Melo pune Afeam, mas mantém Afonso Lobo

Políticos do Amazonas avaliam que o governador José Melo aplica dois pesos e duas medidas ao manter o secretário de Estado da Fazenda Afonso Lobo no cargo, ao contrário do que fez nas denúncias envolvendo a Agência de Fomento do Amazonas (Afeam), em que a diretoria foi exonerada após denúncias de aplicação irregular de R$ 20 milhões em um fundo.

Para o senador Eduardo Braga (PMDB), o governo do Estado utiliza “dois pesos e duas medidas estranhas”, ao manter o secretário Afonso Lobo no cargo, após os recentes escândalos, divulgados pela REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC).

Em novembro, o governador em exercício Henrique Oliveira, por determinação do governador José Melo, afastou, por decreto, a diretoria da Agência de Desenvolvimento e Fomento do Estado do Amazonas (Afeam). O decreto determinou que o diretor-presidente Evandor Geber Filho, o diretor de Crédito, Marcos Paulo Araújo Vale, e o diretor de Administração, Finanças e Tecnologia, Arthur de Brito Alencar Cavalcante, fossem afastados até a conclusão da apuração, pelos órgãos competentes, dos fatos relativos à suspeita de má aplicação de recursos públicos.

Há dois meses, a REDE DIÁRIO divulgou que a Afeam havia aplicado R$ 20 milhões no fundo FIP Expert da Transexpert Transporte de Valores, empresa do Rio de Janeiro, mesmo a despeito do governo do Estado informar que sofria com a falta de recursos. Segundo a Polícia Federal (PF),  a empresa era ‘caixa-forte’ da quadrilha que agia no governo de Sérgio Cabral, ex-governador preso por suspeita de corrupção.

No último dia 20, a RDC revelou que o secretário Afonso Lobo é um dos sócios da empresa Tapajós Perfumaria Ltda., que tinha como sócios, até 2010, os donos da empresa Tapajós Comércio de Medicamentos, Pedro Alcântara Garcez Pereira e Francisco Rogério Moita Cunha. Em relação à empresa Tapajós Medicamentos, chama atenção o fato de ela ter doado, em 2010, R$ 250 mil para a campanha do então candidato ao Senado, Omar Aziz (PSD).

Na segunda-feira, a RDC também denunciou que, dois meses após Afonso Lobo assumir o cargo, a Sefaz concedeu benefícios fiscais à empresa em que ele é sócio, aponta o Diário Oficial do Estado de 27 de fevereiro de 2013.

“O que eu vejo é que são dois pesos, duas medidas estranhas. Primeiro quero deixar claro a minha indignação de pegarem R$ 20 milhões que deveriam ser aplicados para financiar os produtores do Amazonas e colocarem numa transportadora de valores, no Rio de Janeiro, que não gera um emprego no Amazonas, não traz um benefício, e esse dinheiro sumiu. Afastar o presidente da Afeam e a diretoria da Afeam (é) absolutamente correto. Mas nós queremos é o nosso dinheiro de volta, os R$ 20 milhões de volta”, disse Braga.

Veja a entrevista que Eduardo Braga concedeu à TV DIÁRIO:

O senador disse não concordar com a manutenção de Afonso Lobo no cargo de secretário, após conversas envolvendo Lobo, o secretário de Estado de Saúde, Pedro Elias, e o empresário Mouhamad Moustafá, preso na operação Maus Caminhos. Moustafá é suspeito de envolvimento em um esquema de corrupção que, segundo a Polícia Federal (PF), desviou R$ 112 milhões da Saúde do Estado.

“Quem leu os processos da Maus Caminhos, está lá, inúmeras vezes as conversas telefônicas do pessoal da Maus Caminhos tanto com o secretário de Fazenda, quanto com o secretario de Saúde do Estado. Quer dizer que para os diretores da Afeam afasta e para o secretário de Fazenda e de Saúde não faz nada? Fica como se não tivesse acontecendo nada?”, questionou Braga.

Para o deputado estadual José Ricardo (PT), o secretário da Fazenda deveria ser exonerado, assim como ocorreu com a diretoria da Afeam.

“Se pairam dúvidas sobre o secretário Afonso Lobo, penso que deveria ocorrer o mesmo procedimento. Realmente, até para ter isenção em qualquer verificação ou investigação. A gente ouve mais o governador elogiar o secretário por causa das finanças do Estado que estariam equilibradas. Mas não está tudo bem, é só ir aos hospitais. Também (ocorre) na área de segurança, assim como na educação. O secretário Afonso  Lobo é um dos responsáveis por esta situação porque deveria ter se empenhado mais na cobrança da dívida ativa, da cobrança dos grandes devedores do Estado”, disse.

Devassa na Sefaz

José Ricardo defende que se faça uma devassa na Sefaz. “Se houvesse uma auditoria na Sefaz, na Susam (Secretaria de Estado de Saúde), na Secretaria de Estado de Educação,  principalmente nos contratos, porque tudo passa pela Sefaz, nós não iríamos encontrar apenas três empresas  como foi na (operação) Maus Caminhos, não iríamos encontrar muito mais irregularidades”, disse.

O deputado estadual Luiz Castro (Rede) afirmou que, se fosse o governador, já teria demitido o secretário  Lobo. “Eu acho que o governador, em determinado momento, vai ter que tirar o Afonso, porque eu vejo ele muito fragilizado. Há uma suspeição grave sobre ele, porém, ainda não há uma prova concreta sobre algum ato dele. Se eu fosse o governador, afastaria o Afonso, mas não acho que o caso dele seja semelhante ao caso da Afeam, em que  foi comprovado um ato que causou dano ao Estado”, disse.

Do d24

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