Restos mortais encontrados na Valéria têm aproximadamente mil anos

Urna foi encontrada no dia 1 de agosto por moradores da localidade, o material já está sendo estudado.

Trata-se de uma urna funerária feita de cerâmica onde eram depositados para sepultamento dos entes falecidos de antepassados indígenas que residiram na região no passado distante

Da Redação | 24 horas

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Parintins (AM) A urna funerária feita em cerâmica encontrada por comunitários da região da Valéria abriga restos mortais de um indígena que viveu na região próximo ao ano mil da nossa era. O achado foi divulgado no programa Ciranda da Cidade da Rádio Alvorada e repercutido pelo 24 horas no link: https://parintins24hs.com.br/moradores-da-comunidade-da-valeria-encontram-urna-funeraria-revestida-com-ceramica/

A professora do curso de História da Universidade Estadual do Amazonas, Doutoranda em antropologia/arqueologia na UFPA,  Clarice Bianchezzi, com um grupo de alunos Grupo de Pesquisas em Educação, Patrimônio, Arqueometria e Ambiente na Amazônia – GEPIA, esteve na localidade. Nesta manhã ela divulgou nota a imprensa esclarecendo todos os procedimentos que estão sendo tomados para os estudos do material encontrado. Acompanhe a nota na íntegra.

Nota a Imprensa

O exemplar cerâmico localizado na Comunidade Santa Rita, na região da Valéria, no último dia 01/08/2018, trata-se de uma urna funerária feita de cerâmica onde eram depositados para sepultamento dos entes falecidos de antepassados indígenas que residiram na região no passado distante (próximo ao ano 1.000 da nossa era).

Desta forma, o que foi encontrado é um vasilhame cerâmico capaz de abrigar uma pessoa adulta em posição fetal, contudo conforme observamos o achado, o crânio foi colocado abaixo e as demais partes acima, sendo que hoje observa-se os ossos sobrepostos ao crânio, um dos modos que muitos indígenas no passado sepultavam seus mortos.

O material encontrado é patrimônio de elevado valor para estudos sobre a história da ocupação humana da região de Parintins, do Amazonas, do Brasil e da América do Sul. Estamos tomando as medidas necessárias para que este material possa ser estudado por arqueólogo e bioarqueólogo, em parceria com o Museu Amazônico – MUSA (Manaus) e com o Grupo de Pesquisas em Educação, Patrimônio, Arqueometria e Ambiente na Amazônia – GEPIA, do Centro de Estudos Superiores de Parintins da Universidade do Estado Amazonas – CESP-UEA da qual eu faço parte, que agrega professores de diferentes áreas de conhecimento e que vem desenvolvendo diversos estudos sobre arqueologia e afins na região de Parintins, sendo que um desses estudos tem apontado a existência de mais 30 sítios arqueológicos dentro dos limites do munícipio, sem mencionar os já identificados nos municípios vizinhos. O que demonstra a urgência de políticas pública, tanto municipais e estaduais de valorização do patrimônio arqueológico de Parintins para melhor compreensão da História local.

A urna funerária que virou notícia esta semana demonstra, assim como outros materiais cerâmicos que quase todos os dias são encontrados por moradores, a urgente necessidade de investir em pesquisas científicas e na construção de um local que possa receber, tratar e expor esse rico patrimônio arqueológico presente nos inúmeros sítios, tais como Valéria, Macurany, Parananema, Laje (na comunidade de Santa Maria da Vila Amazônia), Miriti e tantos outros que já foram identificados nestas pesquisas que vem sendo desenvolvidas pelo grupo de pesquisa GEPIA.

A recomendação que deixamos a sociedade parintinense é que ao localizar materiais arqueológicos (cerâmica, ossos, moedas, etc) que os moradores não retirem o mesmo do solo, pois o solo mantém o material protegido e em condições para futuras pesquisas. Que ao localizar estes materiais nos procurem na UEA/CESP ou comunique ao Instituto de Patrimônio Histórico Nacional – IPHAN, em Manaus, para um arqueólogo possa retirar o material do solo de forma segura evitando que o mesmo quebre ou esfarele.

Agradecemos aos moradores da Comunidade de Santa Rita (Valéria) que nos procuraram na UEA, oportunizando que pudéssemos proteger o material, provisoriamente, para evitar a fragmentação do vaso cerâmico que abriga os ossos, assim como o esfarelamento dos ossos. Nosso muito obrigado aos que nos receberam como muito carinho e atenção neste sábado, 04/08/18: Josenildo, Márcio José, Saúde, Zilda, Maria, Adilson, Cristiane, Afonsson, Alzira, Juliana, Vilciane, João, Filipe, Edldson, Ozias. E aos que guardaram o material no local encontrado até que tenhamos uma equipe de arqueólogos que possam fazer as pesquisas no referido material de valor inestimável para pesquisa arqueológicas-científicas em Parintins.

Parintins, 06/08/2018.

Profª Clarice Bianchezzi – Professora de História do CESP/UEA.  Doutorando em antropologia/arqueologia na UFPA e Vice-coordenadora do GEPIA

Michel Carvalho Machado – aluno da História e pesquisador do GEPIA

Daiane Cristina Souza de Souza – aluna da História e pesquisadora do GEPIA

Jéssica Guimarães Batalha – aluna da História e pesquisadora do GEPIA

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