Parintinense curada de Covid-19 relata gravidade da doença e dias dolorosos

Foto: Susam.

Gilson Almeida | 24 Horas
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Parintins (AM) – A técnica em enfermagem Franciany Farias Andrade, 42 anos, conta que foram dias dolorosos durante o tratamento para vencer a Covid-19, no Hospital e Pronto-Socorro Delphina Aziz. Inicialmente, ela foi internada no Hospital Jofre Cohen, em Parintins, e em seguida transferida em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) aérea para Manaus.

Curada da doença, a profissional da saúde de Parintins recebeu alta médica do Hospital Delphina Aziz no dia 30 de abril. “A gente fica com muito medo, porque ouvimos muitos relatos desde o momento que teve o primeiro óbito em Parintins que inclusive eu o conhecia”, desabafa Franciany, que é do grupo de risco, por ter diabetes e ser cardíaca.

Ela revela que sentiu os sintomas de coronavírus nos três primeiros dias como a perda do olfato e paladar, com dois dias de febre e falta de ar. “Eu tenho uma cunhada que é enfermeira e liguei para ela. Ela me disse que eu estava com todos os sintomas. Eu fiquei em casa, porque a gente fica na esperança de que vai passar, pois não foi muito forte”, relata.

Mesmo assim, Franciany ficou em casa. “Passou cerca de sete dias. No oitavo dia, eu levantei disposta e tive esperança que havia passado. No entanto, no dia seguinte, comecei a sentir os sintomas de novo. Foi como se tivesse tido uma melhora tão rápida e depois caído uma bomba atrás de mim. Já comecei a sentir falta de ar e não consegui comer mais nada, pois tudo me enjoava”, descreve.

Após passar várias noites com dificuldades respiratórias, no dia 19 de abril, Franciany se dirigiu ao Hospital Jofre Cohen, onde foi diagnosticada com Covid-19 e iniciou o tratamento contra a doença. “Foi muito rápido. Quando eu estava no leito, eu já fui para os aparelhos e comecei a ficar sem ar. Eu vi o empenho dos profissionais da saúde fazendo de tudo para que eu melhorasse, mas percebi que não estava sendo possível”, recorda.

Ao apresentar sérios problemas respiratórios, a técnica em enfermagem ficou entubada por dois dias, no Jofre Cohen. Já no Delphina Aziz, permaneceu oito dias, seis em UTI e o restante no leito clínico até receber alta. “O tratamento é muito doloroso, porque o médico acompanha através dos exames de sangue. Acredito que seja para saber se a oxigenação estaria ficando normal. Quando saí, o médico falou que eu estava curada, inclusive me elogiaram pela força que tive”, declara.

Franciany segue as recomendações médicas e continua em Manaus em isolamento domiciliar por 14 dias por ser do grupo de risco desde a alta hospitalar.

Recuperada da Covid-19, a técnica em enfermagem ficou triste com o aumento diário dos casos do novo coronavírus e o descumprimento do isolamento social das pessoas, em Parintins.

“Hoje eu posso falar o que passei e que venci, mas muitos não conseguem. Eu digo para as pessoas da minha cidade, que amo tanto, que obedeçam o ficar em casa, a ordem de distanciamento, porque você só acredita quando é com você e sair só quando haver necessidade, pois essa doença é horrível e está levando muita gente a óbito. Agradeço também as pessoas que torceram pela minha recuperação”, pondera Franciany Andrade.

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