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Mulheres foram as que mais pediram divórcios no Amazonas em 2015, diz IBGE

Das capitais, Manaus lidera o ranking dos divórcios com 5.665; seguido de Belém (2.291). Foto: Raimundo Valentim 21/12/08

Estudo mostra que 56% dos 1.839 divórcios não consensuais foram requeridos por elas. Especialista diz que isso está relacionado ao empoderamento feminino

Gisele Rodrigues | d24am.com

Manaus – Mulheres são as que mais pediram o divórcio no Amazonas, no ano passado, segundo dados da pesquisa de Registro Civil. O levantamento divulgado, nesta quinta-feira (24), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que 56% dos 1.839 divórcios não consensuais foram requeridos por elas, um aumento de 63% em relação ao ano anterior. A pesquisa aponta, ainda, que o Estado registrou 6.505 divórcios no ano passado, 12,5% a mais que em 2014.

Os divórcios não consensuais representam 28% dos casos judicializados, no ano passado. A maioria, mais de quatro mil separações, foi feita em pleno acordo entre os ex-cônjuges.

O crescimento, segundo o coordenador do núcleo de cultura política da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ademir Ramos, está relacionado ao empoderamento feminino.

“As mulheres vêm, cada vez mais, conquistando os seus direitos e assumindo independência financeira. Isso tem muito a ver com o empoderamento da mulher. Outro ponto é a crise econômica, que fragiliza as relações sociais, por isso, essa mudança no comportamento social e a própria família também sofre”, afirmou.

Os recém-casados foram os que mais se separaram, em 2015. Ao todo, 427 divórcios ocorreram com três anos de casamento, outros 407 casais terminaram o matrimônio depois de quatro anos de relacionamento.

No topo da lista

Segundo o IBGE, o Amazonas foi o segundo Estado do Norte em número de divórcios consensuais e não consensuais, o Estado do Pará foi o primeiro, com 6.467; seguido de Rondônia, 3.265; Tocantins, 2.047; Roraima, 1.046; Acre,  995  e Amapá, 467.

Das capitais, Manaus lidera o ranking, com 5.665 divórcios; seguido de Belém (2.291), Boa Vista (995), Porto Velho  (575), Rio Branco (532), Palmas (644) e Macapá (337).

Em 2015, de acordo com o IBGE, no Amazonas, 68% das guardas de filhos menores ficaram com as mães e, somente 20% dividiram a guarda entre os dois, o que quer dizer, segundo o estudo, que o percentual de guardas compartilhadas, no Estado do Amazonas, passou de 10,8%, em 2014, para 20,3%, em 2015. A média nacional foi de 12% e da Região Norte de 15%, no ano passado, segundo o IBGE.

Casamentos homoafetivos

Os dados da pesquisa de Registro Civil 2015, divulgados, nesta quinta, pelo IBGE, mostram que o crescimento de uniões homoafetivas foi muito maior do que a união entre pessoas do sexo oposto.

Em comparação com 2014, o ano passado registrou um aumento de 3,5% nos casamentos heterossexuais, no Amazonas. Já as uniões homoafetivas registraram, no mesmo período, um aumento de 220% entre pessoas do sexo masculino e 216% entre cônjuges femininos. Foram 44 casamentos com ambos os cônjuges sexo masculino e 54 casamentos entre pessoas do sexo feminino.

Para o coordenador do núcleo de cultura política da Universidade Federal do Amazonas, Ademir Ramos, o aumento tem relação com a garantia dos direitos, caso um dos cônjuges venha a falecer.

“Antes, eles viviam juntos e, muitas vezes, as famílias se apropriavam dos bens, quando o outro morria. O casamento deu mais estabilidade pra eles, mais conforto porque antes os familiares se apropriaram dos bens deixando outro na miserabilidade”, disse.

Ao todo, em 2015, 18.282 casamentos entre pessoas heterossexuais foram registrados no Amazonas.

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