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Saudade da escola: alunos relatam o sentimento causado pela pandemia da Covid-19

Foto: Ilustração

Eldiney Alcântara | 24 Horas

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“Eu quero voltar pra escola. Tô com saudade dos meus colegas”. Essa triste declaração é do pequeno Luís Henrique Marialva, 7 anos, aluno do 1° Ano do Colégio Nossa Senhora do Carmo. Ele e milhares de alunos no mundo todo vivem esse sentimento de ausência causado pela pandemia do novo coronavírus.

Com as aulas suspensas, crianças, adolescentes, jovens e adultos precisaram deixar creches, escolas e universidades. Para os pequenos, a rotina escolar tem um toque especial. Amizades, brincadeiras e um mundo de descoberta que teve que ser guardado.

Em 2020, Luís Henrique teve que estudar em casa, tendo aulas on line e atividades por grupos escolares de WhatsApp, porém, seu contato era unicamente com a professora. Ele sente falta das melhores companhias da escola, os colegas. “Tenho saudade deles”, diz comoventemente o menino.

Para a adolescente Lanna Jacaúna, 13 anos, a rotina durante a pandemia ficou entediante. Ela sempre gostou do dia agitado que tinha entre escola, cursos e demais atividades. “Sinto falta de ir cedo pra escola, mesmo que estudar não seja uma coisa tão ‘divertida’ para os adolescentes. Eu gostava muito do meu dia cheio, de ir de casa de manhã e voltar só a noite”, relatou.

A saudade dos amigos também é uma das coisas que mais sente falta. “A escola é um lugar onde a gente entra triste e sai rindo muito. Tô com muita saudade de tudo, pois faz mais de 10 meses que não vejo minhas amigas e amigos”, disse Lanna, apontando para a importância da escola na vida social das pessoas.

Estudar em casa

A educação da criança sempre foi compartilhada entre família e escola, porém, a escola sempre teve um papel mais formal e até maior. Porém, com o isolamento, a responsabilidade de educar ficou evidenciada para a família. A mãe e professora, Cristiney Fonseca Dray, teve que aliar as duas funções em casa. Com três filhas (2°, 3° e 7°Ano) ela precisou dar aulas para as meninas e até precisou estudar conteúdos para ensiná-los. Para Cristiney, “2020 foi um ano de pouca aprendizagem para as crianças. Um ano de dificuldade no aprendizado”.

Ela também apontou para a falta que a escola e, principalmente, a amizade faz para os alunos. “As minhas filhas sentem muita falta da escola, dos coleguinhas delas. A escola é considerada uma segunda família. Era a única maneira delas saírem de casa, brincarem e conversarem com outras pessoas”, destacou.

Para o pedagogo, Mateus Duarte, mestre em Ensino da Ciência na Amazônia, nesse período de pandemia é preciso manter os cuidados com a saúde mental dos alunos. Segundo o especialista, as crianças precisam se distrair, brincar e, sobretudo, estudar. “Nesse tempo de confinamento, com aulas paralisadas, os pais devem manter ativo o processo de escolarização de seus filhos. ‘Não ir para a escola, não significa deixar de estudar’. Mais do que nunca, com a ausência das aulas presenciais, necessitam observar que os estudos continuam e não podem parar”, orientou.

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