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Plutão – mais um desafio.

Figura 01: Imagens obtidas pela New Horizons, a mostrar a diversidade do solo de Plutão. As planícies ricas em água gelada exibem uma variedade de texturas superficiais, desde suaves e sulcadas até rugosas e adidentadas. Créditos da imagem: NASA/JHUAPL/SwRI.
Figura 02: Imagens obtidas pela New Horizons, a mostrar gelos voláteis que ocupam algumas crateras vizinhas, e em outras áreas o mesmo gelo volátil é crivado com poços de sublimação. Os depósitos de metano gelado cinza-brancos estão a modificar os cumes tectónicos. Créditos da imagem: NASA/JHUAPL/SwRI.
Figura 02: Imagens obtidas pela New Horizons, a mostrar gelos voláteis que ocupam algumas crateras vizinhas, e em outras áreas o mesmo gelo volátil é crivado com poços de sublimação. Os depósitos de metano gelado cinza-brancos estão a modificar os cumes tectónicos. Créditos da imagem: NASA/JHUAPL/SwRI.

 

Figura 03: Na imagem, destacam-se as camadas (aproximadamente 20 camadas) que se extendem até centenas de quilómetros, mas não estritamente paralelas à superfície. Créditos da imagem: NASA/JHUAPL/SwRI.
Figura 03: Na imagem, destacam-se as camadas (aproximadamente 20 camadas) que se extendem até centenas de quilómetros, mas não estritamente paralelas à superfície. Créditos da imagem: NASA/JHUAPL/SwRI.

Desde que foi descoberto, em 1930, Plutão era tido como (até então, um planeta gélido) onde toda e qualquer manifestação de “vida” e/ou actividade geológica fosse inimaginável. Hoje, Plutão é classificado como Planeta-anão e a raça humana foi capaz de enviar uma sonda até os limítrofes do Sistema Solar.

A New Horizons está a fornecer-nos inúmeras imagens de Plutão. Agora a tarefa é analisar tantos dados. E para surpresa de todos, o primeiro estudo sobre este tópico foi concluído e confirmaram-se a existência de uma geologia activa e muito diversificada. Plutão apresenta ainda uma química superficial, no mínimo, exótica, uma atmosfera complexa e uma interação nada trivial e muito misteriosa com o Sol, além, de um sistema de pequenas luas.

Para chegar até Plutão, a New Horizons fez uma viagem que durou     9,5 anos, percorrendo 4,82 mil milhões de quilómetros. Nas primeiras imagens, logo se percebeu que Plutão desafiaria todos os modelos já existentes. Mas a New Horizons não somente observou o Planeta-anão de perto, como também, observou Caronte. Desafio lançado, agora é montar o quebra-cabeça e tentar entender como tudo funciona e como tudo se encaixa.

As primeiras tentativas de entender a “geologia” de Plutão afirmam que a diversidade da paisagem do Planeta-anão é fruto de eras de interação entre o metano altamente volátil e móvel, com gelos de azoto e monóxido de carbono, além de água gelada inerte e resistente. Com ciclos de evaporação e condensação, muito mais ricos que aqueles existentes cá na Terra, tendo basicamente apenas um material que se condensa e evapora, no caso, a água. Nessa loucura completa de ciclos, o certo é que Plutão apresenta ao menos três materiais diferentes. O desafio é entender como eles se interagem.

As imagens revelaram também que, logo acima da superfície, a atmosfera de Plutão apresenta neblinas (ver figura 03) em camadas e é mais fria e compacta do que se previa. Ou seja, acreditava-se que o material atmosférico de Plutão se perdia no espaço a um ritmo acelerado. Entretanto, a perda de material da atmosfera de Plutão é semelhante à da Terra. O que significa isso? Em princípio, esse comportamento descreve como a atmosfera do Planeta-anão interage com o vento Solar. E é exactamente o metano, o principal gás a escapar da atmosfera de Plutão. Esse facto é surpreendente, pois, próximo à superfície de Plutão há uma concentração de 99% de azoto.

Mais uma vez, a natureza supera e muito a compreensão humana. A distância que separa a visão dos homens da realidade é gigantesca. E nesse meio fica uma lacuna (preenchida por inúmeras dúvidas). A única certeza que temos é que nada sabemos.

Só para termos uma noção do que vem por aí, os dados transmitidos pela New Horizons demoram aproximadamente 5h para chegar até a Terra. A seguir nesse ritmo, estima-se que até o final de 2016, todos os dados enviados possam chegar até a Terra para que possamos fazer as devidas análises. Isso significa que iremos falar muito sobre Plutão e muitos outros objectos da cinta de Kuiper.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da AIU, membro da PLOAD, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de Manaus, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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