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Plutão – parte 3

Fig01: Plutão.

Desde 2006, quando Plutão foi reclassificado como Planeta-anão, muitas pessoas manifestaram-se em prol da permanência de Plutão na categoria Planeta.

A sub-categoria não contentou muitos. Entretanto, estudos detalhados sobre Plutão revelaram que o planeta-anão interage com o vento solar [o fluxo contínuo de partículas carregadas do Sol] comportando-se menos do que se esperava como um cometa e mais como um planeta assimilado a Marte ou Vénus. A análise das interacções de Plutão com o vento solar foi realizada pela missão New Horizons, da NASA.

Fig02: Interacção de Plutão com o vento solar.
Fig02: Interacção de Plutão com o vento solar.

A fig02 mostra o tamanho e escala da interacção de Plutão com o vento solar. A priori, pensava-se que o planeta-anão não tivesse campo gravítico suficiente para prender os iões pesados em sua atmosfera estendida.  Entretanto, Plutão apresenta uma longa cauda (em vermelho) carregada com iões pesados, semelhantemente à Terra. Em púrpura, o planeta-anão exibiu uma plutopausa muito tênue e, em azul, encontra-se o limite entre a cauda iónica de Plutão e o revestimento do vento solar que lá choca. Aliás, é justamente este um empecilho ao seu fluxo.

Todos esses dados foram colectados pelo SWAP (Solar Wind Around Pluto) que está a bordo da New Horizons. Esta foi a primeira vez que observamos algum material a sair da atmosfera de Plutão e estudamos como ele interage com o vento solar.

Os investigadores têm em suas mãos um vasto banco de informações sobre o modo como a atmosfera de Plutão interage com o vento solar.  Chama-se vento solar ao plasma, libertado pelo Sol, que banha os planetas, asteróides, cometas e o espaço interplanetário em uma sopa constituída principalmente por protões e electrões.  Em geral os ventos solares viajam a 160 milhões de quilómetros por hora.

Alto lá, você comparou Plutão a um cometa, é isso mesmo?  Resposta: sim e não. Em momento algum dissemos que Plutão seja um cometa, não é isso. Entretanto, os astrónomos antigamente pensavam que o planeta-anão poderia ser compreendido mais facilmente se ele fosse comparado com o comportamento de um cometa (no sentido que Plutão tem uma grande região onde o vento solar desacelera suavemente. Facto que não ocorre com os planetas, onde a desaceleração é abrupta.). A conclusão é que Plutão apresenta comportamento híbrido, ou seja, ora ele se aproxima do comportamento de um cometa, ora de um planeta.

Pelo facto de Plutão estar muito distante do Sol (aproximadamente 5,9 mil milhões de quilómetros) e ser tão pequeno fez com que cientistas pensassem que o campo gravítico daquele planeta-anão fosse incapaz de manter os iões pesados na sua atmosfera estendida. Porém, a Astronomia provou que o campo gravítico plutaniano é claramente suficiente para manter aquelas partículas no confinamento.

O principal gás que escapa da atmosfera de Plutão é o metano. Com o auxílio do SWAP, os astrónomos conseguiram separar os iões leves de hidrógenio, oriundos do Sol, e os iões pesados do metano.

Foi constatado que Plutão tem uma longa cauda de iões, a qual se estende na direcção do vento solar [sua distância é aproximadamente 100 raios de Plutão, ou seja, 118.700 km. Em outras palavras, essa distância quase equivale a três vezes a circunferência da Terra].  Essa mesma cauda é carregada com iões pesados da atmosfera e com uma estrutura considerável. Outro detalhe, Plutão somente consegue bloquear o vento solar a altura de dois raios plutanianos (3 mil quilómetros) – este valor está bem aquém do que se  imaginava.

Ao compararmos a interacção entre o vento solar e Plutão e o vento solar com outros planetas e corpos ficam evidentes as peculiaridades de cada sistema. Este estudo fornecerá pistas sobre os plasmas magnetizados que poderão ser encontrados ao redor de outras estrelas.  A diversidade das interacções com o vento solar, ajuda aos astrónomos na busca pela melhor compeensão das ligações no Sistema Solar, e quem sabe, além deste.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA/UEA/CNPq, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da AIU, membro da PLOAD/Brasil e ST/Brasil, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de Manaus, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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