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OMC-1

Figura 01: Enxame do Trapézio

Normalmente, associamos a supernovas explosões estelares, ou seja, o processo da morte estelar pode ser caracterizado como sendo muito violento e explosivo.  Recentemente, uma equipa de astrónomos coletou informações sobre o complexo da Nebulosa de Orionte. E, com o auxílio do ALMA,  uma tese na qual os adjectivos usados para a morte estelar também caberiam para  o nascimento das estrelas está a ser lançada.

Na figura 01, temos o Enxame do Trapézio e suas belíssimas estrelas jovens e quentes (base da figura) e uma imagem que lembra a fogos de artifício (logo ao centro). E justamente tais “fogos de artifício” são as evidências de que a formação de estrelas pode ser um processo igualmente violento e explosivo.

Figura 02: Em detalhe, vestígios tipo “fogos de artifício”.

Para entendermos tudo isso, vamos fazer uma breve recapitulação: em geral, associam-se à fase final, da vida de uma estrela, as explosões estelares. Claro, temos que levar em consideração também outros parâmetros, mas, no caso mais simples, vamos incluir somente a dependência funcional com a massa estelar.

O que essa equipa fez? Ela estava a trabalhar com o ALMA e acabou por registar sinais de explosões estelares. A novidade foi ter encontrado tal registo justamente na fase de nascimento estelar. Mas não foi algo casual, afinal,  a equipa de investigadores já estava  a pesquisar os restos  do nascimento de um grupo de estrelas massivas. O que mudou? Com essa nova informação, aparentemente,  a formação  das estrelas  é um processo bem mais dinâmico do  que aquele apresentado no modelo antigo.

Figura 03: Detalhe encontrado no “coração” da OMC-1.

Diga-se de passagem, a Nuvem Molecular de Orionte 1 (também denominada por OMC-1) é uma região formada por estrelas densas e activas. Localizada a      1350 anos-luz, a OMC-1 é integrante da Nebulosa de Oriente.

A força gravítica é a responsável pelo nascimento das estrelas, haja vista que  sua acção provoca o agrupamento das nuvens de gás e resulta na formação de estrelas muito massivas (ou seja, algo da ordem de centenas – ou até mesmo milhares – de vezes a massa do nosso Sol). Pode acontecer que a protoestrela tão logo se afogueie, comece a perambular sem destino certo. Em outro caso,  em que a recém-estrela  se formou nas vizinhanças de estrelas massivas, pode acontecer  a “queda” subsequente da recém-estrela  em direcção a um centro gravítico comum (determinado pela estrela com maior massa). Também, ainda na fase inicial de suas vidas, as estrelas podem estar envolvidas em impetuosas colisões.

Estimou-se que, aproximadamente 100 mil anos atrás, inúmeras estrelas estavam em processo de formação  ainda no interior  da Nuvem Molecular de  Oriente 1 (OMC-1). Mais uma vez, com a acção da força gravítica as estrelas recém-formadas, paulatinamente,  estavam a se aproximar. E consequentemente, duas delas  se acharam “face a face”. Não ficou claro se houve, de facto, uma colisão ou  apenas  se tocaram.

O certo é que a aproximação demasiada entre elas provocou uma erupção capaz de lançar para o espaço interestelar várias protoestrelas próximas, além de, centenas de correntes desmedidas – de gás e poeira. Além disso, tais correntes apresentaram velocidades que facilmente superaram a marca de 150 km/s. Com uma velocidade destas, a energia liberada equivale à quantidade emitida pelo nosso Sol ao longo de 10 bilhões de anos.

Neste contexto, os vestígios de explosão (que lembram a fogos de artifício) mencionados na figura 01 é de suma importância para a compreensão da formação das estrelas. Na análise daqueles vestígios, a equipa de astrónomos certificou que há descomunais correntes de matéria vindo daquela região e que estas estão a mirar em todas as direcções.

Estima-se também que as explosões na fase “embrionária” sejam de curta duração, não ultrapassando a marca de alguns séculos. Apesar da “curta” duração, hoje, é consenso entre os astrónomos que  explosões daquele tipo talvez sejam muito corriqueiras.

Por fim, graças à nitidez das imagens do ALMA, saltam aos nossos olhos a natureza explosiva desse “encontro” estelar. De igual maneira são notórios os movimentos (à alta velocidade) do gás monóxido de carbono (CO) presente no interior das correntes materiais. Não há dúvida que  estes factos  contribuirão  para a compreensão destas explosões  e dos impactos  ocorridos  durante a formação estelar.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA/UEA/CNPq, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da UAI, membro da PLOAD/Brasil e ST/Brasil, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Director do Planetário Digital de Parintins-NEPA/UEA/CNPq, Director do Planetário Digital de Manaus-NEPA/UEA/CNPq, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
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