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Lua teve seu eixo de rotação alterado

Figura 01: Pontos negros são os polos (norte e sul) actuais. Pontos brancos são os polos antigos. Crédito da imagem: James Keane, Universidade do Arizona; Richard Miller, Universidade do Alabama em Huntsville

Nesta semana, o meio científico ficou agitado com as evidências de que o eixo de rotação da Lua tinha sido alterado em cinco graus aproximadamente. É bem verdade que se trata de uma pequena variação quando comparado com o tempo que se levou para as alterações ocorrerem, no caso, três mil milhões de anos atrás.

Na prática, essa alteração se reflete em um dito antigo na Astronomia, a saber: “A Lua tem sempre a mesma face apontando para a Terra.” Haja vista que à medida que o ângulo de inclinação da Lua mudou, mudou-se também a face lunar que podemos ver daqui da Terra. Outro assunto que voltou a ser questionado é a questão da existência de água gelada na Lua.  Afinal, para se explicar a variação angular da Lua, precisamos partir da premissa que há água gelada por lá. Pois, se o gelo ficar exposto directamente à luz solar, a água irá evaporar-se para o espaço.

Os cientistas acreditam que a água gelada sobrevivente às mudanças de temperatura ocorridas na Lua, literalmente, desenham, um caminho ao longo do qual a água se moveu. Caso essa hipótese seja confirmada, então, teremos a primeira evidência física de que o satélite natural terrestre sofreu mudança dramática de orientação. Estudos de datação do gelo polar, na Lua, apontam que estamos a lidar com pedaços de gelos de milhares de milhões de anos.

  Os investigadores notaram que as distribuições de gelo que foram observadas (em cada um dos polos lunares), conforme a figura 01 mostra, sugerem uma correlação entre as duas. Em busca desta correlação, outras fontes de dados foram analisadas. Após meses de estudos, a hipótese lançada pelos astrónomos foi de que as concentrações de gelo deslocaram-se a mesma distância (a partir de cada polo), porém, em direcções completamente opostas. Esse comportamento somente seria possível se a Lua tivesse um eixo de rotação com uma inclinação diferente da actual. A exposição ou não à luz solar, fez com que a água deixasse marcas sobre a superfície lunar. O caminho percorrido pela água pode ser justificado diante uma alteração na distribuição de massa do corpo celeste.

Na figura 01, observa-se a localização dos pontos polares antigos e actuais e seus respectivos deslocamentos. Na figura 02, nota-se a região Procellarum (em verde) situada no lado visível da Lua, na comparação do antes e depois, esta é a única região que poderia coincidir com a direcção e quantidade de mudança no eixo indicados, nas proximidades dos polos. Descobriu-se, também, que as concentrações de material radioactivo na região Procellarum são suficientes para aquecer parte do manto lunar, e consequentemente, provocar uma alteração significativa na densidade da Lua e, assim, reorientá-la. Com o tempo, uma parte do material aquecido do manto lunar formou as manchas escuras (que são visíveis) que preenchem as grandes bacias lunares (regiões que denominamos mares).

A equipa de investigadores está animada, haja vista que  este estudo pode  dar uma  nova versão sobre a origem da água na Lua e na Terra primitiva.

Figura 02: Em vermelho, os polos antigos e em azul, os polos actuais. A causa da inclinação de 5° deve-se à região destacada em verde, denominada Procellarum, naquela área há material radiotivo capaz de aquecer boa parte do solo lunar. Com a alteração em sua densidade, o torque foi inevitável. Crédito da imagem: James Keane, Universidade do Arizona; Richard Miller, Universidade do Alabama em Huntsville.
Figura 02: Em vermelho, os polos antigos e em azul, os polos actuais. A causa da inclinação de 5° deve-se à região destacada em verde, denominada Procellarum, naquela área há material radiotivo capaz de aquecer boa parte do solo lunar. Com a alteração em sua densidade, o torque foi inevitável. Crédito da imagem: James Keane, Universidade do Arizona; Richard Miller, Universidade do Alabama em Huntsville.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da AIU, membro da PLOAD, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de Manaus, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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