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Nono Planeta – parte 2

Fig01: Possível estrutura do nono planeta.

Já abordamos esse assunto em matérias anteriores. Porém, a discussão sobre a existência de um nono Planeta voltou a ser pauta essa semana nos principais centros de estudos astronómicos.

Questões simples como: quão grande é esse Planeta? Quão brilhante? Que temperatura ele tem? Qual telescópio poderia encontrá-lo? Foram algumas das indagações que estavam a aquecer o detabe.

Astrónomos especialistas em formação planetária se aventuraram a responder algumas das questões que se encontram em aberto. Algumas propostas surgiram, entre elas, uma muito interessante na qual o nono Planeta foi idealizado como sendo um objecto próximo, apesar da sua localização – ele se encontraria 700 vezes mais distante que a Terra se encontra do Sol.

Nesta versão, também foi assumido que o nono Planeta tenha um tamanho menor quando comparado a Úrano e Neptuno. Mas ele seria um Planeta gasoso cuja formação apresente basicamente hidrogénio e hélio. Ou seja, mais um Planeta azulinho no Sistema Solar.

Os astrónomos responsáveis por esta versão revelaram que se o nono Planeta tivesse uma massa aproximada de 10 massas terrestres, o seu raio seria de 3,6 raios da Terra. E sua temperatura ficaria na casa dos -226°C. Sendo assim, a emissão do Planeta é graças ao resfriamento do seu núcleo, pois, se não fosse assim, ele teria uma temperatura de -263°C.

Neste caso, a luz solar refletida na superfície do Planeta teria uma contribuição pífia para o brilho do mesmo. Logo, o nono Planeta não seria visto facilmente na faixa do visível.

Do ponto de vista teórico tudo está lindo. Porém, na parte observacional, a realidade é bem diferente. Haja vista que temos um limite de massa a ser respeitado. E no caso do “nono Planeta” esse limite inferior seria de 20 massas terrestres (ou talvez menos que isso.). A ver por esta janela, a confirmação ou não de um novo Planeta fica na dependência do surgimento de telescópios mais potentes e com novos recursos.

Recentemente, a NASA apontou o WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) como sendo uma solução para este caso. O empecilho é que o WISE somente “enxerga” massas iguais ou superiores a 50 planetas Terra.

Outra possibilidade será o LSST (Large Synoptic Survey Telescope) – que está a ser construído em Chile (América do Sul). Esse sim poderá achá-lo, ou excluir quaisquer especulações sobre a hipotética existência do “nono Planeta”.

Por fim, uma terceira e última hipótese seria a Sonda Cassini encontrar o tal “nono Planeta”. Vale sublinhar que Cassini está próxima de Saturno. Mas a NASA acabou por eliminar toda e qualquer esperança advinda da Cassini.

Diferentemente do que fora divulgado, a Cassini não registou qualquer alteração em sua órbita. O que é muito estranho, mesmo porque, estamos a falar de forças gravíticas. E se levarmos em conta que Cassini encontra-se por lá há 12 anos, então, essa informação fica ainda mais estranha.

Tudo bem, você irá argumentar: mas um planeta que, por exemplo, seja 6 vezes maior que a Terra e se encontre bem além de Neptuno, ele afectaria  significativamente a Cassini? Resposta: não. Porém, ele afectaria de forma expressiva a Júpiter ou Saturno. A parte que não entendemos é justamente por qual motivo a Cassini não registou tais mudanças na órbita de Saturno.

Uma certeza os astrónomos têm: há algo na região transneptuniana. Não sabemos exactamente com o que estamos a lidar. Mas que há, disso não temos a menor dúvida.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA, Membro da AIU, Membro da ST/Brasil, Membro do PLOAD/Brasil, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de Manaus, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

 

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