Muro de arrimo: Professor Dr. x Secretário de Obras, o que cada um fala?

Gilson Almeida | 24 Horas
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Parintins (AM) – O professor Dr. em geografia física pela Universidade de São Paulo (USP), José Camilo Ramos de Souza, de 57 anos, faz o monitoramento do muro de arrimo que protege a cidade de Parintins do rio Amazonas desde 1989, ele destaca os principais pontos que merecem atenção do poder público.

Uma das partes do muro de arrimo que Camilo ressalta, é a escadaria e alguns trechos do muro situados na Rua Cordovil, Centro, onde ele afirma que desabou em 2016. “Todo muro de arrimo de Parintins precisa de monitoramento, precisa ser verificado ano a ano o que vem acontecendo e quais são os encaminhamentos de segurança que devem ter”, pontuou o professor.

O geografo analisa também o trecho do muro localizado na Rua Caetano Prestes, Centro, poucos metros de onde está sendo feita as obras com recursos próprios da Prefeitura através da secretaria de Obras. “Você tem aí o Comunas, parte do Bar Du Verçosa. Nessa parte já havia caído há mais de 10 anos e nenhuma obra foi realizada. Se você olhar agora ela está toda caída inclusive por baixo próxima da rua, ou seja, ali também está uma área de risco e que precisa com urgência fazer um trabalho de contenção”, alertou.

O professor garante que essa problemática não se dá somente nesses trechos. “Você tem o trecho da Avenida Nakauth que se estende até na ponta do Hospital Regional Jofre Cohen, toda essa parte está comprometida com processo erosivo e você tem outros trechos como a final da Rua Armando Prado que se estende até a Copesca também altamente comprometida, inclusive reduziu quintais e já chegou na rua. Então precisa de reparos urgentes”, falou o pesquisador.

“O meu questionamento é por que não fizeram essa obra no ano passado no período em que estava sol quente e com a vazante baixa e vieram esperar chover e começar a encher para fazer a obra”, questionou o professor.

Com essa problemática, o professor Dr. José Camilo, salienta que toda a frente da cidade se torna uma área de risco e precisa de acompanhamento técnico e científico em que há a necessidade de reunir uma equipe de geólogos, geógrafos, engenheiros e físicos para ser feito todo o estudo nessa parte da Ilha Tupinambarana para ver qual o melhor trabalho de contenção que se possa fazer. “Na proximidade de Parintins você tem uma área que varia de 60 a 90 metros de profundidade onde passa o canal principal do rio. Então o rio Amazonas bate de frente com a ilha numa velocidade entorno de 7 Km/h. Portanto é uma pressão muito forte e começa a escavar por baixo de tudo que existe inclusive do próprio muro que chamamos de solapamento. Então com isso vem de repente a comprometer o próprio muro que é gravitacional que muitas vezes está protegendo a cidade, mas começa com uma fundação muito rasa e faz com que ele venha a desmoronar”, disse.

Conforme o professor, ele já orientou nos anos de 2018 e 2019 trabalhos de iniciação científica em que foi feito todo levantamento da área da frente da cidade. “Eu faço sempre o acompanhamento do muro de arrimo porque vejo que Parintins está numa área de risco da forma que estão conduzindo os trabalhos e que precisa ser monitorado, revisto e montar realmente uma equipe de estudo para ver qual melhor encaminhamento de solução para proteger a nossa cidade”, concluiu.

Respostas

O secretário de Obras, Matheus Assayag, informou que o prefeito de Parintins, Bi Garcia, tem buscado parcerias para fazer a reconstrução de toda a orla da cidade. “Enquanto não vem as parcerias do governo federal e estadual que o prefeito Bi tem buscando diariamente, a Prefeitura começou com recursos próprios esse trecho que era um dos mais críticos porque não apenas ali o muro de arrimo tinha caído nos anos anteriores, mas estava comprometendo o restante do muro na lateral desse trecho caído, mas a busca continua. Os projetos estão prontos e apresentados tanto para o governo federal quanto para o governo estadual para que a gente possa fazer a orla toda”, falou o secretário.

Ele disse ainda que área do Buteco Du Verçosa também estava prevista para iniciar as obras, mas como o rio Amazonas começou a subir optou-se por esperar o rio começar a secar para a segurança dos trabalhadores e da construção. “Esse trecho do Buteco Du Verçosa está contemplado junto com trecho onde está sendo feita a obra com o rio subindo e o trecho do Buteco Du Verçosa será feito assim que o rio baixar”, disse.

Matheus falou também que a Prefeitura tinha vontade de fazer a obra em 2017, mas por falta de recursos que pudesse garantir o pagamento dos fornecedores, a reconstrução do muro de arrimo não foi realizada. “Infelizmente as parcerias não vieram nesse intervalo de tempo e somente agora no final do ano de 2019 que o prefeito Bi teve a segurança e garantia de seu financeiro de que poderia ser realizada a obra com condições de pagamentos”, explicou.

Ele também garante que a subida do rio não compromete a eficiência da obra. “Isso não é problema para a engenharia. Para se ter ideia se faz ponte dentro do oceano, não seca o oceano para se fazer ponte. Então para a engenharia não há limite realmente, para ela praticamente tudo tem solução. A obra não é comprometida em nada na sua parte técnica, na sua qualidade e segurança porque o rio está subindo”, destacou.

O secretário informou também que para ser feito o trabalho de contenção do muro de arrimo foi montada uma equipe composta por engenheiros, arquitetos, calculistas estruturais, um grupo de pessoas que fizeram a sondagem do terreno ainda no verão para a partir daí se elaborar o projeto estrutural. “A partir do projeto estrutural montamos uma equipe para administrar a obra diretamente pela Prefeitura através da secretaria de Obras para que a gente tenha toda segurança necessária primeiramente para nossos colaboradores, para nossos funcionários, para os moradores do entorno da obra, para nossos equipamentos, para a obra em geral”, salientou Matheus.

Ainda conforme o secretário de Obras, Matheus Assayag, o projeto escolhido para a construção do trecho do muro de arrimo localizado na Rua Caetano Prestes, Centro, é de concreto armado, sendo mais fino do que o muro feito anteriormente, tendo em vista que o muro construído para proteger a frente da cidade das águas do rio Amazonas sempre foi de gravidade (de peso). “Nesse projeto atual estamos fazendo de concreto armado sob estacas de argamassa injetada armada justamente para diminuir a espessura desse muro e com a saia como a gente chama que é a base de coroamento justamente para segurar, tudo calculado pelo engenheiro Daniel, de Manaus, que nos passou todo projeto estrutural. A largura do muro não compromete em nada a segurança. A segurança é a mesma tanto faz se é armada ou de gravidade cada projeto é que vai dizer o tipo de muro ideal para aquela situação e com certeza tudo sendo executado de acordo com o projeto como está sendo nós vamos ter um muro aí para muitos e muitos anos”, afirmou Matheus Assayag.

Matheus informa ainda que está prevista a conclusão da obra nos próximos três meses.

Foto: Yure Pinheiro

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