Missão InSight – parte 1

Figura 01: Diferentes tipos de Sismógrafos.

A partir de 2019, os astrónomos poderão estudar em detalhes as profundezas do interior marciano. A missão InSight [do inglês: Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport] foi lançada no dia 05 de maio de 2018. O objectivo principal é realizar o estudo dos sismos de Marte. Essa missão nos ensinará muito mais sobre a crosta, manto e núcleo do deus da guerra.

A grande questão é: como nascem os planetas? Certamente, o estudo dos tremores da Terra  nos dá  uma pista. O ramo da Ciência que se dedica a essa investigação chama-se sismologia.

Figura 02: Sismogramas registados em 2003 (Chile).

Infelizmente,  com o passar dos anos, o registo geológico terrestre está a se misturar. Facto que ajuda a camuflar a nossa história mais antiga. Comparado  com a Terra, Marte é bem menos activo, porém, é fóssil e preserva a história do seu nascimento. Neste aspecto, a resposta ao questionamento “como os planetas se formam?”  pode sim estar no estudo de Marte.

Devido ao rompimento das rochas (ou ao movimento das mesmas), ondas sísmicas são produzidas, as quais são conhecidas como sismos. Em geral, a velocidade  do sismo varia conforme o material geológico do meio que está a conduzir  as ondas.

Para conseguirmos êxito no estudo sobre Marte, foram projectados sismógrafos (tais quais o instrumento  SEIS  da InSight) que  medem o tamanho, frequência e velocidade dos  terremotos. Como resultado, temos um instantâneo do material pelo qual os sismos estão a passar. Portanto, o sismógrafo funciona como se fosse câmara, a qual regista uma imagem do interior do planeta.

Figura 03: Mars InSight Lander e seus recursos.

Na sua constituição,  rochas  e minerais  mais densos ajudaram a formar o manto e o núcleo  de Marte. Ao passo que a crosta marciana é composta por rochas e minerais  menos densos. A compreensão deste mecanismo  nos ajuda a entender  a razão pela qual  certos planetas  se transformam em “Terras” e não em “Martes”. Dentro desta resposta, encontramos “pistas” a respeito de onde a vida pode surgir no Universo.

Figura 04: Impressão artística da estrutura de Marte. A parte mais externa é a crosta. Logo abaixo temos o manto e a parte mais interna é o núcleo marciano.

Em princípio, o planeamento da missão  foi assim distribuído: esperamos que  sejam registados no mínimo,  vinte e quatro (24) sismos  e, no máximo, algumas centenas de sismos em Marte.  Outra estratégia será o uso de  meteoritos, haja vista  que  a cada meteorito que cruzar  a tênue atmosfera do planeta vermelho, resultará em um novo registo. O ponto negativo nesta estratégia é  tentar obter uma visão global do planeta  somente  com os dados coletados em uma região bem específica  da superfície marciana.

O lado positivo é que a InSight  dará lugar ao único sismógrafo  do planeta vermelho. Entretanto,  esta não é a primeira missão, da NASA,  a envolver sismologia. As missões Apollo  deixaram quatro sismógrafos na Lua. Nos anos 70,  os “landers” Viking fizeram uma tentativa   de fazer sismologia em solo marciano. Mas,  a experiência não foi bem sucedida. Vale salientar que  a InSight não ficará restrita à sismologia. Sinais de rádio serão usados  para  revelar se o núcleo de Marte  está  fundido ou não. Sensores de vento, pressão e  temperatura  permitirão  aos astrónomos, e demais cientistas envolvidos nesta investigação,  subtraírem  o “ruído” vibracional  provocado pelo clima marciano. Até o momento,  a combinação de todos esses dados e técnicas nos fornecerá a  imagem mais  detalhada sobre Marte.

Em suma,  a Astronomia planetária  dá um salto  no que diz respeito  ao conhecimento dos planetas telúricos. Os registos  não são restritos somente a  Marte,  mais do que isso,  revelarão  muito sobre  a Terra. Além disso,  obteremos muito mais informações sobre planetas tipo-Terra e planetas tipo-Marte. Como as investigações  neste tema estão a crescer, a indagação imediata é: como é o nosso Sistema Solar? Essa e outras questões, que estão em aberto,  em breve  terão  as primeiras respostas. Por enquanto, resta-nos  aguardar o desfecho desta história.

Dr. Nélio M. S. A. Sasaki

Coordenador do Núcleo de  Ensino  e  Pesquisa  em  Astronomia-NEPA

Professor e Pesquisador  Adjunto da  Universidade  do  Estado  do  Amazonas (UEA)

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