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RR Lyrae

Fig01: Telescópio Anglo-Australiano.

A Via Láctea homizia uma “população” antiga de estrelas em uma região com raio de 1 mil ano-luz (a partir de seu centro).  Esta descoberta foi o principal assunto nos centros astronómicos ao longo da última semana. Mas por que essa informação é importante? Eis o charme dessa pesquisa, segundo os astrónomos envolvidos na mesma, estima-se que aquelas estrelas tenham mais de 10 mil milhões de anos.  Consequentemente, as suas órbitas espaciais resguardam o primórdio da formação da nossa Galáxia.

Para chegar-se à descoberta, os astrónomos apontaram o espectrógrafo AAOmega do AAT (do inglês: Anglo-Australian  Telescope) para uma classe antiga de estrelas, que são denominadas  estrelas  variáveis RR Lyrae.

As estrelas variáveis RR Lyrae possibilitam a realização dos cálculos exactos de distância. Em geral, esse tipo de estrelas é encontrado apenas em populações estelares com mais de 10 mil milhões de anos, localizam-se normalmente no halo da Via Láctea. O brilho de tais estrelas têm a frequência de 1 pulso por dia, em média – o que dificulta o seu estudo.

Como todos sabem, o centro da nossa Galáxia encontra-se na direcção da constelação de Sagitário. Com o auxílio do AAOmega, os astrónomos  mediram as velocidades  de centenas de estrelas nessa região.

Fig02: Sagitário.
Fig02: Sagitário.

Um instante, se nessa região encontra-se o centro da Via Láctea, então, por qual motivo não conseguimos ver objectos brilhantes por lá? Resposta: no meio interestelar há muita poeira, logo, ela impede a passagem da luz produzida pela nossa Galáxia. E claro, deixa a constelação de Sagitário com aparência muito escura. Porém, se olharmos para essa região de outra maneira, notaremos algo belíssimo, a saber:

Fig03: Centro da Via Láctea.
Fig03: Centro da Via Láctea.

A figura 03 está a mostrar o centro da nossa Galáxia. Como podemos notar a região laranjada (à esquerda) refere-se a uma nuvem de gás que foi aquecida até uma temperatura da ordem de milhões de graus Celsius (possivelmente esse aquecimento foi motivado pelas explosões de supernovas). Detalhe, para a nuvem de gás se tornar “visível”, os astrónomos tiveram que trabalhar na faixa dos raios-X. Do lado direito da figura 03 (em azul) a mesma região foi mapeada, porém, na faixa do rádio. A parte vermelha espiralada que aparece bem ao centro da imagem dá-nos indícios de que a poeira e gás ao redor daquele ponto estão a alimentá-lo.  Trata-se de um buraco escuro.

Fig04: Plano da Via Láctea.
Fig04: Plano da Via Láctea.

A tese defendida pelos astrónomos consiste na afirmação de que nossa galáxia contenha múltiplas gerações estelares, com idades bem diversificadas. Isto é, algumas muito velhas e outras muito jovens. Uma vez que os metais são formados nas estrelas, então, quanto mais rica em metais uma estrela for, mais jovem ela será. Dito de outra maneira, quanto menos metal tiver em uma estrela, mais velha ela é.  E quais as implicações dessa análise? Uma vez que a Via Láctea apresenta, nas circunvizinhas de seu centro, estrelas ricas em metais, então, ao fazermos um estudo rápido notaremos que as regiões centrais da nossa galáxia apresentam um padrão de metalicidade parecido com o nosso Sol, e podem ser agrupadas em uma estrutura barrada.  Consequentemente, os astrónomos após investigarem essas estrelas presentes na barra de nossa galáxia descobriram que tais estrelas orbitam quase na mesma direcção ao redor do centro galáctico. O detalhe interessante é que o hidrogénio também segue a mesma rotação estelar. Essa “coincidência” levou muitos astrónomos a pensarem que todas as estrelas seguem a mesma órbita. Entretanto, as estrelas RR Lyrae não obedecem a essa regra. Seus movimentos são totalmente aleatórios. Segundo os astrónomos, as estrelas RR Lyrae correspondem a apenas 1% da massa total da barra, porém, o facto de se tratar de uma população antiga de estrelas é coerente com a idéia de que elas sejam as primeiras partes da Via Láctea. Mas os astrónomos ainda não conseguem explicar por qual motivo essa população estelar tem uma origem completamente diferente das demais estrelas presentes na barra.

As estrelas RR Lyrae têm suas velocidades aparentes alteradas pelas pulsações estelares, consequentemente, são denominadas estrelas móveis.

Com essa descoberta, os astrónomos buscarão compreender melhor o processo de formação de nossa galáxia – a Via Láctea.

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA, Membro da AIU, Membro da ST/Brasil, Membro do PLOAD/Brasil, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Coordenador do Planetário Digital de Parintins, Coordenador do Planetário Digital de Manaus, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

 

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