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Polícia Civil cumpre mandados na sede de Furnas em desdobramento da Lava Jato no RJ

Cerca de 120 agentes participam da ação na manhã desta quinta (8) (Foto: Cristina Boeckel / G1)

A Polícia Civil do Rio de Janeiro está nas ruas para cumprir mandados de busca e apreensão em um desdobramento da Operação Lava Jato na manhã desta quinta-feira (8). A investigação da Delegacia Fazendária mostrou indícios de corrupção em negociações da empresa Furnas, que fornece energia elétrica. A polícia encontrou indícios de corrupção envolvendo a compra de uma empresa. O responsável seria o ex-deputado federal Eduardo Cunha.

Os agentes cumprem 25 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e oito em São Paulo sobre lavagem de dinheiro, corrupção e desvio de verbas de Furnas.

A investigação das autoridades partiu de informações obtidas no termo de colaboração do ex-senador Delcidio do Amaral. Como um dos envolvidos é o ex-deputado federal Eduardo Cunha, que perdeu o foro privilegiado, a investigação ficou a cargo da Delegacia Fazendária da Polícia Civil do Rio.

A operação envolve 15 delegacias no Rio de Janeiro, além do Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de dinheiro da Polícia Civil, e uma delegacia em São Paulo. A ação conta com a participação de cerca de 120 agentes que buscam, principalmente, documentos que demonstrem as fraudes em Furnas.

Entenda como funciona o esquema

A investigação se baseou na compra, por parte de Furnas, da totalidade das ações da Serra do Facão Participações após mudança na legalização proposta por Cunha.

Segundo as investigações, no ano de 2007, Furnas possuía 49,9% das ações da Serra do Facão, sendo o restante de posse do Fundo de Participações Oliver Trust Servicer e outras empresas. Neste mesmo ano, Furnas desistiu da preferência de compra da totalidade das ações devido ao impedimento legal, já que empresas ligadas à Eletrobrás não poderiam ter participação majoritária em sociedades que tivessem concessão ou autorização de geração de energia.

Com isso, os 50,1% da Oliver e de outras empresas foram vendidas para a Companhia Serra da Carioca II por R$ 7 milhões. No entanto, em fevereiro de 2008, Cunha conseguiu, através de uma medida provisória, retirar o impedimento da Lei, permitindo meses depois Furnas adquirisse o lote de ações pelo valor de R$ 80 milhões.

Segundo Delcidio, Cunha era ligado a sócios da Carioca II e está ligado aos esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a construção da Hidrelétrica Serra do Facão, assim como teria ligação direta com ex-funcionários de Furnas. Segundo a polícia, todos se beneficiaram por meio da prática de atos de corrupção, além de desviarem e lavarem capitais.

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