Parintins tem Rasgadinho e Boiola os bois da diversidade LGBTQIA+

Em 2004, o Boi Boiola começou a dar os primeiros passos. Ele foi uma brincadeira criada pelo parintinense Tarcísio Gonzaga. “Surgiu como uma festa particular, mas os meus amigos acabaram sugerindo que abrisse para o público. No início, ficamos temerosos com represálias, porém, o boi Boiola conquistou as pessoas e vem crescendo a cada dia”, contou.

Para Tarcísio, o diferencial do boi Boiola é o sentimento de pertencimento. 

“Ele tem um espírito familiar muito forte. E a gente vem trazendo essa característica. Isso reflete em nossos itens, por exemplo. Não fizemos concurso para definir quem serão os representantes do boi. Escolhemos a pessoa pelo seu comportamento e comprometimento com a causa LGBTQIA+”, 

revelou ao Portal Amazônia.

 

Sabe quem é uma inspiração para a caracterização do Boi Boiola? É a atriz norte-americana Angelina Jolie. Da artista, o bumbá herdou os lábios. Já a cor rosa foi escolhida por representar a pureza. A maquiagem carregada e os cílios longos representam todas as performistas e drag queens. Na testa, o Boiola ostenta uma flor e seus chifres são enfeitados com dois laços.

“O Boiola é a nossa essência. Quando a gente se percebe gay, um novo mundo é nos apresentado. Um mundo cor de rosa, onde sonhamos com coisas boas e um príncipe encantado. Porém, quando a gente cresce, percebe que as coisas não são desse jeito. Daí que entra o Boiola, que traz a esperança para as pessoas”, afirmou Tarcísio.

 
Foto: Reprodução
 

O Bumbá Arco-íris

 

A história do bumbá Rasgadinho surgiu no sigilo. Em 2010, um grupo de amigos, que alugava a quadra da Escola João Bosco para jogar vôlei, aproveitava o momento para brincar e dançar como itens dos bumbás famosos. Aos poucos, a brincadeira ganhou um novo sentido e passou a ser uma festa.

 
Boi Rasgadinho. Foto: Reprodução/Facebook/Bumbá Rasgadinho
 
No início, o evento acontecia em uma chácara. De acordo com a vice-presidente do Rasgadinho, Shirley Marinho, parte do grupo não era assumido, então, o evento acontecia de maneira sigilosa.
 

“Para frequentar as festas do Rasgadinho, as pessoas precisavam receber um convite e não era permitido o uso de telefones dentro da chácara, afinal, algumas pessoas não eram assumidas para a sociedade”, 

contou Shirley.

Aos poucos, os membros iniciais foram assumindo as suas sexualidades e realizaram a primeira festa oficial do Boi Rasgadinho. A partir de então, os eventos do bumbá passaram a acontecer com maior frequência, principalmente, para angariar fundos visando a evolução da agremiação.

 

Confira algumas fotos do Bumbá Rasgadinho:

“Tudo surgiu de uma brincadeira, que evidencia a luta da comunidade LGBTQIA+. Os bumbás da diversidade são leves e divertidos. Que o mundo possa aprender com as nossas agremiações”, ressaltou Shirley.

 

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