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Proxima b

Fig01: Proxima b e a estrela Proxima Centauri

Um grupo de astrónomos confirmou a detecção de um exoplaneta cuja massa é aproximadamente igual a da Terra. Este planeta encontra-se nas mediações de Proxima Centauri, a estrela mais próxima do nosso Sol. Devido sua localidade, o planeta foi denominado Proxima b. Sua órbita viabiliza a existência de água líquida em sua superfície, facto que tem animado muitos astrobiólogos. Afinal, seria este exoplaneta habitável?

Para começar a responder esta pergunta, teve-se que realizar um estudo a cerca das propriedades da superfície planetária. Em princípio, acredita-se que Proxima b talvez tenha sua superfície totalmente coberta por água. A comparação poder ser feita com a água dos oceanos subterrâneos encontrados no interior das gélidas luas de Júpiter e Saturno. Por outro lado, o exoplaneta apresentou um núcleo de metal (que corresponde a 2/3 da massa planetária), o que em outra hipóte,  o aproxima muito de  Mercúrio.

Fig02: Concepção artística de Proxima b.
Fig02: Concepção artística de Proxima b.

A estrela mais perto de nosso Sol, a Proxima Centauri, na verdade tem um sistema planetário que consiste, no mínimo, de um planeta: Proxima Centauri b ou, simplificadamente, Proxima b. Com uma massa equivalente a 1,3 massas terrestres, este exoplaneta está apenas a 0,05 U.A. de sua estrela-hospedeira. Ou seja, um-décimo da distância Sol-Mercúrio.

Se você pensou que a proximidade com a estrela conferiria temperaturas elevadas em Proxima b, então, se equivocou. Vale lembra-lo que a Proxima Centauri é uma estrela do tipo anã vermelha, isto é, sua massa e seu raio são somente um-décimo da massa e raio do nosso Sol, respectivamente. Em outras palavras, Proxima Centauri brilha 1.000 vezes menos que o Sol, logo, por mais estranho que pareça Proxima b está dentro da zona habitável de sua estrela, o que favorece a presença de água líquida em sua superfície.

Fig03: Proxima Centauri na constelação do Centauro.
Fig03: Proxima Centauri na constelação do Centauro.

Mas a realidade é bem diferente. Por ora, todas as características descritas acima são apenas o que a equipa de astrónomos suspeitam. Falta, na prática, as medições detalhadas de Proxima b. Acontece que,  em certos casos, não se pode determinar directamente o raio do planeta. Assim, uma alternativa é ir por tentativa e erro, ou seja, admite-se que o planeta seja gasoso. Fazem-se os cálculos e ficamos à espera do resultado.   Ao aplicarmos esse método em Proxima b, a resposta obtida foi negativa. Próximo passo é admitir que o planeta fosse rochoso, após alguns cálculos, eis a reposta: afirmativa. Os cálculos bateram com os dados observados. Portanto, a primeira informação já foi conseguida: é um planeta rochoso.  Se avançarmos nos cálculos, notaremos que seu raio ficará no intervalo de 0,94 a 1,4 vezes o raio terrestre (que é de 6.371 km). Este estudo mostrou que o raio mínimo de Proxima b é de        5.990 km, e a única alternativa para se chegar a esse valor é aceitarmos a hipótese que o exoplaneta seja denso.  Neste contexto, a composição mais adequada é constituída por um núcleo metálico (que corresponde a 65% da massa do planeta) e o restante fica a formar um manto, também, rochoso – feito de silicatos. Assim exposto, a fronteira entre estes dois materiais é da ordem de 1.500 km de profundidade. Essa solução faz com que Proxima b seja muita similar com Mercúrio (que também apresenta um núcleo metálico e denso).

Facto interessante é que a comparação com Mercúrio, não lhe tira a possibilidade em apresentar água líquida na superfície. Só para lembrar, na Terra, o volume de água não ultrapassa a marca dos cinco centésimos da massa de nosso planeta.

Por outro lado, outra hipótese admite que o raio de Proxima b pode chegar a 8920 km, neste cenário, o exoplaneta seria formado por 50% de rocha e outros 50% de água. Assim, não seria exagero algum dizer que a superfície de Proxima b estaria facilmente inundada em um oceano com 200 km

de profundidade. Neste cenário, a pressão seria enorme e a água ficaria em forma de gelo antes mesmo de atingir o limite do manto a 3100 km de profundidade. Por consequência, surgiria uma tênue atmosfera gasosa a cobrir o planeta, facto, que o deixaria parecido com a Terra e o tornaria potencialmente habitável.

Evidentemente que este estudo não está acabado. Pelo contrário, temos muitos estudos pela frente. Um passo a ser dado é a medição da quantidade de elementos pesados tais como magnésio, ferro, cobre, silício e manganês, entre outros.

Portanto, neste texto, foram apresentados dois cenários: um em que o exoplaneta é seco e/ou com pouca água e outro em que a quantidade de água é abundante. Para cada caso, foi estimado um raio. O fundamental neste estudo não é a questão da habitabilidade, antes disso, notamos que existem muitos planetas parecidos com a Terra do que imaginamos. A habitabilidade virou apenas um detalhe. Porém, para quem não abre mão deste detalhe, é meu dever lembrá-lo que Proxima b está cerca de 4,2 anos-luz de distância da Terra. Quando se fala em Astronomia, esta distância é irrisória.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA/UEA/CNPq, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da UAI, membro da PLOAD/Brasil e ST/Brasil, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Director do Planetário Digital de Parintins-NEPA/UEA/CNPq, Director do Planetário Digital de     Manaus-NEPA/UEA/CNPq, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

 

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