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Marte – parte 02

A imagem actual de Marte, segundo o Telescópio Espacial Hubble, é esta que se encontra na figura 01. Calotas (ou calotes) polares brilhantes e gélidas, com nuvens sobre uma paisagem castanha (que lembra a ferrugem)- assim temos Marte – um planeta que se revela sazonal e dinâmico neste registo realizado quando o deus da guerra se encontrava a 80,4 milhões de quilómetros da Terra. Vale salientar que o Hubble consegue boa resolução para objectos no intervalo de 32 a 48 km de comprimento.

Fig02: Marte.
Fig02: Marte.

Na figura 02, encontramos o registo realizado pelo Hubble e na figura 01 temos em detalhes algumas regiões do deus da Guerra. Eis algumas características do planeta vermelho: a região enegrecida imediatamente à direita é Syrtis Major, ela foi uma das primeiras a serem identificadas. Aliás, Christiaan Huygens usou justamente a mancha negra para medir a rotação de Marte em pleno século XVII. O dia marciano equivale a 24h37min terrestres.

Com a tecnologia que temos hoje, agora sabemos que Syrtis Major é, de facto, um antigo e inactivo vulcão. Na figura 02, notamos que as nuvens encobrem o seu pico logo no início do anoitecer.

Fig03: Christiaan Huygens.
Fig03: Christiaan Huygens.

Na figura 01, temos ainda uma região ovalada logo ao sul de Syrtis Marjor, trata-se da brilhante bacia Hellas. Ela apresenta aproximadamente 1770 quilómetros de diâmetro e sua profundidade é de oito quilómetros. A datação desta área aponta para quase 3,5 mil milhões de anos atrás – provavelmente sua formação se deu devido à queda de algum asteróide.

Aquela grande mancha laranjada no centro da figura 01 é Arabia Terra. Estamos a falar de uma ampla região de terras altas, sua extensão é de 4,5 mil quilómetros. Além das crateras, o Hubble encontrou gargantas de rios secos (os quais não podemos ver nesta imagem) que estão a serpentear a região e desaguam nas grandes planícies do norte. Temos também na figura 01, a correr de este para oeste: Sinus Sabaeus e Sinus Meridiani, respectivamente. São regiões mais enegrecidas que encontram-se cobertas por rocha escura e depósitos de areia “fina” – moída por fluxos de lava antigos e outras actividades vulcânicas. Chamamos a atenção para o facto de que esses grânulos   de areia são mais rústicos e menos   refletivos do que a poeira fina que confere a aparência vermelha nas partes mais brilhantes de Marte.

A figura 01 revela também que a calota polar norte encontra-se suavemente recuada, isso porque o verão naquele hemisfério está por findar. Ao olharmos para a parte acima da região polar sul temos uma gigantesca cobertura   de nuvens. O Hubble conseguiu registar uma nuvem lateral e fina que cobria 1,6 mil quilómetros, em plena tarde. Outro registo importante foi das nuvens e névoas matinais que cobriam o limbo ocidental.

Vale salientar que é justamente no hemisfério norte marciano que várias missões deixaram seus registos, a saber: Viking 1 (1976), Mars Pathfinder (1997) e rover Opportunity (2004). Mas atenção, os rovers Spirit(2004) e Curiosity (2011) estão no hemisfério sul de Marte.

Todos os registos que mencionamos acima foram feitos em alguns dias – antes que Marte entrasse em oposição ao Sol. É neste momento em que Marte se apresenta muito visível, afinal, ele está totalmente iluminado pela luz solar.

 

 Fig04: Oposição de Marte.
Fig04: Oposição de Marte.

Como mostrado na figura 04, a oposição afélia dá-se a 101, 3 milhões de quilómetros, ao passo que a periélia acontece a 56,3 milhões de quilómetros. A oposição acontece a cada 26 meses aproximadamente. Isso é em virtude do facto de a Terra completar quase duas voltas inteiras ao redor do Sol, enquanto Marte faz apenas uma. A Terra leva 365 dias para percorrer o astro-rei. Já o planeta vermelho demora 687 dias.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA/UEA/CNPq, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da UAI, membro da PLOAD/Brasil e ST/Brasil, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de Manaus, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
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