“Muitas barreiras já foram quebradas”, diz presidente da Pestalozzi no dia da Síndrome de Down

Dalva Nascimento preside a Associação Pestalozzi de Parintins. Foto: Divulgação Facebook

Parintins – Francinaldo Corrêa de Souza, 42, é uma pessoa alegre, gosta de quem gosta dele, mas também demonstra sua irritação quando não nutre simpatia por alguém. É bastante conhecido na cidade. Talvez, na imaginação dele, tenha marcado mais gols que Pelé, mas na realidade que vivencia já foi até vitima de uma tentativa de homicídio. Francinaldo é conhecido “Thianga” que se veste como jogador de futebol e sai pelas ruas de Parintins marcando seus gols imaginários e comemorando euforicamente por onde passa.

De origem humilde é bastante querido na Ilha Tupinambarana. Em um dos olhos já não tem visão. Na década de 90 foi vítima de tiro disparado de uma arma caseira por elemento que não soube justificar a motivação do crime. “Thianga” ganhou a comoção das famílias parintinenses, de seus familiares, mas o amor que recebeu de professores, profissionais e colegas da sociedade Pestalozzi de Parintins foi um dos fatores primordiais para a rápida recuperação. A prova disso é que se mantém até hoje nas atividades da Escola de Ensino Especial Glauber Viana Gonçalves da Associação Pestalozzi presidida pela professora Dalva Nascimento.

Dalva Nascimento e Francinaldo Corrêa, um dos primeiros alunos da Pestalozzi.
Dalva Nascimento e Francinaldo Corrêa, um dos primeiros alunos da Pestalozzi.

Ao lembrar-se de algumas das histórias já vivencias pela entidade ela se emociona.  Em Parintins a Pestalozzi foi fundada no dia 24 de abril de 1984 e está prestes há completar 32 anos. E todo o dia um momento novo leva lágrimas aos olhos da gestora do projeto. Hoje, por exemplo, enquanto concedia entrevista ao Parintins 24 horas foi apresentada a uma criança de apenas 5 dias de vida. “É a mais nova usuária da escola”, comemorou ela.

A Síndrome de Down é um distúrbio genético causado pela presença de um cromossomo 21 extra, que pode ser total ou parcial. Estima-se que a incidência da Síndrome de Down seja de um em cada 660 nascimentos, o que torna esta deficiência uma das mais comuns de nível genético. A idade avançada da mãe influencia bastante o risco de concepção de bebê com esta síndrome.

Nesta segunda-feira, 21, é comemorado o dia internacional da síndrome de Down. A data foi escolhida porque se escreve como 21/3 (ou 3-21), o que faz alusão à trissomia do cromossomo 21, isso porque as pessoas que possuem a Síndrome de Down carregam 3 cromossomos número 21. No Brasil estima-se que 300 mil pessoas tem a Síndrome. A data é comemorada desde 2006 e sua importância está no fato de reconhecer que o indivíduo com Síndrome de Down merece respeito, garantia de direitos e oportunidades de inclusão social. Em Parintins a escola Pestalozzi atende 146 pessoas em salas de aula e acompanha outras 50 de todas as faixas de idade.

Na avaliação da professora Dalva Nascimento, ao longo da história, muitas barreiras foram quebradas com relação à inclusão das pessoas com síndrome de Down e outras deficiências. “Parintins se abriu muito para a Síndrome de Down”, conta. Ao lembrar o inicio das atividades da Pestalozzi ela conta que foram reunidas 10 crianças, nove delas com Síndrome de Down, pois o objetivo era mostrar ao setor da educação que aquelas crianças precisavam ir para a escola. As primeiras atividades foram realizadas na escola Araújo Filho.

A Fonoaudióloga Astryd Portilho se diz muito feliz ao atender as crianças com Síndrome de Down.
A Fonoaudióloga Astryd Portilho se diz muito feliz ao atender as crianças com Síndrome de Down.

Gratificação

Quem trabalha na escola localizada na Avenida Nações Unidas no centro da cidade entende o trabalho como gratificante e muito prazeroso. A própria presidente da Associação Pestalozzi de Parintins Dalva Nascimento trata com satisfação o serviço que realiza há quase 32 anos. “É uma experiência tão gratificante que os profissionais da várias áreas compartilham a mesma alegria, satisfação e prazer. Porque eles (pessoas com síndrome de Down) conseguem passar amor, carinho e a sinceridade deles”, diz.

A fonoaudióloga Astryd Portilho comunga das palavras da gestora do Projeto. “Trabalhar com uma criança com síndrome de Down é emocionante, é gratificante é um presente que Deus nos deixou. Por eles somos capazes de fazer o que fazemos por um filho”, assegurou.

Ela concluiu pedindo que pais, professores, gestores de escolas cumpram e lutem pela lei da inclusão para que todos os dias as pessoas com Síndrome de Down possam ter seus direitos respeitados.

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