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Saturno e seus anéis

Fig01: Voyager sobrevoou Saturno em novembro de 1980.

Recentemente, uma equipa de astrónomos  apresentou uma nova versão  para  explicar  o processo de formação dos anéis de Saturno.

Em geral, os planetas gigantes têm vários anéis, em particular, os estudos realizados  sobre Saturno afirmam que  os  seus anéis são  formados, em  sua maioria  ( mais de 95%),  por  partículas  gélidas.

Os primeiros registos dos anéis de Saturno são do século XVII. Naquela época, os astrónomos não entendiam muito bem como tais anéis se formaram. Para respondermos essa indagação utilizamos técnicas variadas, citamos  o uso de telescópios terrestres e até mesmo de  sondas espaciais, como por exemplo: Voyager e Cassini.

Fig02: Cassini sobrevoou Saturno em julho de 2004. Está em operação até os dias de hoje.
Fig02: Cassini sobrevoou Saturno em julho de 2004. Está em operação até os dias de hoje.

A tese vigente sustenta o seguinte argumento: há quatro mil milhões de anos ocorreu um imenso  bombardeamento no  Sistema Solar, facto que acarretou na migração  orbital  dos planetas  gigantes gasosos. Acredita-se que havia milhares de objectos da Cintura de Kuiper com tamanho relativamente “grande” (afinal, chegavam a ter um-quinto do tamanho da Terra). Em meio ao bombardeamento as órbitas dos planetas e luas foram perturbadas e, de alguma maneira, aqueles objectos da Cintura de Kuiper foram arremessados contra Saturno. Ao passarem perto do gigante gasoso, os objectos foram esmagados pela colossal força gravítica saturniana.

Fig03: Saturno: à direita estão Terra e Lua, à esquerda estão Vénus e Marte.
Fig03: Saturno: à direita estão Terra e Lua, à esquerda estão Vénus e Marte.
Fig04: Esquema do processo de formação dos anéis.
Fig04: Esquema do processo de formação dos anéis.

Na figura 03, temos uma imagem onde Saturno se encontra na frente do Sol, os raios solares  deixam  à vista  os planetas: Marte e Vénus, além  da Terra (que aparece acompanhada   da Lua).

Na figura 04, há um esquema do processo da formação anular. Em (a) os objectos que passam próximos à Saturno são esmagados pela sua imensa gravidade. Em (b) os pedaços que restaram daquele objecto são  capturados por Saturno e “forçados”  a orbitar  o gigante gasoso.           Em (c), os choques e colisões entre os pedaços sobreviventes são cada vez mais frequentes e inevitáveis. Aos  poucos,  aqueles pedaços se tornam em fragmentos cada vez menores e  paulatinamente   a órbita   está a ficar mais e mais  circular, culminando na formação dos anéis.

Um dado importante que os astrónomos descobriram foi: ”a massa de todos os fragmentos capturados é capaz de  explicar  a massa dos anéis em redor de Saturno”. Desta forma, os investigadores concluíram que   os anéis de Saturno foram formados  quando  os objectos  “grandes”       (20% do tamanho da Terra ou maior)  estavam a passar  em órbitas  muito próximas  à Saturno, culminando na actuação  de um colossal  campo gravítico. Mas vale salientar que  essa análise somente faz sentido  se e somente se  considerarmos que os objectos  envolvidos na captura planetária  sofreram  colições  a alta velocidade. Neste cenário, seria  possível  termos  como resultado  pequenos  fragmentos oriundos de um objecto cujas dimensões são da ordem de alguns quilómetros.

Esta descoberta esclarece muitas dúvidas a respeito da formação dos anéis de Saturno e imediatamente leva-nos a outra questão: Seria correcto afirmarmos que os anéis de Saturno são unicamente subprodutos naturais do processo de formação planetária ou alguma parcela dos anéis poderia ser produto directo da formação do planeta?

Dr. Nélio Sasaki – Doutor em Astrofísica, Líder do NEPA/UEA/CNPq, Membro da SAB, Membro da ABP, Membro da SBPC, Membro da SBF, membro da UAI, membro da PLOAD/Brasil e ST/Brasil, Revisor da Revista Areté, Revisor da Revista Eletrônica IODA, Revisor ad hoc do PCE/FAPEAM, Director do Planetário Digital de Parintins-NEPA/UEA/CNPq, Director do Planetário Digital de     Manaus-NEPA/UEA/CNPq, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

 

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