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Planetas Solitários versus Anãs Castanhas

Fig01: WISE da NASA.

Há alguns anos, os astrónomos tornaram público que a Via Láctea contém muitos planetas solitários, isto é, planetas que não possuem qualquer companheiro planetário e/ou estrela hospedeira – por isso são muitas vezes denominados planetas que flutuam “livremente”. Naquela oportunidade, cogitou-se que o número de planetas solitários ultrapassaria, com facilidade, o número de estrelas na nossa Galáxia. Naquela época muitos questionamentos foram levantados, entre eles, citam-se: qual é a origem de tais objectos? Tratava-se de planetas que foram expulsos de outros sistemas estelares ou seriam estrelas leves chamadas anãs castanhas?

Aliás, a última pergunta é muito interessante. Anãs castanhas são aquelas estrelas que se formam sozinhas no espaço como as demais estrelas.

Recentemente, uma missão na qual os astrónomos utilizaram o WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) e o 2MASS (Two Micron All Sky Survey) obteve como resultado a identificação de um objecto de massa planetária que está a flutuar livremente dentro de uma jovem família estelar, denominada associação TW Hydrae.

Fig02: Constelação Hidra Fêmea.
Fig02: Constelação Hidra Fêmea.

 

Fig03: WISEA 1147.
Fig03: WISEA 1147.

Tal objecto foi batizado de WISEA J114724.10-204021.3, ou simplesmente  WISEA 1147, e sua massa é algo entre  cinco a dez vezes a massa do  Planeta Júpiter.  A questão-chave é: WISEA 1147 seria um planeta ou uma anã castanha? Uma corrente de astrónomos prefere dizer que WISEA 1147 é uma anã castanha e não um planeta. E para provar tal afirmação, esses astrónomos questionaram sobre todas as possibilidades de formação de   WISEA 1147 como anã castanha.

A observação mostrou que WISEA 1147 é na verdade um membro da família TW Hydrae. Ou seja, membro de uma família de estrelas muito jovens com menos de 10 milhões de anos de idade. Ao levar-se em consideração que a formação de um planeta não se dá em menos de 10 milhões de anos, logo, os astrónomos concluíram que de facto WISEA 1147 não é planeta.

Entendido. Então, podemos afirmar que não se trata de um planeta, certo? Sim. Podemos afirmar que é uma estrela? Resposta: talvez. Se       WISEA 1147 for uma estrela, então, ela teria que brilhar como uma estrela, mas isso não foi observado. Resta-nos, assim, assumir que WISEA 1147 seja uma anã castanha e afirmar que as anãs castanhas formam-se como as demais estrelas, porém, não apresentam massa suficiente para fundir átomos nos seus núcleos e, portanto, brilharem com luz estelar.

Entendido, então a questão está esclarecida, WISEA 1147 é uma anã castanha e ponto final, correcto? Resposta: ainda não. Falta-nos averiguar se WISEA 1147 se formou isolada ou não das demais. Caso ela tenha sido formada dessa maneira (isolada), então, a teoria em que o Sol teria uma irmã gémea começa a cair por terra. Afinal, teríamos mais estrelas solitárias no Universo.

Acontece que dentre os possíveis milhares de milhões de planetas solitários existentes  em nossa Galáxia,  e que foram anunciados, especula-se que  boa parte  daqueles  possam ser na realidade anãs castanhas  de baixa-massa, ao passo que  outra parte  são de facto planetas solitários, que foram expulsos de seus sistemas estelares de origem. Ironicamente a maior dificuldade em se determinar o tipo do objecto (planeta ou estrela) encontra-se justamente no facto do mesmo estar muito isolado. Consequentemente, o número de população de planetas solitários, assim como o de estrelas anãs castanhas é desconhecido.

Fig04: Mapa do céu.
Fig04: Mapa do céu.

A figura 04 mostra o mapa do céu obtido pelo WISE com infravermelha. Vale salientar que as anãs castanhas não apresentam brilho suficiente para serem detetadas pelos telescópios ópticos.  A observação de WISEA 1147 mostrou que essa anã castanha é muito jovem e poeirenta. Também através de dados colectados, os astrónomos puderam afimar que WISEA 1147 pertence à TW Hydrae, o que equivale a dizer que ela está a aproximadamente              150 anos-luz da Terra. Após a análise dos dados, os astrónomos   catalogaram WISEA 1147 como  uma das anãs  castanhas mais jovens e de menor massa da Via Láctea.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA, Membro da AIU, Membro da ST/Brasil, Membro do PLOAD/Brasil, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de Manaus, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

 

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