Municípios da Calha do Juruá perderão recursos do FNO

Mais de 200 mil pessoas, de sete municípios da Calha do Juruá, poderão ficar, a partir de março, sem a opção de crédito do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) para o setor primário e o comércio. O alerta é dado pela Associação Amazonense de Municípios (AAM), após anúncio que a única agência do Banco da Amazônia (Basa) na região, localizada em Carauari (a 780 km de Manaus), irá encerrar suas atividades na região.

O alerta é motivado pela denúncia do presidente da Câmara de Vereadores de Carauari, José Airton Siqueira, após comunicado do banco, que depois de 36 anos, vai fechar sua agência naquele município e na Calha do Juruá.

Segundo Airton Siqueira, que também é presidente do Sindicato dos Bancários de Carauari, o Basa, como único agente responsável pelos repasses do FNO, é o maior promotor do desenvolvimento econômico na região com os programas de financiamento aos setores produtivos privados, especialmente para o setor primário. O motivo apresentado pela instituição é que a agência é “deficitária”.

De acordo com dados do sindicato, nos últimos cinco anos, foram realizadas mais de três mil operações de crédito por meio do FNO, nos municípios da Calha – Envira, Eirunepé, Guajará, Carauari, Juruá, Itamarati e Ipixuna – totalizando R$ 12 milhões em investimentos, principalmente, na agricultura e criação de animais.

“Vamos levar esta demanda para a própria direção do banco e também para o governador José Melo, deputados e senadores do Estado e para o Governo Federal, porque não é aceitável que, neste momento, em que o Amazonas se volta para uma Nova Matriz Econômica Ambiental, parte do Estado fique sem essa importante opção de recursos”, destacou o presidente da AAM, João Campelo.

Ainda, conforme Campelo, que é natural de Itamarati, com o fechamento da agência, a unidade mais próxima da região passa a ser em Tefé, cerca de dois dias de barco do Juruá.

Juntamente às lideranças dos outros municípios, José Airton está organizando reuniões e mobilizações das associações comerciais, de produtores rurais e de agricultores contra o fechamento.

“Eles (o banco) vão argumentar que enviarão funcionários para fazer ações de crédito, mas sabemos que isso não vai acontecer porque já estão alegando que agência é deficitária”, avaliou, acrescentando que o fim dos repasses do FNO vai refletir até nos custos da farinha em Manaus, uma vez que a produção da região é vendida para a capital.

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