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“Não tenho tempo de chorar”, diz enfermeira sobre trágica rotina no hospital Jofre Cohen

Eldiney Alcântara | 24 Horas

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“Por aqui, o dia está literalmente escuro e sombrio… assim como a chuva que cai na ILHA. Lágrimas não param de rolar”, esse é o relato de uma enfermeira que vive a luta diária pela vida nos corredores, salas e enfermarias do hospital Jofre Cohen em Parintins, referência no atendimento a pacientes com a Covid-19. Joseane Mascarenhas é diretora da unidade e conta os momentos difíceis de trabalho dos profissionais da saúde.

Por trás dos números elevados de casos do novo coronavírus e de internações nos hospitais existem seres humanos. Pessoas que estão sofrendo com a doença, além de amigos e famílias que vivenciam momentos de agonia, aflição, sofrimento e perda. Em sua página no Facebook, Joseane fez um relato de pessoas que também travam uma luta pessoal, fisica, emocional e psicológica. Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, técnicos, recepcionistas, motoristas, administrativos, auxiliares e tantos outros profissionais da saúde que chegam a exaustão de tanto trabalho.

Em seu relato, Joseane conta o cotidiano agitado e doloroso do hospital. Uma correria pela cura, pela vida ou pelo menos para que ninguém morra em ao menos 24 horas, hoje uma façanha cada vez mais difícil. A enfermeira conta como é difícil agir como profissional, estando abalada como pessoa. Sexta-feira, 08, os médicos tiveram que intubar o colega de trabalho e amigo Dr. Amintas Júnior.

“Nosso amigo AMINTAS JUNIOR foi intubado pelas mãos do Daniel Tanaka R. Silva e Alberto Figueiredo. Que sensação de impotência. As pessoas não tem noção do que é chegar para teu amigo e dizer: TEMOS QUE LHE INTUBAR. Como ficamos, tendo que informar isso?”, disse emocionada.

Em uma breve e emocionante narrativa ela mostra o quanto a rotina no hospital nessa pandemia machuca, abala, mas também mostra o quanto esses heróis são fortes. “Encontro Dr. Paulo no corredor chorando. Mas tem que repassar uma situação de um paciente grave. Vamos seguindo.

Olho nos olhos do Tanaka e Alberto e não aguento as lágrimas. Cruzamos olhares, seguimos para o próximo passo. Coração apertado, não podemos ainda relaxar. São apenas 11h da manhã. A jornada de trabalho ainda está no meio. Vamos continuar aqui”, diz enquanto chora e trabalha.

“Somos pessoas, temos sentimentos e temos que continuar FORTES, porque ainda temos outros tantos pacientes que necessitam do nosso auxílio, pois estamos com uma carga enorme de pacientes internados”, conta Joseane, destacando a dura batalha que deve ser travada diariamente, sem ter que demonstrar fraqueza. “Nas enfermarias, tento passar positividade, levando uma palavra de consolo a todos os pacientes.Telefone não descansa… muitos familiares em busca de notícias de seus entes queridos… atendo com cordialidade, repasso os informes e, sigo para outro chamado, em busca de resolver as questões”.

A enfermeira conta a luta pessoal que os profissionais de saúde travam todos os dias para se manterem bem no decorrer do expediente. “Calma Josy, vc consegue – repito esse mantra inúmeras vezes, pois não tenho tempo de chorar. As lágrimas já estão saindo, mas mantenho a clareza de pensamentos, pois sei que muitos precisam que eu esteja bem”, confessa, tentando se manter equilibrada no trabalho.

Ela finaliza falando de como os profissionais já estão afetados pela pandemia e suas consequências. Ela também faz um pedido de conscientização da população quanto a gravidade da doença e deste momento. “Já estamos estafados psicologicamente e esgotados fisicamente.

Espero que nossa realidade não seja a daquela cidade, onde os corpos eram encontrados nas ruas, pois estavam em colapso nas funerárias”, encerrou.

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