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Quem é ele?

Sinny Lopes| Parintins 24 Horas

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Nos versos de Ronaldo Barbosa entrelaço cenas de festivais memoráveis, momentos marcantes de puro encanto e emoção: Quem é ele?

Há 30 anos um jovem artista de tuxauas torna-se o pajé do Boi Caprichoso. Seu nome Waldir. Mal sabia todos, e ele próprio, que este nome entraria para a história do festival de Parintins, do Boi Caprichoso e que se tornaria um ícone da cultura parintinense.

O Jovem Waldir revolucionou o item de curandeiro da tribo, inseriu a arte e a expressão corporal, a encenação, a dança indígena a movimentos que desafiam a gravidade. Ousadia é uma das marcas registradas deste artista sem igual ao cuspir fogo; ao falar com os espíritos na incorporação teatral na arena do Bumbódromo; ao conduzir o balé das tribos; em suas indumentárias de ráfia e palha da costa; criou um estilo de dança que o tornou invencível por décadas encantando nativos e visitantes.

Lembro-me bem do ano: 1996. Meu primeiro ano no solo sagrado de Parintins, a primeira vez que contemplei o teatro a céu aberto e que pisei no chão de bravos, deuses, deusas, rainhas e de reis; o templo da cultura e do folclore amazonense: o Bumbódromo. Depois de algumas horas de intensa luz que revelava um espetáculo de cor e som frenético que me impulsionava a dançar, de repente o som muda; a batida muda; o ambiente muda.

Um breu. Alegorias gigantescas a surgirem dos portais, vaga-lumes nas arquibancadas (as candeias) é feito o anúncio do grande ritual. Uma figura oponente no centro da alegoria: estático e concentrado. O levantador ecoa a sua toada. É fogo! São fogos! São gritos! É lindo… É único!

Um homem ou um deus? Um ser humano ou um titã?

É anunciado: pajé do Boi Caprichoso!

Ele toma o centro da arena em direção ao praticado à frente da comissão julgadora, saem às alegorias em um sincronismo fascinante. Entram as tribos no esmo escuro: o breu é total. Em suas mãos, rosas azuis igualmente seguradas pelo jovem trajando uma fantasia de penas brancas, dorso azul e com cabeça de arara azul. Faz-se um ponto de luz em meio ao coração da floresta e qual a uma estrela brilha no firmamento.

Um gesto, um aceno: toca a toda “Eleva guerreiro tua oração. Deus Tupã, deus Tupã! Bendiz o senhor de toda criação. Acende a fogueira faz festa ao redor. Exalta dançando o teu criador”. Começa sua dança tribal, com giros que parecem sobrenaturais, movimentos que o fazem levitar e atingir o céu de Baíra. As tribos? Inertes, a contemplarem!

Outro gesto, o sinal, para a grande dança da noite. Cada índio e índia o seguem em uma dança de consagração e beleza. O momento é de arrepiar. De repente, luz em suas mãos. As rosas azuis brilham na arena, brilham nas arquibancadas gerais e nas especiais. Os gritos, cada vez mais altos, frenéticos, intensos e arrepiantes.

É louco! É loucura! São loucos! São insanos! São apaixonados! São torcedores em êxtase!

Um facho de luz na arena, apenas um. Qual um sol em pleno meio dia, em rotação e translação, o pajé se faz mito e imortal. Nasce um ídolo diante dos olhos do visitante que o vê desta forma 20 anos depois.

Mas, afinal, quem é ele?

Ele é o Painy-Pajé! Ele é o templo! Ele é Monã!  Ele é o rei benzedor! Ele é presciente e o anjo feiticeiro!

Ele é o Misterioso Kuraca! Ele é o boia-çica! Ele é o Yaskomo! Ele é o Truda! Ele é o Yakapá!

Ele é pataxó! Ele é Aura! Ele é Ayahuasca! Ele é Auri-cauá! Ele é Xamânico!

 Ele é Mawuaca! Ele é o Kãñipaye-ro! Ele é o Yaraware erukê! Ele é Myrakãwéra! Ele é Ashaninka!

 Ele é Amarun! Ele é o senhor dos mil nomes! Ele é mito! Ele é histórico! Ele é eterno! Ele é…

WALDIR SANTANA!!!

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