Primeiro museu indígena do Brasil guarda história do povo Ticuna no AM

O “Museu Magüta” é o primeiro museu indígena do Brasil e está localizado na cidade de Benjamin Constant, no interior do Amazonas, na fronteira com o Peru. O prédio recebe turistas, estudantes e pesquisadores de várias partes do país, por ser guardião da história e cultura do povo Ticuna.

 

Entre as memórias de uma das maiores etnias do Brasil, está a sua mitologia. Representada em madeira pelos quatro filhos do deus Mütapa, Joi, Ipi Moacha e Aiquinã, no museu estão expostas também as vestimentas usadas na cerimônia da “Moça Nova” pelos indígenas.

 

A cerimônia acontece quando uma menina Ticuna menstrua pela primeira vez e ganha uma festa. Em uma sala do museu, estão guardados os personagens que faz parte do ritual. Fantasias simbolizam a proteção de seres sobrenaturais sobre a menina indígena.

 

O principal guardião do rito de passagem da menina Ticuna para a vida adulta é o pai do vento. Além dos bichos da floresta como a cobra grande, garça, coruja e o vagalume. A festa é regada a bebida Pajuaru feita a partir da fermentação da mandioca e armazenada antigamente em grandes potes de cerâmicas.

 

“Hoje, essa tradição da cultura do povo Magüta ainda permanece fortemente aqui na nossa região do Alto Solimões. Ela recebe o manto, o cocar, os colares. Então, no momento em que ela se consagra, consagra o mundo do povo indígena e o mundo da sociedade”, disse o diretor do museu, Santos Cruz.

 

Um grupo de estudantes que fez uma visita ao museu descobriu que a palavra “Magüta” siginifica “povo pescado no igarapé eware”. Hoje, o nome foi substituído pelo Ticuna, que significa “homens pintados de preto”, por causa da pintura a base de jenipapo. São as pinturas corporais que definem os clãs de cada família.

 

“Tinha alguns objetos aqui que eu não tinha conhecimento. Hoje, entrando aqui, me deparei com muita coisa boa, muita coisa que eu não conhecia, lendas históricas do povo Ticuna”, afirmou a estudante Judite da Silva.

 

No museu ainda estão expostos materiais usados nas aldeias Ticuna como as máscaras, cerâmicas, artesanatos, colares, cestarias, pinturas em tela, instrumentos musicais e armas de caça e pesca, além de outros objetos curiosos.

 

“Aqui no ‘Museu Magüta’, temos algumas curiosidades, como a língua do pirarucu que é usada para raspar o açafrão, o alho e também serve nas comunidades para as mulheres rasparem seus pés para ficarem mais bonitas”, disse o diretor do museu.

 

Para os Ticuna, o “Museu Magüta” simboliza a luta pelos direitos sociais nas 241 aldeias da região do Alto Rio Solimões.

 

“O museu é um local onde a gente demonstra como os Ticunas eram e as lutas que fizeram, como estão organizados hoje. Saíram daqui as lutas, como demarcação de terra, educação indígena diferenciada, saúde indígena. Houve um período muito importante e para mim é muito importante manter esse local. Com todo cuidado e respeito, estou aqui e quero fazer mais pelo meu povo”, afirmou o estudante indígena Santos Clemente.

 

A entrada no museu custa apenas R$ 10. Pouco diante da imensidão de conhecimentos que o povo Ticuna tem a oferecer com a sua vasta cultura milenar.

 

*Com informações de Rôney Elias, da Rede Amazônica

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