Medo e vergonha: casos de violência sexual infantil em Parintins tem o pai como agressor

Eldiney Alcântara | 24 Horas

[email protected]

O que fazer quando a pessoa que deveria proteger é a primeira a agredir? De acordo com dados do Conselho Tutelar de Parintins, nos últimos meses, o pai é apontado como principal autor de crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes. O fato é registrado na Ilha Tupinambarana, mas os casos são de diversas cidades do Baixo Amazonas e até do Pará.

O Conselho Tutelar é uma das portas de entrada para denúncias de violência infantil. Segundo o coordenador administrativo do Conselho, Rogerson Farias, nos últimos meses houve um considerável aumento no número de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes em Parintins e municípios vizinhos. Só na semana passada foram registradas seis denúncias oriundas de cidades como Barreirinha, Nhamundá, Boa Vista do Ramos e até Juruti, oeste do estado do Pará.

O que mais choca nos crimes é o fato de o agressor apontado ser, na grande maioria, o próprio pai da vítima. Dos seis casos acompanhados pelo Conselho, ou o acusado é o pai ou é o padrasto. “Grande parte desses casos que são atendidos pelo colegiado o agressor esta entre o espaço intrafamiliar e, especificamente, desses casos que são atendidos de outros municípios o agressor vem ser pai ou padrasto”, afirma Rogerson.

O conselheiro aponta dois motivos para que as pessoas venham de outros municípios registrar a queixa: fugir do agressor, uma vez que nesses casos o autor está dentro da própria família e outro motivo seria a vergonha de o caso se tornar público. “Ou pode ser pela proximidade de vir à Parintins ou até mesmo pelo constrangimento, uma vez que esses municípios são bem menores em relação a Parintins”, explica.

Outro dado importante é que nos casos vindos de municípios vizinhos, a grande maioria é de pessoas que moram na zona rural. Nas cidades, acredita-se que a quarentena do novo coronavírus tenha possibilitado maior chance para a violência sexual, uma vez que esta deixando as pessoas mais tempo em casa.

Sinais da violência sexual

“É possível identificar se uma criança sofreu ou está sofrendo algum tipo de violência sexual. O primeiro sinal de alerta é na mudança de comportamento”, essas são as orientações da psicóloga especialista na área clínica, Helena de Souza. Segundo ela, esse caso “requer uma participação mais efetiva dos pais, dos professores, da sociedade e um acompanhamento de um profissional especializado”.

A psicóloga também alerta a família para o perigo que crimes de violência sexual contra criancas e adolescentes pode acarretar. “Esse assunto é bem complexo, porque podem surgir doenças psicossomáticas (sem causa aparente) e, neste caso, uma equipe multidisciplinar faz-se necessário para o acompanhamento físico e emocional para que não hajá riscos até de suicídio”, explica.

você pode gostar também