-Publi-A-

Murilo Benício tirou R$ 1 milhão do próprio bolso para viabilizar o filme ‘O beijo no asfalto’

Murilo Benício está no ar como protagonista da série 'Nada será como antes' - Divulgação/TV Globo/Estevam Avellar

Ele diz que estreia na direção de cinema o transformou como ator

Zean Bravo | O Globo

RIO — Murilo Benício passou a enxergar a profissão de uma outra forma agora, aos 44 anos. Protagonista de “Nada será como antes”, série sobre a criação e os primeiros anos da TV brasileira, exibida pela Globo nas noites de terça, o ator conta ter mudado o seu olhar depois de dirigir, no início deste ano, seu primeiro filme. Sua estreia como realizador será com uma nova versão de “O beijo no asfalto”, inspirada na peça de Nelson Rodrigues, prevista para chegar aos cinemas em 2017.

— Atuar é uma coisa que te consome muito. E você vai ficando sem munição com o tempo. Entendi tanta coisa que um diretor passa e o ator meio que ignora. Isso me deu mais maturidade para trabalhar, em todos os sentidos. Para mim, a maturidade faz melhorar como artista — diz ele, que pretende se dividir entre as duas funções.

O ator tirou R$ 1 milhão do próprio bolso para viabilizar o filme, fotografado por Walter Carvalho, e rodado em apenas 11 dias:

— Enchi o saco de ficar explicando a importância de Nelson Rodrigues aos outros. Na falta de incentivo, usei o meu dinheiro. Por isso mesmo a gente pirou e fez o que queria. Filmei tudo em preto e branco.

Uma das referências do ator foi o documentário “Ricardo III — Um ensaio”, dirigido e estrelado por Al Pacino em 1996. A versão de Benício para “O beijo no asfalto” mescla cenas da história com outras dos atores discutindo o texto da montagem numa sala de leitura.

Fernanda Montenegro, atriz que encomendou o texto a Nelson Rodrigues há quase 60 anos, rodou uma participação no longa falando sobre a reação do público na época da estreia da peça.

O elenco de “O beijo no asfalto” traz ainda nomes como Débora Falabella, namorada de Murilo há quatro anos, que contracena com ele em “Nada será como antes”, e Lázaro Ramos, no papel do homem recém-casado que beija um desconhecido que foi atropelado na rua.

— Eu não quis participar do filme como ator. Achei bom respirar fora disso — diz ele.

MINISSÉRIE EM 2018

Em “Nada será como antes”, o ator interpreta o visionário Saulo, um vendedor de aparelhos de rádio que se torna empresário e implementa a televisão no Brasil. Na série, o personagem vive um relacionamento conturbado com a atriz Verônica (Débora Falabella), que acabou engravidando de outro homem após a separação do casal:

— Ele é visionário, não leva uma vida comum, mas, ao mesmo tempo, é um homem retrógrado em alguns aspectos. É muito machista. O personagem tem uma curva dramática maravilhosa.

Visto pela última vez em novelas em “Geração Brasil” (2014), Murilo tem um próximo trabalho engatilhado para a televisão, a nova minissérie da autora Lícia Manzo. A Globo anunciou na semana passada que o projeto, pensado inicialmente como uma novela para no ano que vem, às 23h, sofrerá alterações, e ficará para 2018. A produção será dirigida por José Luiz Villamarim, responsável também por “Nada será como antes”.

— O Zé tem uma particularidade que o faz ser diferente de todos os diretores: ele te ouve. E tem o Waltinho Carvalho, que é um cara muito sensível, na equipe. A direção dele vira um trabalho coletivo. Hoje, mais do que nunca, quero trabalhar com quem realmente entendo e gosto.

Villamarim encontrou o ator no set pela primeira vez no remake de “Irmãos coragem” (1995) e já o dirigiu em produções como “Amores roubados” (2014) e “Avenida Brasil” (2012).

— É muito raro um ator com a capacidade de preencher o silêncio. O Murilo tem essa capacidade — elogia o diretor.

QUASE JIM CARREY

Fora os trabalhos na TV, Murilo já planeja sua segunda incursão como diretor de cinema. Ele quer adaptar agora “Pérola”, peça escrita por Mauro Rasi. A autora Adriana Falcão vai cuidar do roteiro com o ator. Ele quer Vera Holtz, que protagonizou o espetáculo, no filme.

Além de dirigir, ele será visto no cinema no elenco do suspense “Animal cordial”, de Gabriela Amaral, e da comédia “Divórcio 190”, de Pedro Amorim:

— Começaram a me chamar para uns roteiros que eu já faço na TV, e isso eu não quero. A Gabriela é uma diretora nova, e veio com o tipo de roteiro diferente.

Em “Divórcio 190”, Murilo contracena com Camila Morgado. Os dois vivem um casal que enriquece após criar uma receita de molho de tomate:

— A gente não pode se levar muito a sério. Geralmente o ator comete esse erro. Os americanos são gênios em não se levar a sério. No filme do Pedro faço uma coisa quase Jim Carrey, vou para o absurdo. É tão difícil fazer humor. Botei até uma prótese no dente.

 

você pode gostar também