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No limite do Sistema Solar

Fig01: Forma do ambiente espacial. C.I.: NASA/SWRC/CCMC/GMU.

A sonda New Horizons ficou famosa pelas  belíssimas imagens registadas do planeta-anão Plutão, em julho de 2015. Porém, o que  poucos sabiam é que  ela também  realizou algumas medidas do vento solar.  Denomina-se vento solar ao fluxo constante de partículas solares que o astro-rei lança para o espaço.

Desde o século XX, a Astronomia tinha mapeado  o Sistema Solar nas proximidades  do Sol (região próxima) e a Voyager  mapeou   regiões  mais distantes. Entretanto, ao compararmos as imagens das duas regiões notamos uma lacuna  entre o muito próximo e o muito distante. Neste sentido, o estudo realizado com o auxílio da New Horizons preenche a lacuna mencionada.

A figura 01 mostra a concepção artística, divulgada pela NASA,  de como  se comporta o ambiente espacial no exterior do Sistema Solar. Essa informação é particularmente importante no que se refere à influência do Sol  no espaço, desde aqueles   efeitos ao redor da Terra  até o limite do Sistema Solar (região na qual o vento solar  encontra-se  com o espaço interestelar).

Fig02: Observação dos ventos solares (2015). C.I.: NASA/New Horizons/SwRI.
Fig02: Observação dos ventos solares (2015). C.I.: NASA/New Horizons/SwRI.

A figura 02 mostra as observações do vento solar realizadas pela New Horizons, em agosto de 2015. A novidade é justamente a medição das partículas dos raios cósmicos anómalos no vento solar. Pontos mais próximos do topo do gráfico correspondem às partículas mais energisadas. As cores, vermelha e amarela, representam as partículas que  estão a chegar até o detector.

Os dados estão a indicar que as partículas no vento solar “sofreram” uma  “explosão inicial de energia” (um impulso que as aceleraram) que resultou em velocidades elevadíssimas. Esta pode ser a explicação para os  raios cósmicos anómalos.

Nas proximidades da Terra esses raios cósmicos  representam um grande  risco para os astronautas. Entretanto, na região mais longínqua,  com energias mais baixas, espera-se  que os raios   se comportem como formadores da fronteira onde o vento solar atinge o  espaço interestelar. Actualmente, a Voyager 2 está a estudar essa região.

Embora as pessoas afirmem “erroneamente” que vácuo seja a ausência de matéria. O que se provou com as medidas astronómicas é bem diferente, haja vista que há um fluxo do vento solar  que, a priori,   preenche o espaço com partículas, campos e gás ionizado  conhecido  como plasma.

Desde para lá da órbita de Úrano  até  o seu encontro com Plutão, a New Horizons percorreu quase 2.000 milhões de quilómetros. Ao longo de todo este percurso foi medido o ambiente espacial pela New Horizons.

Com os dados da New Horizons, os astrónomos notaram que o ambiente espacial no exterior do Sistema Solar tem uma estrutura menos detalhada que aquela  existente nas proximidades da Terra. Porém, as estruturas formadas na região mais distante são maiores que aquelas apresentadas   na região mais próxima.

Esse estudo deixa uma questão em aberto: como  é a relação das estruturas menores com as maiores, no limite do Sistema Solar? Uma  cousa é certa, a velocidade e a densidade  atingem um valor médio quando o vento solar se desloca para a região mais distante do Sistema Solar. As medidas realizadas pela New Horizons revelaram que, mesmo em uma região limítrofe, é possível se notar o padrão de rotação solar.

Estiveram na região mais longínqua do Sistema Solar duas Voyager, entretanto, elas somente conseguiram registar a etapa final  dos raios cósmicos anómalos na fronteira do Sistema Solar. Com  o estudo realizado pela New Horizons, temos agora mais informações tais como: a  localização exacta e a génese de todo o processo que ocorre no encontro do vento solar com o espaço  interestelar.

Com dois conjuntos de dados da região longínqua, os astrónomos passam a ter  mais informações sobre uma área distante do espaço.

Espera-se, portanto, que saibamos compreender melhor a realidade do nosso ambiente espacial. Ao analisar por esse lado, a Astronomia dá um salto gigantesco.

Semana que vem, falaremos um bocadinho mais sobre esse tópico, retomaremos  a discussão sobre vento solar  e  explicaremos o que o Núcleo de Ensino e Pesquisa em Astronomia (NEPA/UEA/CNPq) irá  fazer este ano no Amazonas.  Até a próxima!

Legenda:

Fig01 ≡ Figura 01.

Fig02 ≡ Figura 02.

C.I. ≡  Créditos da imagem.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA, Membro da AIU, Membro da ST/Brasil, Membro do PLOAD/Brasil, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de Manaus, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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