmente quando solicitada por intermédio de poços tubulares ou outra fonte de captação.

Uma unidade geológica pode se caracterizar, também, por transmitir água de forma pouco expressiva ou mesmo não transmitir, ou ainda nem armazenar, a exemplo dos granitos.

O armazenamento d’água ocorre principalmente no espaço entre grãos dos minerais constituintes das rochas (aqüíferos porosos), mas pode ocorrer também em zonas de dissolução (aqüíferos cársticos) e em zonas fraturadas (aqüíferos fissurais).

A Formação Alter do Chão, conforme dados gerados pela Petrobras (COSTA, 2003), ocorre na ilha de Parintins com uma espessura aproximada de 450 metros, recobrindo discordantemente os calcários e folhelhos da Formação Nova Olinda, unidade de características hidrogeológicas pouco significativas, devido  encerrar águas duras e apresentar baixa permeabilidade.

De acordo com informações de poços tubulares perfurados nessa formação, se tem uma seqüência repetitiva de camadas arenosas e argilosas de espessuras variáveis, evidenciando a ocorrência de um aqüífero de acentuada anisotropia vertical. A formação é constituída por cerca de 65% de arenitos e 35% de argilitos (valores estimados), de acordo também com suas características regionais.

No entanto, por tratar-se de uma unidade geológica de origem fluvial, ela não deve apresentar camadas argilosas ou argilo-arenosas de grande continuidade que possam dividir hidraulicamente o aqüífero em subunidades. Assim, o Aqüífero Alter do Chão deve ser considerado como livre, ou seja, a superfície das águas subterrâneas está submetida apenas à pressão atmosférica com o meio ambiente e a consequência para o mesmo quando discutimos o assunto “LIXEIRA NA ILHA”. Também, informações dos poços cadastrados em Parintins, a profundidade média das águas subterrâneas, no final do período chuvoso, deve ficar em torno de 4,5m. O que torna o assunto em questão mais interessante, pois a partir deste ponto estaremos fazendo uma correlação entre o que foi falado sobre a geologia e a hidrologia da Ilha (Parintins)

DEFINIÇÃO DE LIXÕES

O que é um lixão?lixao

Um lixão é uma área de disposição final de resíduos sólidos sem nenhuma preparação anterior do solo. Não tem nenhum sistema de tratamento de efluentes líquidos – o chorume (líquido preto que escorre do lixo).

Este penetra pela terra levando substâncias contaminantes para o solo e para o lençol freático. Moscas, pássaros e ratos convivem com o lixo livremente no lixão a céu aberto, e pior ainda, crianças, adolescentes e adultos catam comida e materiais recicláveis para vender. No lixão o lixo fica exposto sem nenhum procedimento que evite as conseqüências ambientais e sociais negativas. Este é o caso de nossa cidade e de todos os outros municípios do Amazonas, exceto Manaus.

O que é um aterro controlado?aterro

Aterro controlado é uma fase intermediária entre o lixão e o aterro sanitário. Normalmente é uma célula adjacente ao lixão que foi remediado, ou seja, que recebeu cobertura de argila, e grama (idealmente selado com manta impermeável para proteger a pilha da água de chuva) e captação de chorume e gás.

Esta célula adjacente é preparada para receber resíduos com uma impermeabilização com manta e tem uma operação que procura dar conta dos impactos negativos tais como a cobertura diária da pilha de lixo com terra ou outro material disponível como forração ou saibro. Tem também recirculação do chorume que é coletado e levado para cima da pilha de lixo, diminuindo a absorção pela terra ou eventualmente outro tipo de tratamento para o chorume como uma estação de tratamento para este efluente.

O que é um aterro sanitário?

 A disposição adequada dos resíduos sólidos urbanos é o aterro sanitário que antes de iniciar a disposição do lixo teve o terreno preparado previamente com o nivelamento de terra e com o selamento da base com argila e mantas de PVC, esta extremamente resistente. Desta forma, com essa impermeabilização do solo, o lençol freático não será contaminado pelo chorume.

Este é coletado através de drenos de PEAD (Polietileno de Alta Densidade), encaminhados para o poço de acumulação de onde, nos seis primeiros meses de operação é recirculado sobre a massa de lixo aterrada. Depois desses seis meses, quando a vazão e os parâmetros já são adequados para tratamento, o chorume acumulado será encaminhado para a estação de tratamento de efluentes.

A operação do aterro sanitário, assim como a do aterro controlado prevê a cobertura diária do lixo, não ocorrendo a proliferação de vetores, mau cheiro e poluição visual.sanitario

Consequências de uma lixeira mal administrada

Proliferação de vetores

Contaminação do solo e águas subterrâneas pela infiltração de chorume

Disposição de resíduos de serviço de saúde.

Presença de animais sem qualquer tipo de proteção

O que deveria ser feito para mitigar o problema

A minimização da geração de resíduos se constitui numa estratégia importante no gerenciamento de resíduos e se baseia na adoção de técnicas que possibilitem a redução do volume e/ou toxidade dos resíduos.

É tecnicamente viável a construção de um aterro sanitário na ilha.

De acordo com os estudos anteriores, foi possível verificar que o estudo de Implantação do aterro Sanitário na Cidade de Parintins/Am., seguiu diferentes etapas, atendendo as Normas Técnicas, os Manuais de Gerenciamento de Resíduos Sólidos e estudos do CPRM. Foi realizada a inspeção em duas áreas: a primeira situada entre a Fazenda Kimura e o Bosque das Seringueiras, que não atendia as condições técnicas; a segunda, as margens da estrada do Macurany que apresentou aspectos positivos do ponto de vista técnicos, sociais e legais e negativos no aspecto de impactos ambientais, pela existência de castanheiras, espécie protegida por Lei. Apesar dessa segunda condição, o estudo foi realizado, resultando em um relatório preliminar de avaliação.

O Relatório enfatiza que devem ser consideradas outras áreas para locação do aterro. O processo de implantação do aterro sanitário está paralisado devido a um “abaixo assinado” realizado pelos comunitários que acionaram o Ministério Público Estadual, protestando contra o projeto, baseado no impacto ambiental que causaria em diferentes aspectos da vida da comunidade.

PORQUE NÃO DEVEMOS FAZER UM ATERRO SANITÁRIO NA ILHA

Conforme mostramos, através de estudos realizados pela CPRM, a crosta laterítica que possivelmente poderia protejer  o lençol freático encontra-se a 15 metros de profundidade.

Portanto, logo que fosse ser escavado para colocação da manta, que ajuda na impermeabilização, estaríamos afetando esta estrutura, com isso colocando em risco o meio ambiente e todo trabalho realizado.

Logo, torna-se inviável fazer um aterro sanitário na Ilha. A NÃO SER QUE A IDÉIA SEJA DESTRUIR COM O MEIO AMBIENTE.

Como seria o processo de coleta

Sistema de Coleta

Apesar de ser responsabilidade do poder público municipal, a coleta, o transporte e destino final dos resíduos sólidos produzidos pela comunidade, cabe a cada indivíduo fazer a sua parte principalmente no acondicionamento e descarte dos materiais consumidos.

– Coleta Convencional

Atualmente na maioria dos municípios brasileiros a coleta do lixo é feita de forma que o Coletor encaminhe os resíduos sólidos coletados para uma área que deveria ser um Aterro Sanitário, mas que acaba se tornado um Vazadouro ou Lixão a céu aberto, por não haver um controle sobre os materiais ali depositados.

– Coleta Seletiva

Programa que está sendo implantado em algumas cidades do Brasil, onde o consumidor pode contribuir entregando o Lixo Seco (material reciclável) separado do Lixo Úmido (material biodegradável ou orgânico). Neste processo o lixo coletado passa por uma Central de Triagem de onde, depois de melhor separado, é encaminhado para Industrias que reciclam os materiais colocando-os de volta ao ciclo de consumo. O lixo orgânico é aproveitado na compostagem produzindo adubo que é usado em Plantações, sobrando apenas os Rejeitos para o Aterro Sanitário que acaba com uma quantidade bem menor de lixo para tratar.

Doenças causadas por lixões

O lixo contribui para a poluição visual, do ar, do solo e da água. Indiretamente atinge o ser humano através de doenças transmitidas por pragas, insetos ou animais cuja cadeia alimenta se faz no lixo. Insetos como mosquito que transmitem a dengue, malária, febre amarela, tifo, ratos transmissores de peste bubônica, leptospirose e disenteria. O urubu que apesar de ser útil no processo de transformação do lixo orgânico é protegido pelo código penal que proíbe sua matança, transmite a leptospirose.

Peste Bubônica

A Peste Bubônica (ou peste negra), primeira grande epidemia da humanidade, surgiu na China e foi levada para outros países  da Ásia e da Europa por navios italianos que faziam a rota da seda em 1338 e 1353. Em 1894, começou outra epidemia mundial com foco principal na Índia. A transmissão da peste o roedor carrega a bactéria Yersinia Pestis, responsável pela praga.

Leptospirose

É uma doença infecciosa grave causada pela bactéria leptospira. É transmitida ao homem pela urina de ratos, ratazanas e camundongos. Os sintomas são parecidos com o da gripe: dor de cabeça dor muscular febre e mal-estar. Nos casos mais grave, podem aparecer outros sintomas, como icterícias e manifestações hemorrágicas.

Por tanto podemos observar a anos, que, o que não existe é um projeto com a finalidade de construir uma planta que venha tornar o lixo em algo que traga benefício à comunidade. Todo e qualquer lixo pode ser transformado em luxo. Um aterro sanitário pode gerar grandes benefícios sociais e econômicos, tais como geração de adubo para agricultura, geração de energia elétrica, geração de emprego, e uma variedades de ações que só irão melhorar a vida e a saúde da comunidade envolvida.

Como podemos observar, no nosso caso, a lixeira é usada como arma política em que a partir do primeiro que nada fez, irá até o próximo que nada fará. Pois aquele que tiver interesse em fazer, fará um projeto e, a partir deste passo inicial terá apoio da comunidade onde for escolhido o local para implantação.

Discursos vazios não bastam, discursos vazios são incompetentes. Ações tem que ser tomadas com projetos nas mãos. No entanto o que podemos observar é que nossos administradores só sabem andar com pires nas mãos e nunca com projetos. Acredito que não seja por falta de pessoas competentes que os rodeiam mas sim pelo egocentrismo  que domina a maioria dos políticos, são incapazes de trabalhar pelo bem maior que é a comunidade, sem que haja destaque para seu ego. Todos falam em nome de um  “MESTRE”.

Poderíamos dizer que estamos com uma lixeira que está como uma herança de pai pra filho e que o primeiro por comodidade colocou no centro da cidade e o atual não sabe o que fazer, exceto passar a frente esta herança maldita.

Mas não importa quem venha, o importante será que haja ações verdadeiras efetivas não com discursos de “eu me comprometo”, mas sim com projetos detalhados e mostrando as etapas de construção.

Obviamente que tenho sempre um dizer “A TERRA NÃO PRECISA DE NÓS. NÓS PRECISAMOS DA TERRA”.

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