Professores, estudantes e movimentos sociais vão às ruas de Parintins protestar contra Impeachment de Dilma Rousseff

No final da tarde de hoje, dia 1º de maio, professores, estudantes universitários e componentes de movimentos sociais de Parintins-AM (distante 369 km de Manaus), foram para frente do Bumbódromo em mais um manifesto contra o Impeachment da presidente Dilma Russeff, e dizer que não haverá “Golpe” e sim haverá luta para defender o Estado Democrático de Direito.

Manifesto contra o Impeachment – Foto: Wendel Melo

Os dizeres estavam em faixas, em carta aberta a comunidade universitária e ao povo amazonense e em discursos proferidos pelos manifestantes. Tanto professores quanto estudantes e representantes de movimentos sociais, pediam a população parintinense e ao povo brasileira que acorde e vá às ruas lutar contra o que eles taxam de manipulação de informações por parte da grande mídia (em faixas com símbolos da Globo), que segundo eles ameaça destituir a presidente, legitimamente eleita. Na carta eles também alertam contra um golpe institucional movido por grupos reacionários e financiados pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e por grupos estrangeiros.

Em outro parágrafo da carta, os manifestantes foram enfáticos ao afirmar que a bancada do Estado do Amazonas que votou a favor do Impeachment, defendeu interesses próprios e não os representam. “Os deputados demostram enorme dificuldade em avaliar os impactos do progressivo de enfraquecimento do Parque Industrial de Manaus – de onde saem os recursos para quase todo o investimento público do estado, inclusive para a UEA, mantêm alianças espúrias com elites locais corruptas e se mostraram insensíveis em considerar os anseios do povo amazonense que teve sua vida transformada por programas sociais como o Luz para todos e o Bolsa Família”.

Os manifestantes lembraram ainda que, um governo de coalizão da centro-direita comandado pelo PMDB, ameaça os direitos sociais de trabalhadores e aposentados, sinaliza a privatização de bancos públicos e estatais e aponta pata o enfraquecimento das Universidades pública.

Os deputados federais que para os manifestantes votaram em desfavor do Amazonas são: Alfredo Nascimento (PR), Arthur Virgílio Neto (PSDB), Átila Lins (PSD), Conceição Sampaio (PP), Hissa Abrahão (PDT), Marcos Rotta (PMDB), Pauderney Avelino (DEM) e Silas Câmara (PRB).

Leia na íntegra a carta aberta à comunidade universitária Cesp-UEA e ao povo amazonense, distribuída pelos manifestantes.

“Carta aberta à comunidade universitária Cesp-UEA e ao povo amazonense
Vivemos momentos de turbulência no cenário político brasileiro no qual o frágil equilíbrio de forças e instituições republicanas, a manipulação de informações por parte da grande mídia e os efeitos de mais uma grande crise do capital internacional ameaçam de destituição a presidente Dilma Rousseff, legitimamente eleita da disputada campanha de 2014.
No de nossa profissão, como professores, pesquisadores, mediadores e formadores de opinião, tornamos público nossa posição contrária ao impeachment que tramita no Senado Federal e rechaçamos os lamentáveis eventos que fazem ampliar na sociedade posturas conservadoras e fascistas. O fortalecimento da democracia brasileira passa, necessariamente, por um debate aberto entre as diferentes classes sociais, mas parte sobretudo do reconhecimento de que vivemos ainda em um país desigual, racista, machista e autoritário, no qual as classes médias lutam agora para retroceder nos avanços históricos conquistados nos últimos anos.
Sobre o mando da crise econômica, um futuro governo de coalizão da centro-direita, sob a liderança do PMDB, ameaça os direitos sociais de trabalhadores e aposentados, sinaliza a privatização de bancos públicos e estatais e aponta pata o enfraquecimento das Universidades pública. Tudo isso nos parece inaceitável.
Quanto ao combate a corrupção e recuperação da confiança no governo central da nação, acreditamos que isso não se fará entregando a presidência da república à Eduardo Cunha – réu por corrupção do STF – e a seus aliados em um partido cuja principal bandeira tem sido o fisiologismo e as barganhas políticas mais baixas e repugnantes. A histórica votação do processo de impeachment na Câmara dos Deputados revela o quanto a maioria dos políticos profissionais não nos representam, a começar pela bancada do Estado do Amazonas que votou em nome de interesses próprios. Esses mesmos deputados demonstram enorme dificuldade em avaliar os impactos do progressivo enfraquecimento do Parque Industrial de Manaus – de onde saem os recursos para quase todo o investimento público do estado, inclusive para a UEA, mantêm alianças espúrias com elites locais corruptas e se mostraram insensíveis em considerar os anseios do povo amazonense que teve sua vida transformada por programas sociais como o “Luz para todos” e o “Bolsa Família”.
Somos contra qualquer tipo de corrupção, mas vemos com descrença a atuação seletiva da “Operação Lava Jato” e a continuação das investigações em um poder judiciário politizado, que historicamente no Brasil tem ficado do lado da elite branca e detentora dos meios de produção. Mais escandaloso ainda é ver a bandeirada moralidade pública levantada por um futuro governo, composto em sua maioria por políticos investigados que se arvoram a julgar uma presidente sobre a qual não pesa nenhuma acusação, a não ser a farsa jurídico-institucional das pedaladas fiscais.
Não se trata aqui de defender apenas o Estado Democrático de Direito, ele próprio muitas vezes injusto com os despossuídos. Nossa posição é favorável à luta contara qualquer tipo de arrocho salarial, contra o aumento de impostos, contra a perda de direitos e contra um golpe institucional movido por grupos reacionários e financiados pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e por grupos estrangeiros. O impeachment fará desaguar sobre as classes mais pobres e sobre as costas dos que mais trabalham e produzem os efeitos de um ajuste fiscal, feito para blindar as grandes indústrias e o capital especulativo. Por isso, nós professores convidamos toda comunidade acadêmica para ir às ruas assumir sua posição: Não vai ter golpe! Vai ter luta!

Com informações de Wendel Melo

Confira as fotos de Wendel Melo – Manifesto contra o Impeachment da presidente Dima Russeff em Parintins

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