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Professores do estado em greve e Parintins fica sem aula por tempo indeterminado

A maior cidade do interior do Amazonas, Parintins, está sem aula nas escolas estaduais por tempo indeterminado. Isso mesmo. Os professores e demais profissionais da educação do estado, lotados na Ilha de Tupinambarana decidiram paralisar as atividades e fazer greve.

Cobram reposição salarial que não sai desde 2014. Esses profissionais cansaram de esperar a boa vontade da negociação entre Governo e o SINTEAM (Sindicato que na teoria representa a classe dos professores), mas que na prática perdeu a legitimidade perante os educadores de Parintins. Movimento começou em janeiro de forma tímida, foi ganhando, ganhando corpo e adesão. Nas últimas duas semanas ao menos quatro passeatas e carreatas pelas ruas e Praça de Parintins lotaram. O governo e o SINTEAM de novo, ao olhos dos professores de Parintins, tentam empurrar com a barriga a negociação. Como é ano eleitoral e pelo calendário oficial a partir do dia 07 de abril, nenhum gestor pode conceder aumento, os educadores suspeitam de mais um calote. Os professores ganharam apoio dos alunos, mas estão pedindo apoio dos pais para o movimento paredista.

A imprensa acompanha a movimentação na Ilha desde a primeira reunião e tem convicção de não se tratar de um movimento politiqueiro. Claro que os professores vão precisar dos políticos, afinal no Brasil o nosso sistema é democrático. A justificativa de dizer “mas só fazem isso em ano eleitoral” também é outra balela. Afinal qual melhor momento de se fazer reivindicação que não seja justamente quando o “político” se transforma em “bonzinho” no meio do povo e promete fundos e mundos?

A greve dos professores iniciada em Parintins e que deve alcançar outras cidades também é o reflexo da insatisfação com a classe política do Brasil e do Amazonas. Escândalos da Lava Jato Federal, escândalos da Maus Caminhos no Estado. Desviou de milhões e milhões de reais da saúde. Provoca a indignação de qualquer cidadão que necessitada do básico para sobreviver.

Conclamamos o SINTEAM a apoiar a classe de Parintins, e dessa forma os seus dirigentes mostrar pouco de bom senso. Pois de outra forma fica a nítida impressão que no SINTEAM virou mesmo o balcão de negociatas a qual determinadas “panelinhas” são beneficiadas com cargos e empregos, enquanto a coletividade fica à míngua. Muito tem se ouvido sobre isso nas passeatas de Parintins.
A seguir a carta enviada no final do dia 15 de março, quando a Comissão de Parintins decidiu paralisar.

A COMUNIDADE

Carta aos pais, responsáveis dos alunos da rede Estadual e sociedade em geral

Parintins, 15 de março de 2018 – DIA DE LUTA

Os servidores em Educação do Estado do Amazonas lotados em Parintins comunicam aos Pais, responsáveis e a sociedade em geral que estão em ESTADO DE GREVE POR TEMPO INDETERMINADO, fundamentados pelo Artigo 9º da Constituição Federal que diz: “Art.9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.”, devido ao não cumprimento há 4 anos da Lei nº 3.951/2013 atualizada em maio de 2014 através da Lei 4.042/2014, a qual prevê em seu art. 39, o dia 1º de março de cada ano como data base para reajuste do vencimento e da remuneração dos servidores pelo plano de cargos, carreiras e remuneração; cancelamento do plano de saúde e vale alimentação, direitos adquiridos com muita luta da classe.

Durante os últimos 4 anos o sindicato esteve em negociação com governo representando a categoria e não obteve sucesso, por isso os profissionais em educação sentiram a necessidade de ir para as ruas, se manifestar para chamar a atenção do governo, já que este é um ano eleitoral e por força de lei proíbe reajustes acima da inflação. A HORA É AGORA, não podemos mais esperar e contamos com o apoio da SOCIEDADE.

Escolhemos a educação porque acreditamos que podemos contribuir para um mundo melhor, onde os indivíduos não sejam meros reprodutores do sistema de alienação, mas cidadãos livres para construir sua história. E é por acreditarmos nisso, que estamos lutando por DIGNIDADE e VALORIZAÇÃO.

Assinam: Servidores em Educação do Estado do Amazonas

Com informações de Hudson Lima | PinAm

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