Mais de 38 mil alunos da Universidade Federal do AM retomam aulas de forma remota

Calendário especial prevê aulas de graduação até 14 de dezembro. Aulas presenciais seguem sem data definida.

Cerca de 38,5 mil alunos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) retomaram, nesta terça-feira (8), as aulas pelo Ensino Remoto Emergencial (ERE). Segundo a instituição, a modalidade é oferecida para todos os cursos de graduação, da capital e do interior. O calendário especial prevê o ensino online até 14 de dezembro, para 1.981 turmas, com 1.015 docentes envolvidos.

No Amazonas, as aulas presenciais já voltaram a ser realizadas na rede privada e rede estadual de ensino. O estado foi o primeiro do País a reabrir escolas após a quarentena causada pela Covid-19, que já infectou mais de 123 mil pessoas no estado, até segunda-feira (7).

O Ensino Remoto Emergencial estava em planejamento desde o mês de maio, foi
aprovado pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe), no dia 11 de agosto e resultou no regulamento do ERE e no calendário acadêmico especial 2020, para cursos de graduação. As atividades estavam suspensas desde o dia 13 de março, logo após a declaração de pandemia do novo coronavírus.

As aulas da Ufam serão transmitidas em plataformas de salas de aulas virtuais e os alunos receberão o acesso via e-mail. Cada professor estabeleceu a data e horário das disciplinas que serão fornecidas.

Mais de 50 mil alunos matriculados solicitaram a adesão à modalidade remota e 72% tiveram o requerimento aprovado. O restante dos pedidos foi rejeitado por motivos como falta de vagas, por ultrapassar créditos, por coincidência de horário, ou por não atender pré-requisitos exigidos.

Em Manaus, 11.818 alunos se matricularam no ERE. No interior, 1.059 estão concentrados em Itacoatiara, 652 em Coari, 529 em Parintins, 502 em Benjamin Constant e 240 em Humaitá.

Segundo o pró-reitor da Ufam, David Lopes Neto, o corpo docente não foi obrigado a aderir ao formato de ensino remoto e, dos 1.480 professores, apenas 465 optaram por não participar. Os alunos também aderiram de forma facultativa. “Adere quem quer. Se ele pode, se tem condições físicas e mentais, se tem equipamento”, explicou.

A universidade, conforme David Lopes, estendeu em dois dias o prazo para que mais professores possam aderir ao projeto, e também abram mais vagas para reconsiderar casos de alunos interessados que tiveram a solicitação rejeitada.

O pró-reitor acrescentou ainda que, aquele aluno que não conseguir participar no momento, terá a disciplina após o retorno da atividade presencial no calendário regular. “Isso é para minimizar o ingresso de pessoas na universidade quando do retorno das atividades presenciais e eu vou trabalhando a biossegurança com mais tranquilidade. Temos grandes centros de aglomerações como restaurante universitário e salas de aula”, disse o pró-reitor.

Foram estabelecidos, conforme anunciado pela Ufam, disciplinas obrigatórias ou optativas, mesmo durante a suspensão, por prazo indeterminado, do calendário acadêmico de 2020/1 e 2020/2, e das atividades administrativas e acadêmicas presenciais ou não presenciais.

Para o Reitor Silvio Pulga, o ensino remoto é realidade que foi forçada pela pandemia. “Entendemos que é um momento muito importante para a universidade, em que ofertamos pela primeira vez as nossas disciplinas de graduação nessa modalidade, que será um aprendizado para todos nós. Mas também precisamos ter em mente o momento da pandemia. Ela existe e precisamos cuidar da vida e essa é uma diretriz da nossa instituição”.

Quase todos os cursos ofertados pela Ufam terão disciplinas na plataforma online. “O único curso que não ofertou nenhuma disciplina foi de odontologia. Foi uma decisão interna, dos gestores, já que eles têm essa autonomia, porque é um curso 99% teórico-prático, e trabalham diretamente com o cliente e aerossóis, o poder de contaminação é muito grande, então não teria como”, esclareceu o pró-reitor David Lopes.

O planejamento do ensino remoto foi concluído, de acordo com David Lopes, após análise do cenário epidemiológico do estado. “Isso fez com que pensássemos que esse ano não voltaremos ao ensino presencial, e para não deixar a comunidade sem atendimento, preocupados com a evasão dos alunos, que eles se afastassem institucionalmente e dos cursos, tínhamos que trazer algo pra eles, e que não fosse obrigatório”, afirmou.

O pró-reitor disse ainda que recebeu feedback positivo dos professores, técnicos administrativos e estudantes. Para ele, essa é uma nova forma de trabalho e que o semestre em ensino remoto será um “grande laboratório de aprendizagem para toda comunidade universitária para lidar com a virtualização do ensino com suporte tecnológico e de apoio para o ensino presencial híbrido”, formato que está sendo estudado para ser aplicado a partir de janeiro de 2021.

A proposta para o retorno das atividades presenciais – que estão suspensas desde o início da pandemia pelo novo coronavírus – deve ser apresentada ao Consepe no dia 30 de setembro, incluindo calendário do novo ano letivo. “Nós estamos agilizado tudo para lá na frente voltar com segurança”, afirmou. 

Com informações do g1

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