Opinião: Raízes da Corrupção

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Floriano Lins | Plantão Popular

O mês de abril começa com o “dia da mentira”, por isso, é conveniente dialogar sobre questões relativas à corrupção, tendo em vista a íntima relação. De forma naturalizada e até imperceptível, o termo em pauta vive na boca e na prática cotidiana da grande maioria da população, independentemente da classe social, credo ou função. Daí, a importância de se entender com mais clareza a origem e seu real sentido. O vocábulo vem do latim e usualmente se emprega para designar estados físicos de decomposição, putrefação… E, em sentido figurativo, associa-se à devassidão, depravação, perversão, suborno e congêneres.

Em outras culturas, a questão vai muito mais além dos sintomas apontados. Na visão do Mestre Indiano, Krishnamurti, a doença ou a perversão moral é apenas consequência; as causas são bem mais profundas cujas investigações revelam as raízes: a corrupção brota do âmago de estruturas políticas e sociais viciadas; de sistemas imperialistas, deterministas e de suas éticas mercantis, com reflexos destrutivos a qualquer desenvolvimento ético/humano, seja individual e/ou coletivo.

Comprovam-se os argumentos na lógica socialmente produzida no conjunto da sociedade: família, escola, religiões, academia até se atingir os espaços de poder. Em países já contaminados, no caso do Brasil, os primeiros reflexos são reveladores na infância dos indivíduos, na convivência familiar, quando aos pequeninos tudo é permitido, desde que comprovem superioridade em tudo e sobre todos; manifestem esperteza na arte de conquistar e dominar a qualquer preço; confirmem habilidade em chantagear coleguinhas,professores, avós, cuidadores; domínio sobre pequenos macetes tecnológicos; afeição ao consumismo e às novidades mercadológicas; enfim, desde que demonstrem inteligência superior e capacidade persuasiva. A tudo isso se justifica como natural: “é a ordem das coisas” ou “o mundo é assim mesmo”…

Em síntese, os corruptos são herdeiros por excelência do atual modelo de sociedade cuja ética determina e classifica os melhores, os vencedores, os dirigentes…

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