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“Reconhecimento vem com resultado”, afirma Graciliano Rocha, editor do BuzzFeed News no Brasil

A partir da esquerda: Alexandre Aragão, Graciliano Rocha, Severino Motta, Tatiana Farah e Filipe Coutinho

Lançada no país em 2016, a editoria de notícias do BuzzFeed Brasil causou surpresa entre jornalistas e internautas ao dar seu primeiro furo de maior repercussão, o da lista de codinomes da Odebrecht para os políticos que recebiam dinheiro da empreiteira. A reportagem publicada em 9 de dezembro marcou território de um veículo que era conhecido por seu viés de entretenimento.

“A maior audiência da TV Globo é novela. Acontece o mesmo na Grã Bretanha com a BBC, mas é uma marca mundialmente reconhecida pelo jornalismo”, comentou o editor do BuzzFeed News no Brasil, Graciliano Rocha. “A gente não se envergonha dessa origem, mas também produzimos jornalismo. A tendência natural é diminuir o preconceito à medida que apresentarmos resultados”, afirma.

Rocha mira o exemplo do BuzzFeed News dos Estados Unidos, lançado em 2013. “Matéria nossa lá já foi finalista do Pulitzer. Você consegue esse reconhecimento entregando resultado. Nossa noção é muito simples, notícia é aquilo que ninguém estava sabendo. No começo, eu tinha até que soletrar BuzzFeed para as fontes”, relata o editor. De acordo com ele, a proposta da equipe de apenas cinco pessoas é focar em furos de reportagem, por isso a produção fica restrita a seis matérias diárias, em média.

Depois de trabalhar na Folha de S. Paulo de abril de 2008 a março de 2016, Rocha comentou a mudança para ele que foi sair do jornalismo tradicional impresso para um site conhecido pela interatividade. “A concorrência na internet não é só jornal e revista. Tem que apresentar a notícia do melhor jeito para não se perder no meio do barulho”, afirma o editor, que usou de exemplo uma série de matérias nas quais foi possível embedar fotos, áudios e vídeos.

Crédito:Divulgação
Rocha trabalhou na Folha por quase oito anos

“Por exemplo, na cobertura da CCJ, foram vídeos curtos no Twitter do BuzzFeed. Não precisa escrever quando um vídeo curto conta a história A matéria do Fernando Holiday tem texto. Como a gente tinha prova, embedamos áudio e documento também”, exemplificou. Outro caso de sucesso editorial e de repercussão na mídia foi o do diálogo entre Aécio Neves e Gilmar Mendes.

“Quando saíram os áudios da JBS, e como só a gente tinha, transcrevemos. A primeira matéria que nós fizemos foi tradicional. Dias depois, a gente achou esse áudio. A Folha deu essa matéria como texto. Mas o áudio a gente achou primeiro. Montamos o vídeo com fotos dos dois”, explicou.

Do Portal Imprensa

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