Polícia prende mais um envolvido na depredação da delegacia de Barreirinha

Gilson Almeida | 24 Horas
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O delegado Adilson Cunha, titular da Delegacia de Polícia Civil de Parintins, passou dois dias em Barreirinha para dar continuidade na investigação do caso de vandalismo cometido a delegacia do município dia 20 de dezembro do ano passado em que resultou na morte de duas pessoas. O ato foi resultado da revolta da população devido o crime bárbaro contra uma criança de um ano e cinco meses que foi estuprada e morta pelo padrasto Alex Pereira Albuquerque. O crime contra a criança aconteceu na comunidade Terra Preta, zona rural de Barreirinha. O acusado foi preso ainda na comunidade pela Polícia Civil e conduzido para a delegacia. Indignados com o crime, populares depredaram o prédio da unidade e incendiaram duas viaturas com o objetivo de retirar o suspeito da cela para linchá-lo. 13 mandados de prisão foram expedidos pela juíza de direito, Larissa Padilha Roriz Penna. A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar o caso.

Alex  Pereira Albuquerque. Foto: Reprodução.

Nove policiais militares de Parintins, com material de choque, e cinco de Boa Vista do Ramos foram deslocados para Barreirinha para dar apoio na situação a fim de resguardar o local e retirar o infrator do município. Os atos de violência duraram até as 02h da madrugada, após a Força Tática intervir com uso de material de distúrbio civil. O acusado foi retirado do local e transferido para Parintins.

Foto: Divulgação.

No ato de vandalismo, Otávio Gabriel de Souza Lopes, de 20 anos, e Roniel Viana de Carvalho, de 26 anos, foram mortos ao serem atingidos por disparos de arma de fogo feitos pelos policiais. Otávio foi atingido no pescoço e
Roniel foi alvejado na cabeça.

Otávio Lopes e Roniel de Carvalho. Foto: Reprodução.

De acordo com o delegado Adilson Cunha, além de pedras e pedaços de paus, houve disparos de espingarda calibre 12 contra a delegacia de Barreirinha. Ainda segundo ele, no total dez pessoas foram presas entre elas uma mulher. “Dessa vez a nossa missão foi muito produtiva porque foi preso mais um dos envolvidos que inclusive é citado em vários depoimentos como sendo um dos principais autores dos danos causados a delegacia. Ao mesmo tempo começamos a ouvir os parentes das vítimas dos dois jovens que vieram a óbito pelos disparos de arma de fogo dos policiais e já estamos bem adiantado em relação a essa investigação, mas ainda faltam alguns serem ouvidos haja visto que foram várias pessoas citadas e algumas delas ainda não foram localizadas”, disse Adilson Cunha.

O delegado informou também que a equipe ainda retornará à Princesinha do Ramos para concluir esse procedimento e ser feito o relatório para ser encaminhado à Justiça. “Agora as investigações serão da participação de cada um daqueles que ainda não foram ouvidos. Caso eu ache necessário vou representar também pela prisão preventiva. O objetivo principal agora é fechar o relatório e enviar para a Justiça para que possamos realmente determinar, individualmente, a participação de cada um para que eles possam responder por aquilo que cometeram, tanto daqueles que depredaram a delegacia quanto os que efetuaram os disparos de arma de fogo e acabaram causando a morte dos dois cidadãos. No total, foram dez pessoas presas. As outras ainda não conseguimos localizar e a Justiça deferiu a prisão domiciliar das mesmas”, explicou.

Nenhum policial foi preso. “Nenhum dos policiais foram presos até porque não era no momento caso de flagrante porque eles agiram, no meu entendimento, protegendo a delegacia e todos que estavam dentro da unidade que estava em chamas, mas serão investigados e se a Justiça entender que não foi dessa forma eles vão responder por aquilo que cometeram”, assegurou Adilson.

Alex Pereira Albuquerque segue preso na delegacia de Parintins e está à disposição da Justiça. O inquérito da morte e estupro da criança de um ano e cinco meses foi repassado para o titular da Delegacia de Polícia Civil de Barreirinha que dará continuidade nas investigações

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