Maria, a mais bela deusa tribal: uma década de amor ao Boi Caprichoso.

Maria Azedo

Maria Azedo fala um pouco de tudo na entrevista concedida ao Parintins 24 horas

Sinny Lopes | 24 horas

[email protected]

Parintins (AM) – A cunhatã que sonhava em ser cunhã, ao torna-se a mulher mais bela da Francesa e do Palmares traz consigo e na alma a ousadia a e bravura da índia guerreira que bate no chão da arena, pois ele lhe pertence. É da terra, é da ilha, é dos Parintintin: é a deusa tribal do Boi Caprichoso.

Bem viram os olhos da tribo e lhes concederam: Cunhã-poranga! A entrevista de hoje é com ela que arrebata o coração azul e branco há dez anos, encantando torcedores e visitantes no Festival de Parintins. Nos traços delineados da cabocla, na pele pintada para dança e para guerra, na beleza nativa da parintinense esconde-se a menina-mulher que aflora Yukatã – a musa, a guerreira, a deusa da sua nação: Maria Azêdo.

  1. Fale-nos um pouco da Maria cunhatã, como foi sua infância? Quais eram os seus sonhos naquela época?

Bem, antes de tudo obrigada pelo espaço. É sempre engrandecedor poder dividir um pouco da minha história com os torcedores, pois bem, minha infância não foi nada além do normal, eu sempre morei com minha mãe e meus avós, neta mais velha e filha única por parte de minha mãe, o que fazia com que os cuidados fossem dobrados, desde pequena já sabia o que era o Caprichoso, minhas tias sempre iam à época do festival e sempre me enganavam dizendo que iam me levar pro boi e nada. Morava a uma quadra do Curral e quem me levava era a minha avó de vez em quando, ela é superfanática, o amor pelo boi veio dai, naquela época eu sonhava vir morar em Manaus [risos].

  1. Você descende de uma importante família parintinense, uma das mais tradicionais do Boi Caprichoso. Essa paixão pelo Boi da Estrela vem daí?

Sem duvida alguma! Mais pela minha avó que sempre foi torcedora fanática. Ela era daquelas que brigavam pelo boi, mas, depois que me tornei item ela teve que se conter.

  1. Você concorreu e perdeu o item de Cunhã-poranga em 2004 para Izabel de Souza. Em sua opinião, não estava preparada ou foi por conta da pouca idade?

Hoje vejo que nenhum pouco, mas na época a gente acaba se perguntando o “por que”. Eu era so uma cunhantã. Tudo no tempo certo!

  1. Em 2005/2006 você foi substituta da Izabel, como recebestes o convite para assumir o item de mais bela da tribo Caprichoso?

Na verdade eu nem cheguei a ser substituta, minha mãe que ainda respondia por mim enviou um documento de que eu não tivesse vínculo algum com o item, no caso de substituta. Então foi quando eu vim embora pra Manaus e perdi totalmente contato com esse meio. Eu achava que meu sonho morreria ali, mas no fundo ainda havia uma ponta de esperança. Então, foi quando dois anos depois recebi a ligação e, posteriormente, a visita do Carmona [Oliveira]. Meu Deus eu não acreditava no que estava acontecendo, foi um dos momentos mais felizes da minha vida, a minha família relutou pra que eu não fosse, mas os meus argumentos foram mais fortes e até hoje todos vestem a camisa.

  1. É verdade que nos seus primeiros anos você tinha medo de altura?

Nunca tive. O que ocorreu foi uma aparição que eu ao invés de fazer encenação vim séria, sem experiência alguma. Acho que quem tem medo de altura sempre terá e não é o meu caso como vocês já puderam perceber.

  1. E hoje como você encara vim pendurada a 30 metros de altura? Não bate certo medo?

Sinny sinceramente me dá um desespero se eu vier do chão ou de algum módulo alegórico baixo. Eu gosto de sentir a adrenalina.

  1. Você se espelhou em alguém, em especial, (item) para ser a Maria Cunhã-poranga do Boi Caprichoso?

Sim. Sem duvidas na Jeane Benoliel. Na verdade foi quando surgiu a minha paixão pelo item de Cunhã, pra mim ela era linda, perfeita e quando eu a via na TV dançando já me imaginava um dia no lugar que era dela.

  1. Das toadas que você evoluiu nesses 10 anos qual a que te move e que te impulsiona de uma forma inexplicável?

Criatura de Tupã, que vinha evoluindo nesses últimos anos, é difícil escutar e ficar parada, mas agora será a minha Maria, Deusa Tupinambá.

  1. Maria você nos últimos dois anos vem sofrendo fortes ataques e críticas por uma parte da galera do Caprichoso por conta de resultados, umas até ofensivas, como você lida com esta situação?

Parte desses ataques é pessoal, algumas pessoas não gostam da Cunhã eu ate entendo. Até porque a galera espera resultados, mas, a outra parte não gosta da Maria, esse lado negro eu abstraio isso não me engrandece em nada. Eu sou consciente que estou suscetível às criticas a partir do momento que me tornei uma figura pública. Esses 10 anos serviram de amadurecimento até nisso.

  1. Em contrapartida, você têm muitos amigos que lhe defendem com a mesma garra e determinação? Fale-me um pouco desse apoio e proteção que você recebe.

É isso que me fortalece, tem gente que não gosta? Tem muitos! Mas, tem gente que admira meu trabalho e me dá força para seguir no que eu faço. Isso apaga qualquer desapreço. Eu sou muito grata a essas pessoas maravilhosas!

  1. Qual a diferença da Maria em 2007 para a atual, além da aparência e da forma física?

Nossa, amadureci muito vivendo nesse meio do Boi. Aprendi a lidar com pessoas, aprendi a ser mais sociável, a minha timidez se confundia com antipatia ou má educação, mas, quem me conhece sabe que não é nada disso.  No mais, foi a forma física que mudou mesmo, acho que a medicina está aí pra nos ajudar cada vez mais, eu busco sempre estar bem com a minha aparência, até porque eu carrego o titulo da mais bela da tribo, de tal modo não poderia ser diferente. E ainda sim têm algumas pessoas que vêm me criticar por isso, mas, eu já disse que faço e farei quantas vezes for necessária qualquer intervenção seja ela cirúrgica ou não.

  1. Na verdade qual é o seu retrospecto de vitórias nesses 10 anos como Cunhã?

Duas vitórias empates e derrotas! Infelizmente cabeça de jurado a gente não entende, mas, eu sei que me doou bastante e quem convive comigo também sabe disso.

  1. Como é completar 10 anos á frente de um item tão importante, visado e desejado?

Eu estou num momento único, esse ano eu só quero comemorar. Não foi fácil chegar até aqui, mas, já passei por três diretorias diferentes e todas sabem o quanto eu me dedico ao Boi. Infelizmente, nem sempre o resultado é como esperamos. Eu que ouvia que não passaria nem do primeiro ano, já estou no décimo. Sorte de quem chega aqui.

  1. Você realizou meses atrás a sua festa em comemoração a esta data, qual foi a sua emoção naquele dia?

Estava radiante de felicidade, ali estavam todos que eu gostaria que estivessem: os amigos, a família, todos. Foi planejado exatamente daquele jeito!

  1. Nesses 10 anos devem ter acontecido momentos marcantes, qual o que mais te marcou seja pela emoção, seja pela reação da galera ou aparição?

Foi em 2011, quando eu vim da galera carregada pelos torcedores e passei para arara azul do alto. Ninguém esperava, nem eu, porque quando eu venho da galera não tem ensaio é na hora e vai com fé! Esse foi o momento mais marcante até hoje, naquele dia eu me senti um item completo.

  1. É difícil ser item de boi, em especial Cunhã-poranga, que exige sempre uma boa forma, cabelo impecável, pele de pêssego e tudo mais?

Pra mim não é nenhum pouco visto que eu amo me cuidar. Até sofro um pouco por isso porque sou muito exigente com a minha aparência, com o modo de me vestir, enfim. Acho que as pessoas merecem ver uma Cunhã bem apresentável sempre.

  1. Qual o conselho que você daria para as muitas meninas parintinenses e não parintinenses que sonham ser um dia item feminino?

Dedicação e muito amor ao boi: esse é o ponto principal!

  1. Você se arrepende de algo ao longo de sua trajetória?

Talvez, ter entrado sem experiência nenhuma. Nunca havia me apresentado nem em show para turistas. Minha primeira vez, de fato, foi na arena.

  1. Como foi posar para o Paparazzo? Se fosse hoje, faria o ensaio?

Foi uma experiência diferente, mas, que eu faria de novo se o Maran concordasse [risos]. Brincadeiras a parte, foi um trabalho incrível, uma equipe super séria e de um profissionalismo incontestável. Apesar de algumas frases que eu disse serem distorcidas.

  1. Até onde é verdadeira a história desunião entre itens dentro do Caprichoso, ou seja, entre Rayssa, Brena, você em relação à Karyne Medeiros?

As pessoas falam sobre essa desunião, que eu saiba nunca tive atrito com ninguém. Sempre fui muito feliz no cargo que ocupo então nunca tive porque brigar com fulano ou cicrano, eu amo ser Cunhã-Poranga! Sempre me dei muito bem com todas, mais com a Brena ate mesmo pelo tempo que estamos no Boi, hoje nosso time tá unido, fortalecido e feliz.

  1. Quem foi o seu maior apoio e porto-seguro dentro e fora do boi?

Sem dúvidas nenhuma a minha família que a cada crítica construtiva ou não esta ao meu lado. Meus avós, minha mãe, minhas tias e, hoje, meu noivo Maran que está ao meu lado sempre. Claro que meus amigos e fãs também que contribuíram para todo sucesso de minha trajetória. Mas, quem convive o dia a dia comigo realmente são meus familiares.

  1. Qual fantasia que mais lhe marcou e o artista que você mais gosta de vestir (fantasia de arena)?

Nossa seria ate injusto escolher um. Mas, a fantasia mais linda de arena foi a azul de 2014 que o Helerson [Maia] fez, todo mundo usa as fotos que estou vestida com ela. Além do que era meu maior desejo usar uma roupa toda azul. Dos artistas com que eu trabalhei tem o Helerson Maia, o Werner Botelho, Mario Oliveira e Makoy Cardoso que sempre foram muito atenciosos comigo.

  1. Esse ano é, de fato, é a sua despedida?

Atualmente falar em despedida não é meu foco, mas, prometo que assim que eu me decidir de fato comunicarei a todos. Esse ano estou focada em vencer e na hora certa vocês irão de fato saber sobre a mudança do item 09 para o item 19 [galera].

  1. Se lhe fosse permitido indicar uma substituta, mas, não vale ser eu [risos]: quem seria e por quê?

[risos, muitos risos] Que pena hein! Bem, primeiro que seja acima de tudo tão apaixonada quanto eu pelo Caprichoso: esse é o ponto principal o amor ao nosso Boi. O resto é consequência, temos meninas lindas e com capacidade pra defender esse item, mas citar um nome aqui causaria certo alvoroço. Eu simpatizo com duas moças, uma novata e uma veterana. Quem sabe não é? Pena que não cabe a eu decidir isso.

  1. O que você espera de suas apresentações deste ano?

Superação! Superar a mim mesma, acho que minha maior adversária é eu mesma. Tenho que lutar contra mim mesma pra vencer certos desafios. Espero que tudo dê certo nas fantasias, alegorias e aparições. Ate porque o item individual é o conjunto!

  1. O que foi que vem acontecendo com você nesses dois últimos anos. Suas aparições e fantasias, na maioria das vezes, têm mais lhe atrapalhado do que ajudado?

Infelizmente sim, mas, esse ano estamos tentando corrigir isso. O Boi é assim, imprevistos acontecem, nem sempre a fantasia estar do jeito que você quer, com o peso que você quer. Enfim, assim são as alegorias também.

  1. Ano passado [2015] você foi duramente criticada por “pesada”. Soube, por alto, que seria por conta de um problema hormonal envolvendo seu ciclo menstrual ou coisa parecida, procede?

Eu tava achando lindo estar daquele jeito [risos]. Mas, nada a ver com ciclo menstrual nem nada. Eu sempre tive em mente que a cunhã tinha que ser algo mais robusto, mais mulherão, eu sempre tive umas pernas meio pesadas por serem grossas. Aí tudo foi crescendo: bumbum, coxas, enfim, e para dança hoje eu vejo que o melhor é você ser mais fininha, eu emagreci 6 kg em três meses justamente para o festival, aliado a isso tive que me condicionar fisicamente porque eu logo cansava nas apresentações é ai que eu digo que meu maior adversário sou eu mesma. Eu ouvi que estava gorda e isso foi um tiro na alma, tratei de me cuidar e emagrecer logo. E hoje estou muito feliz com meu “body” [corpo] super satisfeita.

  1. O que você pode adiantar de suas apresentações?

Esse ano será diferente pra todos nós parintinenses torcedores apaixonados, pelas dificuldades, acho que a emoção mais do que nunca irá tomar conta e deixar levar. Mas, amo altura, eu gosto de ser uma cunhã mais ousada e esse ano não poderia ser diferente!

  1. Você possui alguma mágoa durante todo esse tempo?

Nada! De jeito nenhum. Eu não guardo nem dinheiro o que dirá magoas, até porque é tudo tão passageiro.

  1. Participei da sua festa de aniversário que na verdade era de noivado. Qual foi a sua emoção ao ser pedida em casamento daquela forma?

Era para ser só um jantar em família. Aí eu comecei a chamar os amigos mais íntimos, depois conhecidos, quando dei por mim virou festa. Eu nem sabia o que estavam organizando, era tudo coisa do Maran e amigos, na hora eu nem sei o que aconteceu fiquei meio sem reação sei lá. Porque eu sempre quis dessa forma e acabou sendo muito melhor do que eu imaginava.

  1. Este é o melhor momento de sua vida? Por quê?

Acredito que sim, na verdade eu sinto que sim! Não tenho do que reclamar, sou muito abençoada, tenho uma família maravilhosa, um noivo supercompanheiro, amigos incansáveis e, claro defendendo um item no melhor Boi de Parintins. Profissionalmente estou muito realizada também, agradeço aos meus chefes que me liberaram para estar na ilha nesse período de festa inclusive [risos].

  1. Rapidinha…

Família?  Meu maior porto seguro, todas as horas.

Parintins? Minha casa.

Festival? Realização de sonhos.

Item- 9? Meu sonho realizado.

Cunhã? Ousadia.

Amor é? O meu amor: meu noivo.

Maran? Presente de Deus!

  1. Qual o seu plano de futuro para quando deixar o item de Cunhã-poranga?

Bem, não vai mudar muita coisa não. Eu quero seguir da mesma maneira com a qual conduzo minha vida, eu sou muito tranquila no dia a dia e eu vou dar continuidade ao que já faço: nada de mudanças bruscas. Mas, dentro da minha área de formação pretendo seguir em frente sendo independente, tenho projetos que até o final desse ano devem sair do papel. Obrigada a todos que tiraram um tempinho para ler um pouco sobre minha trajetória. Obrigada Sinny pelo espaço mais uma vez!

Maria, eu que te agradecer pela honra e pela alegria de te entrevistar nessa data tão especial e importante de sua vida: obrigado pela confiança. Deixe seu recado final para a Nação Azul e Branca.

À minha nação azul e branca eu quero dizer: muito obrigado por tudo, vocês [torcedores] são o combustível que nos move, é a chama do nosso desejo e vontade de querer sempre fazer o nosso melhor. Vamos juntos para mais um festival e pode ter certeza que a cunhã de vocês fará o seu melhor na arena.

Apresentação1

maria 1

maria 2

maria 4

estrela maria

você pode gostar também