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Nova Sagittarii 2015 N.2

Fig01: Concepção artística de um sistema parecido ao que deu origem à nova Sagittarii 2015 N.2.

Certamente você já sabe que o lítio (Li) é o elemento sólido mais leve a existir à temperatura ambiente. O que talvez você não saiba é que, a exemplo da maioria dos elementos químicos, a origem do lítio encontra-se nos fenómenos astrofísicos. Vamos aos factos?

Recentemente, uma equipa de astrónomos encontrou um sinal que indicava a presença de grandes quantidades de Be7– o qual é instável e em  53,2 dias – ele decai para Li. Tal sinal foi detectado na nova Sagittarii 2015 N.2.

Fig02: Localização da nova Sagittarii 2015 N.2.
Fig02: Localização da nova Sagittarii 2015 N.2.

Diante o exposto, a primeira hipótese é considera que as novas são a principal fonte de lítio na Galáxia. Sublinha-se que praticamente todos os elementos químicos apresentam uma gênese astronómica.  Acredita-se que nos primórdios do Universo, pouco tempo após o Big Bang, algo entre 10s e 20 min, foram formados H (75%), He (25%) e uma quantidade ínfima de Li e Be. Os demais elementos químicos formaram-se nas estrelas, ou por fusão de elementos dentro do núcleo ou por processos mais violentos, como por exemplo: explosões de supernovas.

Dentro deste procedimento, conseguimos explicar todos os elementos pesados subsequentes. Porém, como poderíamos compreender a formação do Lítio?Uma equipa de astrónomos parece ter encontrado a resposta.

Segundo os últimos estudos, a palavra-passe é “nova”. Isso mesmo, nas novas – fenómenos explosivos que ocorrem em sistemas binários, nos quais uma das estrelas é uma anã branca.

Vamos à explicação: a anã branca tem a capacidade de absorver o material da sua estrela companheira e com ele formar uma tênue camada de hidrogénio. Esta camada superficial de hidrogénio ao alcançar a densidade crítica dá início a um processo de explosão em cadeia. Este processo é denominado “nova“ e, eventualmente, pode elevar o brilho estelar em até 100 mil vezes (ver figura 01). Em um curto intervalo de tempo (algumas semanas) o sistema se estabiliza e reinicia-se todo o processo.

Também denominada V5668 Sgr, a nova Sagittarri 2015 N.2 esteve visível mais do que 80 dias (ver figura 02). Tempo suficiente para os astrónomos colectar os dados observacionais e para isso foram acoplados o UVES e o VLT.  A dedicação da equipa de astrónomos em trabalhar por 24 horas nessa observação foi premiada com o acompanhamento da evolução do sinal do Be7 no interior de uma nova. Surpreendentemente, a quantidade de Li produzida é equivalente a 10 massas solares. Com os dados actuais, seria suficiente duas novas similares a esta por ano para explicarmos a quantidade de Li na Via Láctea.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA/UEA/CNPq, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da UAI, membro da PLOAD/Brasil e ST/Brasil, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Director do Planetário Digital de Parintins-NEPA/UEA/CNPq, Director do Planetário Digital de     Manaus-NEPA/UEA/CNPq, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

 

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