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Parintins perde Aiá o guardião do Trapiche

E nesta manhã de terça-feira, dia 9 de janeiro de 2018, a cidade de Parintins perdeu Aiá . Mas quem é Aiá ?
É do tempo da Ilha Tupinambarana de ruas de barros, das lamparinas, de quando os torcedores do Caprichoso e Garantido brincavam e brigavam em junho. Aliás, Aiá era apaixonado pela brincadeira do Bumbá, torcedor do Caprichoso e até criou um boizinho no quintal da casa dele. O Boi Estrelinha.

Mas, mais do que isso. Aiá era com Garça Branca, Engoli Cobra, Mãe Querida (Ainda vivo) símbolo do Porto de Parintins. Sem esquecer sempre o senhor Acinelson Viera padrinho eterno do Caprichoso. Passaram 40, 50 e até 60 anos no Porto.

Aiá e os amigos são da época dos trapiches de madeira, que depois passou a ser balsas, mas sem nenhuma proteção. Mais adianta um Porto melhorado e pequeno. Aiá era do grupo de carregadores, transportadores e estivadores que acompanham o embarque e desembarque de cargas e passageiros. E como essa classe deve está triste hoje.

E olha que esses homens carregaram muito peso, da farinha de mandioca ao pau rosa. Das bagagens simples, as mais chiques. De sol a sol, madrugada fria e no meio a chuva, estavam sempre no Trapiche atendendo. E sempre alegres e rindo. Uma alegria contagiante, mesmo nas dificuldades. Lembro que quando fui vendedor de Dindin (Flau) feito pela dona Ladir entre 1993/1995 sempre parava no Porto. Afinal era freguesia na certa. Ficava a observar aquele senhores que eram “pau pra toda hora” e sem nenhum equipamento de segurança e muito menos quase nenhum estudo, tinha conhecimento singular. Sabiam qual era época de enchente grande e ou se não teria. Talvez se os engenheiros tivessem escutados esses senhores. Jamais teríamos um Porto que já torrou mais de R$ 20 milhões de reais do dinheiro público, desde 2003, pois todo ano é reformado.

Mais do que isso, Aiá era Alexandre Machado de 85 anos. E Está sendo velado na Rua Getulio Vargas 1792 – centro e merece todos nossos aplausos.

Por Hudson Lima

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